Se os EUA venceram, por que continuam a negociar com o Irã?
Os EUA dizem que destruíram grande parte da capacidade militar iraniana. Dizem que a aviação foi neutralizada. Dizem que o Irã saiu enfraquecido.
Então por que continuam sentados à mesa das negociações? Por que falam constantemente de “acordos próximos” sem nunca os conseguirem fechar de forma definitiva?
Um pugilista que domina os 12 rounds não sai do ringue a pedir negociações. Venceu. Ponto final.
A resposta talvez esteja aqui: poder militar e vitória política não são a mesma coisa.
Os EUA continuam a possuir a maior máquina militar do planeta. Mas, cada vez mais, mostram dificuldade em transformar superioridade militar em resultados políticos estáveis e duradouros.
O Irã não precisava de derrotar militarmente os EUA. Precisava apenas de sobreviver, manter capacidade de resposta e chegar às negociações sem colapso interno. E isso conseguiu.
Ao mesmo tempo, os custos acumulam-se. Milhares de milhões gastos, pressão sobre a inflação energética, desgaste político interno e uma crescente fadiga estratégica após décadas de conflitos no Médio Oriente.
E Israel? A imagem de invulnerabilidade também sofreu danos. O Domo de Ferro mostrou limites perante ataques coordenados e drones baratos.
O ‘Eixo da Resistência’ não se desintegrou. O Hamas está degradado mas não eliminado. O Hezbollah, os Houthis e o Irã impuseram um cessar-fogo. Metade de um eixo de resistência ainda é demasiado para a maior potência militar do mundo.
A questão central já não é saber se os EUA conseguem destruir alvos militares. Conseguem. A questão é outra: conseguem transformar essa superioridade militar em ordem política duradoura?
No Afeganistão não conseguiram. No Iraque não conseguiram. Na Síria não conseguiram. E agora volta a surgir o mesmo padrão: enorme capacidade de ataque, dificuldade crescente em impor o resultado político final.
Os aliados do Golfo já perceberam isso e começaram a diversificar alianças. A Europa continua mais lenta a adaptar-se, pagando parte da factura em crescimento perdido, degradação das condições de vida, energia mais cara, dívida acumulada e aumento das despesas militares.
A história não se repete, mas rima. Em 1973 chamou-se “paz com honra”. Hoje chama-se “acordo largamente negociado”.
Mudou o discurso. O impasse estratégico permanece. E os EUA continuam sentados à mesa das negociações.
Fontes: Reuters · AIEA · Associated Press · SIPRI · Comissão Europeia · Pentágono · Harvard University
FONTE: https://www.facebook.com/photo/?fbid=10226212911469750&set=a.10203406550124970