Promessa de “redemocratizar” o país acende alerta sobre avanço autoritário no Brasil.
247 – A promessa de Flávio Bolsonaro (PL) de usar o aumento da bancada de extrema direita no Congresso Nacional para alterar a Constituição e “redemocratizar” o país alimentou o receio de uma guinada em direção a um regime autoritário no Brasil, informa o jornal britânico The Guardian. A publicação lembra que o país foi redemocratizado nos anos 1980, após uma “brutal ditadura de 21 anos que o pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, há muito elogia”.
No ano passado, destaca o jornal, Jair Bolsonaro foi preso e condenado a mais de 27 anos de prisão por tentar articular um golpe de Estado após perder as eleições de 2022 para o presidente Lula (PT). Contudo, Flávio venceu Lula no primeiro turno das eleições presidenciais no domingo (4) e chega ao segundo turno, marcado para 25 de outubro, fortalecido. Na terça-feira (6), Flávio Bolsonaro prometeu aproveitar a expansão da extrema direita no Congresso para mudar a Constituição e “redemocratizar este país”.
Em evento de campanha realizado em Goiânia, Flávio declarou: “a única coisa entre o Brasil e a barbárie se chama Flávio Bolsonaro presidente”. A fala causou indignação entre historiadores e opositores do bolsonarismo, que acusam Flávio Bolsonaro de cooptar a linguagem da democracia para ocultar uma mudança iliberal.
A deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) reagiu à declaração em publicação na rede social X: “Isso é o anúncio de um golpe”. Na mesma linha, Marcelo Freixo (PT-RJ), deputado recém-eleito, afirmou: “O Brasil foi redemocratizado em 1988. Quem tentou desfazer isso foi o pai dele, que foi condenado por tentativa de golpe. O que eles querem, mais uma vez, é um golpe”.
O candidato não detalhou o significado prático de “redemocratizar” o Brasil — país que tem, segundo o The Guardian, uma “democracia multipartidária vibrante”, apesar de polarizada, e classificada em 28º lugar no índice de democracia liberal do instituto sueco V-Dem, à frente do Reino Unido (30º) e dos Estados Unidos (51º). Jair Bolsonaro, que já elogiou lideranças autoritárias como o ex-ditador chileno Augusto Pinochet, nutre um desejo antigo pelo retorno do regime militar, destaca o periódico.
FOTO: Carlos Moura/Agência Senado
FONTE: https://www.brasil247.com/midia/risco-de-golpe-com-flavio-bolsonaro-no-poder-vira-destaque-no-the-guardian/