Presidente associa direitos trabalhistas ao fortalecimento do país.
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (30), durante pronunciamento pelo Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, que o atual modelo econômico impõe obstáculos históricos a avanços sociais e voltou a defender mudanças na jornada de trabalho no Brasil.
No discurso, o presidente associou a resistência a direitos trabalhistas à lógica de funcionamento do sistema. “Se dependesse do sistema, nem a escravidão teria sido abolida no Brasil”, declarou, ao comentar a dificuldade de implementação de conquistas sociais ao longo da história.
Crítica à jornada de trabalho
Lula voltou a defender o fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos e descansa apenas um. Segundo ele, esse formato não condiz com o estágio atual de desenvolvimento tecnológico. “Não faz sentido que, em pleno século 21, com toda a evolução tecnológica, milhões de brasileiros e brasileiras tenham que trabalhar seis dias por semana para descansar apenas um dia”, afirmou.
O presidente também destacou que os impactos dessa jornada são mais severos para as mulheres, afirmando que a realidade enfrentada por elas “é muito mais difícil”.
Ao abordar o tema, Lula ressaltou que conquistas trabalhistas historicamente enfrentaram oposição de setores mais ricos da sociedade. “A turma do andar de cima disse que cada uma dessas conquistas ia quebrar o Brasil. E o Brasil nunca quebrou por dar direito aos trabalhadores. Sempre ficou mais forte”, declarou.
Proposta em análise no Congresso
A proposta enviada ao Congresso Nacional em 14 de abril prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial, além do fim da escala 6 por 1. O texto já teve a admissibilidade aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados e segue agora para uma comissão especial.
Novo Desenrola Brasil
Durante o pronunciamento, o presidente também anunciou o lançamento do “Novo Desenrola Brasil”, um conjunto de medidas voltadas à renegociação de dívidas das famílias brasileiras.
O programa prevê a inclusão de débitos como cartão de crédito, cheque especial, crédito direto ao consumidor (CDC) e financiamentos estudantis do FIES. Entre as condições apresentadas estão juros limitados a 1,99% ao mês e descontos que podem chegar a 90% do valor devido.
Também foi anunciada a possibilidade de saque de até 20% do saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para ajudar na quitação das dívidas.
Outro ponto destacado pelo presidente foi o bloqueio, por um período de um ano, de beneficiários do programa em plataformas de apostas on-line. “Não foi nosso governo que deixou as bets entrarem no Brasil, mas é o nosso governo que vai colocar um limite à destruição que elas vêm causando”, afirmou.
Medidas combinam trabalho e crédito
As iniciativas apresentadas pelo governo articulam mudanças na legislação trabalhista e políticas de crédito, com o objetivo de reduzir o endividamento e ampliar direitos no mercado de trabalho. O discurso reforça a estratégia de associar desenvolvimento econômico à ampliação de garantias sociais no país.
Foto: Ricardo Stuckert / PR
FONTE: https://www.brasil247.com/brasil/se-dependesse-do-sistema-nem-a-escravidao-teria-sido-abolida-afirma-lula