Brent a US$ 100 amplia margem do barril russo e pode elevar em quase 70% a receita energética prevista no orçamento de 2026.
247 – A disparada do petróleo para a faixa de US$ 100 por barril coloca a Rússia como a economia que mais se beneficia financeiramente, no curto prazo, da nova crise energética internacional desencadeada pela escalada militar no Oriente Médio. O aumento dos preços globais amplia diretamente a receita obtida por Moscou com suas exportações de petróleo e gás, principal fonte de arrecadação externa do país.
Reportagem do jornal El País aponta que o orçamento russo de 2026 foi calculado considerando um preço médio de US$ 59 por barril para o petróleo russo. Com o Brent negociado em torno de US$ 100, a diferença em relação ao parâmetro utilizado pelo Kremlin é de US$ 41 por barril, o equivalente a uma alta de aproximadamente 69,5% sobre a referência usada nas projeções fiscais.
Receita energética pode crescer mais de 6 trilhões de rublos
O orçamento federal da Rússia prevê 40,2 trilhões de rublos em receitas totais para 2026, valor equivalente a cerca de US$ 505 bilhões. Dentro desse montante, 8,9 trilhões de rublos devem vir diretamente da venda de petróleo e gás natural.
Se o preço médio efetivo do petróleo permanecer próximo de US$ 100 por barril, mantendo-se o volume exportado, a receita energética pode subir proporcionalmente ao aumento de preço. Nesse cenário, a arrecadação proveniente de petróleo e gás poderia alcançar aproximadamente 15,1 trilhões de rublos.
Isso representaria um ganho adicional de cerca de 6,2 trilhões de rublos acima do previsto originalmente no orçamento russo. Utilizando a equivalência de câmbio implícita no próprio orçamento, esse acréscimo corresponde a aproximadamente US$ 78 bilhões extras em receitas.
Margem por barril cresce US$ 41
O efeito da alta do petróleo também aparece no cálculo unitário da exportação. Como o orçamento foi elaborado com referência de US$ 59 por barril, cada barril vendido num cenário de US$ 100 gera uma receita bruta US$ 41 maior do que a prevista originalmente nas contas do governo russo.
Essa diferença transforma a alta do petróleo em um aumento direto da arrecadação do setor energético, responsável por uma parcela central do financiamento do Estado russo.
Descontos menores aumentam receita efetiva
Outro fator que amplia os ganhos é a redução dos descontos oferecidos pelo petróleo russo no mercado internacional.
Antes da nova escalada geopolítica, empresas russas estavam oferecendo abatimentos de até US$ 30 por barril para atrair compradores dispostos a adquirir petróleo sujeito a sanções. Em fevereiro, com o Brent pouco acima de US$ 70, o petróleo russo era vendido por cerca de US$ 40 por barril nos portos de Novorossiysk e Primorsk.
Com o Brent agora em US$ 100, mesmo que parte desse desconto continue existindo, o valor efetivamente recebido por cada barril exportado aumenta significativamente.
Exportações para a Ásia seguem em grande escala
A Rússia mantém grandes volumes de exportação para mercados asiáticos. A Índia, por exemplo, chegou a importar 2,1 milhões de barris por dia de petróleo russo em meados de 2025.
Em janeiro de 2026 esse volume havia recuado para 1,1 milhão de barris por dia após novas sanções dos Estados Unidos contra empresas russas do setor energético. A elevação dos preços globais e a necessidade de substituição de petróleo do Golfo Pérsico podem ampliar novamente a demanda por barris russos.
Impacto direto no caixa do Kremlin
Com o Brent a US$ 100, a diferença entre o preço real de mercado e o valor usado no orçamento russo cria um espaço significativo de arrecadação adicional para Moscou.
Considerando a estrutura atual do orçamento, a elevação dos preços internacionais do petróleo transforma o setor energético no principal canal de ganho fiscal imediato para a economia russa, consolidando o país como o maior beneficiário financeiro da atual alta global do petróleo.
FOTO: Mikhail Sinitsyn/TASS
FONTE: https://www.brasil247.com/economia/russia-e-a-economia-que-mais-lucra-com-a-alta-nos-precos-do-petroleo