Carta denuncia impactos do bloqueio e cobra apoio internacional ao povo cubano.
Circula amplamente nas redes sociais uma carta aberta ao mundo, escrita por uma mulher cubana, Ikai Romai, que denuncia o que classifica como um crime ignorado pela comunidade internacional.
Ela fala em nome de seus avós ao afirmar que, “em Cuba há idosos que morrem antes do tempo porque o bloqueio impede que cheguem medicamentos para o coração, a pressão, a diabetes.”
Também denuncia a situação das crianças, relatando que há “incubadoras em Cuba que tiveram que ser desligadas por falta de combustível. Que há recém-nascidos lutando pela vida enquanto o governo dos Estados Unidos decide quais países podem nos vender petróleo e quais não.”
Segundo a carta, trata-se de fome intencional, pois “o bloqueio é fome programada. Não é que falte comida por acaso. É que nos impedem de comprá-la. É que os navios com alimentos são perseguidos. É que as transações bancárias são bloqueadas. É que as empresas que nos vendem grãos, frango, leite, são sancionadas.”
Ela também menciona a situação dos profissionais de saúde: “nossos médicos, os mesmos que salvaram vidas na pandemia enquanto o mundo inteiro desabava, hoje não têm seringas, nem anestesia, nem equipamentos de raio-X. Não porque não saibamos produzi-los. Não porque não tenhamos talento. Mas porque o bloqueio nos impede de acessar os insumos, os sobressalentes, a tecnologia.”
Ao dirigir-se à comunidade internacional, afirma: “Cuba não pede esmola”; Cuba pede justiça e o direito de transacionar livremente com todos os povos, sem que embarcações sejam impedidas de chegar a seus portos.
O bloqueio imposto pelos Estados Unidos a Cuba há mais de 60 anos é classificado no texto como crime de lesa-humanidade. O autor argumenta que a medida contraria a posição majoritária das nações que, de forma recorrente, votam pelo seu fim em organismos internacionais.
O texto defende que cidadãos do mundo inteiro manifestem solidariedade ao povo cubano, lembrando a atuação de médicos cubanos em diversos países, inclusive no Brasil, onde milhares trabalharam em regiões de difícil acesso.
Também propõe que categorias profissionais e o governo brasileiro discutam formas concretas de apoio, inclusive no fornecimento de petróleo e alimentos, como maneira de mitigar os efeitos do bloqueio.
Por fim, sustenta que o presidente Lula, em eventual encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve abordar o tema diretamente, argumentando que o povo cubano tem direito à vida e que o bloqueio não pode persistir às custas do agravamento da fome e da escassez no país.
FOTO: Enrique González (Enro)/Cubadebate
FONTE: https://www.brasil247.com/blog/solidariedade-a-cuba