Associação Brasileira dos Jornalistas

Seja um associado da ABJ. Há 16 anos lutando pelos jornalistas

Seis bilionários controlam as redes sociais; três concentram 90% da Inteligência Artificial global

Relatório da Oxfam alerta para o poder das big techs na repressão e manipulação de narrativas políticas.

As tecnologias que conectam bilhões de pessoas em todo o mundo estão, na verdade, nas mãos de pouquíssimos super-ricos. Segundo novo relatório da Oxfam, lançado neste domingo (19) durante o Fórum Econômico Mundial, seis bilionários controlam nove das dez maiores plataformas de redes sociais do planeta, enquanto três bilionários concentram quase 90% do mercado global de chatbots de inteligência artificial. A organização alerta que esse poder digital acumulado por uma minoria não apenas gera lucros bilionários, como também está sendo usado para restringir liberdades, vigiar opositores e manipular o debate público.

Para a Oxfam, o avanço da inteligência artificial e das plataformas digitais não está promovendo mais liberdade ou inclusão. “Essas tecnologias, quando controladas por uma elite bilionária, deixam de ser ferramentas democráticas para se tornarem mecanismos de concentração de riqueza e poder”, afirma o relatório Resistindo ao domínio dos ricos.

A diretora-executiva da Oxfam Brasil, Viviana Santiago, classifica esse processo como uma ameaça concreta à democracia. “É urgente pensar na posse das redes sociais e das ferramentas de IA, porque há em curso uma tentativa de controle de narrativa, de reinterpretação da história e de limitação do acesso à informação”, disse ao Brasil de Fato. Segundo ela, a ausência de regulação nos setores de tecnologia e IA cria um ambiente ideal para a ampliação das desigualdades. “São setores altamente lucrativos, altamente poluentes e com poder de censura e vigilância”, afirma.

Vigilância, censura e desinformação

O relatório destaca que os bilionários que controlam as maiores redes sociais também controlam o que é visto, dito e ouvido por bilhões de pessoas. A Oxfam chama atenção para o papel das plataformas no monitoramento e na repressão de opositores políticos, como no caso do Quênia: durante protestos contra leis fiscais, autoridades quenianas usaram o X (antigo Twitter) para rastrear manifestantes.

A plataforma, que pertence a Elon Musk, é citada no documento como exemplo de como o poder privado pode ameaçar direitos coletivos. Um estudo da Universidade da Califórnia, mencionado no relatório, concluiu que o discurso de ódio aumentou 50% após a aquisição do X por Musk, em 2022.

A Oxfam também denuncia o uso das plataformas para espalhar desinformação, intimidar críticos e manter privilégios. “Essas redes, sob controle de bilionários, não são apenas empresas. Elas se tornaram agentes políticos com capacidade de reprimir, censurar e distorcer o debate público”, resume o relatório.

Três bilionários controlam a IA

Além das redes, o domínio da inteligência artificial se concentra em um número ainda mais reduzido de pessoas: três bilionários controlam quase 90% do mercado global de chatbots – programas que simulam interações humanas e estão presentes em serviços de atendimento, plataformas de busca e redes sociais. A Oxfam alerta que essa concentração aumenta o risco de manipulação em larga escala, especialmente diante da ausência de regras claras para a atuação dessas ferramentas.

Para Viviana Santiago, a captura dessas tecnologias por grandes fortunas serve a uma estratégia de longo prazo: moldar o imaginário coletivo e proteger estruturas de dominação. Ela critica o fato de esses setores operarem em grande parte sem regulação e alerta para o impacto ambiental de seus modelos de negócios.

“Esses setores concentram poder, produzem desigualdades e têm uma pegada de carbono gigantesca. Não podemos tratar como neutro o fato de que bilionários detenham essas ferramentas e os meios de comunicação”, disse.

Fórum de Davos silencia sobre concentração de poder digital

O relatório da Oxfam foi divulgado em paralelo à abertura do Fórum Econômico Mundial, que ocorre entre os dias 19 e 23 de janeiro, em Davos, na Suíça. A edição de 2026 reúne cerca de 400 líderes políticos de alto nível e 850 CEOs de grandes empresas, além de quase 100 grandes unicórnios e pioneiros da tecnologia. O tema oficial do evento é “Um espírito de diálogo”.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participa do fórum neste ano. O Brasil é representado pela ministra do Planejamento, Simone Tebet, que deve integrar um painel sobre crescimento na América Latina. Desde o início do terceiro mandato de Lula, em 2023, o país tem sido representado por ministros em Davos.

Editado por: Luís Indriunas

FOTO: Gage Skidmore

FONTE: https://www.brasildefato.com.br/2026/01/19/seis-bilionarios-controlam-as-redes-sociais-tres-concentram-90-da-inteligencia-artificial-global/#