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Serviços recuam na margem, mas economia segue em nível elevado com rali dos ativos brasileiros

Queda pontual nos serviços não muda o quadro: economia segue forte, enquanto rali dos ativos e real valorizado aliviam a inflação e favorecem o BC.

O dado divulgado agora pela manhã foi a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do IBGE. Vale lembrar que o setor de serviços responde por cerca de 70% do PIB brasileiro, e a PMS capta pouco mais de 50% dessa atividade — sendo a pesquisa mais abrangente do IBGE entre os grandes setores. Em dezembro, o volume de serviços recuou 0,4%, após nove altas consecutivas. É uma sinalização de desaceleração na margem e confirma a percepção de que o quarto trimestre foi mais fraco, ainda que alguns indicadores tenham surpreendido positivamente.

Mesmo com essa queda pontual, o ano de 2025 encerrou com crescimento de 2,8% no volume de serviços. A receita nominal avançou de forma robusta ao longo do ano e, na comparação interanual (dezembro contra dezembro), o setor ainda mostra alta de 3,4% — um ritmo bastante forte. Ou seja, trata-se de uma acomodação após um ciclo prolongado de expansão, não de uma reversão estrutural.

Entre os destaques negativos de dezembro, o principal foi o segmento de transportes, com queda de 3,1%, refletindo uma perda de fôlego mais disseminada dentro do grupo. Por outro lado, o setor de informação e comunicação — que inclui tecnologia e serviços digitais — cresceu 1,7%, mantendo o desempenho consistente que vem apresentando. No agregado, o setor de serviços permanece 19,6% acima do nível pré-pandemia, um avanço notável e muito superior ao observado na indústria. Desde 2020, os grandes vetores de crescimento da economia brasileira foram a agropecuária (especialmente commodities) e os serviços.

Estamos apenas 0,4% abaixo do recorde histórico — justamente a leitura anterior. Portanto, o patamar de atividade ainda é elevado. A desaceleração recente está relacionada, principalmente, ao choque de juros promovido pelo Banco Central e ao encarecimento do crédito. A questão agora é como essa dinâmica vai evoluir ao longo de 2026.

Paralelamente, chama atenção o forte rali dos ativos brasileiros. A bolsa se aproxima dos 190 mil pontos e o real ensaia apreciação para a região de R$ 5,10 por dólar. A entrada de recursos estrangeiros no primeiro mês do ano e nestes primeiros dias de fevereiro já supera, com folga, todo o fluxo observado no ano passado. O mercado financeiro opera em ondas — e estamos claramente em uma fase de forte entrada de capital, não só no Brasil, mas em outros emergentes.

Esse movimento de apreciação cambial ajuda a tarefa do Banco Central. Com o câmbio mais valorizado, especialmente próximo de R$ 5,10, a pressão sobre alimentos praticamente desaparece. A inflação de alimentos em janeiro foi a menor para o mês nos últimos 20 anos — um dado impressionante. Isso tem implicações econômicas e políticas relevantes, já que a popularidade de governos costuma ser muito sensível aos preços de alimentos.

Em resumo, temos uma economia que desacelera na margem no setor de serviços, mas ainda opera em nível historicamente elevado. Ao mesmo tempo, o mercado financeiro vive um início de ano exuberante, com forte valorização de ativos e câmbio apreciado, o que contribui para aliviar a inflação e facilita o trabalho da política monetária.

FOTO: Freepik

FONTE: https://www.brasil247.com/blog/servicos-recuam-na-margem-mas-economia-segue-em-nivel-elevado-com-rali-dos-ativos-brasileiros