Indicação de candidato sem experiência, violação do protocolo diplomático e retaliação com revogação de visto tensionam as relações entre Brasil e EUA.
Há muitos problemas com Daniel Perez, indicado para ser o novo embaixador dos EUA no Brasil.
Em primeiro lugar, ele não tem preparo algum para o cargo. Ele é um político ligado a Marco Rubio, sem qualquer experiência na área diplomática. Isso tornou-se bem visível na sabatina feita na Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA. Ele sequer conseguiu responder a perguntas sobre as sanções comerciais aplicadas contra o Brasil.
Em segundo, sua nomeação foi anunciada sem consulta prévia ao governo brasileiro, uma violação de regra básica da diplomacia internacional.
Salientamos que a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas determina, em seu Artigo 4, o seguinte:
Artigo 4
1. O Estado acreditante deverá certificar-se de que a pessoa que pretende nomear como Chefe da Missão perante o Estado acreditado obteve o Agrément do referido Estado.
2. O Estado acreditado não está obrigado a dar ao Estado acreditante as razões da negação do “agrément”.
Em terceiro, seu nome, que encontra resistências mesmo no Partido Republicano, ainda não foi aprovado no plenário do Senado dos EUA.
Sua missão parece ser a de contribuir para intervir nas eleições do Brasil.
A absurda revogação do visto da nossa competente e profissional embaixadora em Washington, que muito vinha contribuindo para as negociações entre o Brasil e os EUA, embora não implique expulsão, é, ao mesmo tempo, uma chantagem para que o governo brasileiro emita rapidamente o agrément para Perez, uma agressão à soberania do nosso país e uma violação da mencionada Convenção de Viena.
FOTO: Reprodução/247/IA e Florida House of Representatives
FONTE: https://www.brasil247.com/blog/sobre-o-caso-daniel-perez-e-a-revogacao-do-visto-da-nossa-embaixadora-em-washington-2/