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Risco institucional preocupa mais do que o risco fiscal no país, diz André Esteves

Sócio do BTG defende queda dos juros e diz que ajuste fiscal pode ser facilmente resolvido pelo presidente eleito.

247 – O chairman e sócio do BTG Pactual, André Esteves, afirmou nesta segunda-feira (14) que o risco institucional é hoje uma preocupação maior para o Brasil do que o desafio fiscal. Segundo ele, a deterioração das instituições poderia levar o país a um patamar de instabilidade comparável ao de nações como México e Rússia.

A declaração foi feita durante a 4ª edição do Seminário Brasil Hoje, promovido pelo Grupo Esfera. No evento, que reúne empresários, CEOs e autoridades públicas para debater os rumos do país, Esteves avaliou que a agenda econômica tem soluções conhecidas, enquanto a disputa institucional representa um risco mais profundo.

“As dimensões fiscal e institucional andam juntas e não tem como ser totalmente separadas. Mas a frente institucional é a batalha principal. A sociedade e o setor produtivo não podem perder essa guerra institucional, pois, se perderem, o país iria para um lugar entre o México, a Rússia. Com todos os seus problemas, desafios e mazelas, o país é melhor do que isso”, disse Esteves.

O banqueiro não citou nomes nem mencionou diretamente a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF). Ele enquadrou o problema como uma disputa entre o “Brasil institucional” e o “Brasil não institucional”. Para o chairman do BTG, a perda dessa batalha poderia aprofundar a informalidade, fragilizar o ambiente de negócios e abrir espaço para distorções graves na economia.

Como exemplo de sinais de degradação, Esteves mencionou setores formais da economia que passaram a registrar cerca de 20% de informalidade e “empresas inexpressivas que criaram rombos de dezenas de bilhões”. Ele afirmou que a sociedade não pode tratar a disputa institucional como encerrada nem relaxar diante desses riscos.

Na avaliação de Esteves, o próximo presidente eleito encontrará um país em situação mais organizada do que em transições anteriores, como as de 1994 e 2002. Ele citou inflação entre 4% e 4,5%, reservas internacionais de US$ 370 bilhões e um mercado de capitais robusto como elementos que tornam o cenário econômico administrável.

O executivo também avaliou o quadro eleitoral. Segundo ele, a disputa presidencial está em situação de empate virtual, próxima de 51% a 49%, o que torna estatisticamente difícil uma definição no primeiro turno e aponta para um segundo turno. Esteves afirmou que não é possível prever o vencedor, embora veja a intenção de voto ligeiramente mais favorável à direita.

Pesquisa Nexus/BTG divulgada nesta segunda-feira mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, com 40% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com 36%. Augusto Cury (Avante) aparece com 7%, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) têm 4% cada. Pablo Marçal registra 2%, e Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP) aparecem com 1% cada.

No campo fiscal, Esteves defendeu que há um caminho técnico conhecido para equilibrar as contas públicas. Para ele, buscar alternativas fora desse roteiro representa “negacionismo econômico”. “A premissa fundamental é parar de gastar mais do que se ganha”, afirmou, ao comparar a situação do governo à de famílias e empresas.

O chairman do BTG também criticou a combinação de expansão fiscal com aperto monetário. Segundo ele, a política econômica atual equivale a dirigir um carro pisando ao mesmo tempo no acelerador e no freio. Na avaliação de Esteves, ao reduzir o impulso fiscal, a necessidade de juros elevados também diminui.

“O ajuste não precisa ser drástico: três ou quatro medidas simples seriam suficientes para equilibrar as contas, algo que deve ser tratado com racionalidade e responsabilidade social, e não como pauta ideológica de esquerda ou direita”, disse.

Esteves classificou a taxa de juros próxima de 14% como “sufocante e não civilizatória”. Para ele, esse patamar prejudica empresas, bancos, mercado de capitais, infraestrutura e a população de menor renda. O banqueiro defendeu que o país busque uma taxa em torno de 7%.

“Isso causa um impacto profundo em toda a sociedade, atingindo diretamente a base da pirâmide. Essa queda tem um efeito transformador superior a qualquer programa social, política governamental ou pequeno aumento no investimento público”, avaliou.

A fala de Esteves reforça a leitura de parte do mercado financeiro de que o debate econômico não se limita ao ajuste das contas públicas. Para o chairman do BTG, a preservação das instituições será decisiva para que o país mantenha estabilidade, atraia investimentos e evite um processo de degradação política e econômica.

FOTO: Luiz Prado

FONTE: https://www.brasil247.com/brasil/risco-institucional-preocupa-mais-do-que-o-risco-fiscal-no-pais-diz-andre-esteves/