Um trabalhador da Meta Brasil confirma movimentação da empresa que pode intensificar a alteração de algorítimos.
Sem dúvidas, você já leu ou constatou com seus próprios olhos algum movimento da Meta, gigante da tecnologia que faz a gestão do Facebook, Instagram e WhatsApp, em manipular engajamentos de contas ou até mesmo banir páginas ou postagens para limitar o acesso de certos grupos políticos.
Vou começar com um relato meu. Criei um perfil reserva no Instagram por esses dias. Em nenhum momento interagi, segui ou dei like em qualquer conteúdo de extrema-direita, apenas em nomes do campo progressista. Comecei a seguir a própria página do 247, o MST, Lula, entre outros. Resumo da ópera, caro leitor: qual foi o primeiro reels que brotou na minha timeline? Lucas Pavanato. Isso mesmo, esse que teve mais de 3 milhões de votos para deputado federal graças a seus cortes lacradores que sempre, sempre, viralizaram nas redes. Convenhamos que não foi com carisma e muito menos cacapacidade política que o cara de água de salsicha conquistou milhões de views nas redes, certo?
Agora, reproduzo aqui um importante relato de Jeferson Miola, colunista do 247 e analista político: “O Instagram derrubou o perfil do SAJU – Serviço de Assessoria Jurídica da UFRGS, projeto de extensão da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul criado no ano de 1950 que presta atendimento jurídico gratuito à população de baixa renda, por ter publicado apoio à reeleição de Lula. Trata-se de cerceamento à liberdade de expressão de uma entidade universitária por razões políticas e ideológicas”.
Como não esquecer do vídeo recente de Fábio Porchat denunciando os crimes da Igreja Lagoinha, que foi derrubado do absolutamente nada no Instagram e só voltou ao ar depois de muita mobilização?
Poderia ficar o dia todo aqui citando casos e mais casos. No entanto, um relato chamou a atenção de uma pessoa que trabalha para a Meta Brasil. Não vou citar seu nome original pelo direito ao sigilo à fonte que o jornalismo me concede, mas vamos chamá-la aqui de Lira. Segue sua aspa:
“Na Meta, existe um exército de moderadores que trabalha na validação de conteúdo, aprovando ou reprovando postagens que possam ter algum tipo de violência política, sexual, enfim, de qualquer espécie. Então, o moderador é um humano com capacidade cognitiva e discernimento, com senso crítico, que faz tal moderação. claro que ele segue uma conduta da plataforma, mas, mesmo assim, ele tem o poder de decisão. Justamente no período eleitoral do Brasil, muitos deles foram mandados embora, aos montes, sendo substituídos imediatamente por robôs de IA que promovem tal moderação. Ou seja, um computador que pode simplesmente obedecer a um comando unificado, vindo dos EUA, por exemplo, que tem como objetivo comum privilegiar postagens e páginas enquanto prejudica outras”.
Que a Meta anda demitindo funcionários mundo afora não é nenhuma novidade. O que não é público é quais funcionários são esses, suas tarefas estratégicas e em qual momento político do Brasil a empresa decidiu tomar tal atitude.
E mais: como a IA surge como um mecanismo que potencializa, de uma forma gigantesca, comandos e ações, sejam eles positivos ou negativos. Basta um simples comando, talvez, de um bilionário.
Zuckerberg apoia Trump sem pudor
O relato de Lira explica muita coisa. O Pavanato na minha timeline, o vídeo do Porchat derrubado e a página da universidade podem partir apenas de um comando de uma IA, que irá obedecer imediatamente, sem ter que passar por triagens ou moderações.
Em 2025, o CEO da Meta reforçou a adesão da empresa ao governo de Donald Trump, esse que também diz, sem nenhum constrangimento, que interfere no Brasil. “O governo pode estar se opondo ativamente a você, tentando atrapalhar e adicionar muita fricção, ou pode estar tentando ativamente ajudar a quebrar barreiras para ajudar você”, disse o bilionário. Ainda seguindo no tema governo Trump, Zuckerberg falou sobre apoiar a gestão: “É a coisa certa a fazer”.
A parceria é descarada, o apoio é mútuo e a sanha para controlar países, principalmente em um Brasil que tem um STF e um governo federal que AINDA se preocupam em regulamentar as redes e punem as big techs que não rezam a cartilha da nossa Constituição, como ocorreu recentemente com o pavoroso Discord. Ter um Flávio Bolsonaro presidente para retornar com a terra de ninguém estabelecida pelo seu pai é mais do que um objetivo, é uma missão muito lucrativa para a Meta. E o projeto está mais vivo do que nunca. Afinal de contas, como nascem as “mamadeiras de pioc4as” que elegem extremistas sem a ajudinha das big techs?
FOTO: Divulgação/ Casa Branca
FONTE: https://www.brasil247.com/blog/seu-algoritimo-esta-estranho-o-movimento-sigiloso-da-meta-no-brasil-feito-justamente-no-periodo-eleitoral/