Alta dos juros leva bancos a encarecer empréstimos, desacelera expansão do crédito e empurra inadimplência para níveis elevados, segundo dados oficiais.
247 – A política monetária restritiva adotada para conter a inflação teve efeitos diretos sobre o custo do crédito no Brasil em 2025. Com a taxa Selic em patamar elevado, os juros cobrados pelos bancos subiram de forma expressiva ao longo do ano, contribuindo para a desaceleração do crédito e para o avanço da inadimplência entre famílias e empresas.
Segundo a autoridade monetária, a taxa média de juros bancários avançou 6,5 pontos percentuais em 2025, o maior aumento desde 2022, quando a elevação havia sido de 7,8 pontos percentuais. O cálculo considera apenas operações com recursos livres, excluindo crédito habitacional, rural e financiamentos do BNDES.
Ao longo de 2025, a Selic acumulou alta de 2,25 pontos percentuais e alcançou o nível mais elevado em quase duas décadas. Além de repassar o encarecimento do custo básico do dinheiro, os bancos elevaram suas taxas acima desse movimento. No crédito às empresas, os juros médios subiram de 21,7% ao ano em dezembro de 2024 para 25% ao ano no encerramento de 2025, uma alta de 3,3 pontos percentuais.
Para as pessoas físicas, o aumento foi ainda mais acentuado. A taxa média passou de 53,1% ao ano no fim de 2024 para 60,1% ao ano ao término de 2025, avanço de 7 pontos percentuais. O movimento ocorre em um contexto de Selic mantida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom), pela quarta reunião consecutiva.
Entre as modalidades mais caras, o cheque especial apresentou nova elevação. A taxa média cobrada de pessoas físicas subiu de 134,8% ao ano em dezembro de 2024 para 138,6% ao ano no fim de 2025, aumento de 3,8 pontos percentuais no período.
Já no cartão de crédito rotativo, houve recuo dos juros, embora o patamar permaneça extremamente elevado. A taxa média caiu de 451,6% ao ano no final de 2024 para 438% ao ano em dezembro de 2025, redução de 13,6 pontos percentuais. Mesmo assim, trata-se da linha de crédito mais cara do sistema financeiro, com custo cerca de 30 vezes superior à taxa básica da economia.
Desde janeiro, o valor total da dívida no rotativo não pode ultrapassar o dobro do saldo original, desconsiderando o custo do IOF. A regra vale apenas para débitos contraídos a partir desse período. O crédito rotativo é acionado quando o consumidor não paga integralmente a fatura do cartão na data de vencimento.
O encarecimento do crédito também impactou o ritmo de expansão do sistema financeiro. Segundo o Banco Central, o estoque total de crédito bancário cresceu 10,2% em 2025, alcançando R$ 7,12 trilhões. O resultado representa uma desaceleração em relação a 2024, quando o crescimento havia sido de 11,5%, considerando valores ajustados.
A desaceleração já era esperada pela autoridade monetária, diante do nível elevado da Selic. Para 2026, o Banco Central projeta um crescimento ainda menor do crédito, estimado em 8,6%.
Paralelamente, a inadimplência avançou de forma significativa. A taxa média de atraso nos pagamentos subiu de 3% no fim de 2024 para 4,1% ao final de 2025, um dos níveis mais altos da série histórica iniciada em março de 2011.
Entre as pessoas físicas, a inadimplência passou de 3,5% em dezembro de 2024 para 5% no encerramento de 2025, alta de 1,5 ponto percentual. No segmento empresarial, o índice subiu de 2% para 2,5% no mesmo período, avanço de 0,5 ponto percentual.
FOTO: Agência Brasil
FONTE: https://www.brasil247.com/economia/selic-elevada-pressiona-juros-bancarios-freia-credito-e-amplia-inadimplencia-em-2025-kv1yz7sf#google_vignette