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Suposta conversa entre Moraes e Vorcaro no dia da prisão do banqueiro é ‘grave’, avaliam ministros do STF

Membros da Corte afirmam que mensagens atribuídas a Moraes tornam a situação “difícil” de explicar; Ministro nega ter conversado com o banqueiro.

247 – Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam como “grave” a revelação de mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro enviadas ao ministro Alexandre de Moraes no dia em que o empresário foi preso pela primeira vez, em novembro de 2025. Em conversas reservadas, integrantes da Corte disseram que o episódio torna a situação do magistrado “difícil” de explicar e pode aprofundar o desgaste institucional do tribunal. As informações são do jornal O Globo.

Segundo relatos de ministros ouvidos pela reportagem, a divulgação do conteúdo aumenta as pressões internas sobre o STF em um momento considerado delicado para a imagem da Corte.

Integrantes do Supremo ressaltam que é necessário ter acesso ao conteúdo completo das comunicações para compreender o contexto das mensagens. Ministros mais próximos de Moraes também defendem cautela e afirmam que é preciso aguardar possíveis novos desdobramentos do caso.

Alexandre de Moraes negou na quinta-feira ter recebido as mensagens mencionadas na reportagem. O ministro declarou que “não recebeu as mensagens referidas na matéria” e afirmou que “trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o STF”. Procurado novamente nesta sexta-feira, o magistrado não se manifestou.

Segundo a colunista Malu Gaspar, Vorcaro teria enviado uma série de mensagens ao ministro no dia 17 de novembro de 2025, data em que foi deflagrada a operação da Polícia Federal que resultou em sua prisão no Aeroporto de Guarulhos, à noite. As informações extraídas do celular do banqueiro indicariam que ele relatava a Moraes o andamento de negociações para a venda do Banco Master e também faria referências a um inquérito sigiloso que tramitava na Justiça Federal de Brasília.

Entre as mensagens registradas, Vorcaro teria perguntado duas vezes ao ministro se havia alguma novidade e questionado: “Conseguiu bloquear?”. A Polícia Federal identificou ao menos nove mensagens trocadas entre 7h19 e 20h48 naquele dia. De acordo com investigadores, a comunicação teria ocorrido por meio de anotações no bloco de notas enviadas via WhatsApp como imagens de visualização única.

A defesa de Daniel Vorcaro reagiu à divulgação das informações. Em nota, os advogados afirmaram que a exposição de dados do celular do banqueiro inclui “conversas íntimas, pessoais e que expõem terceiros não envolvidos com os fatos, além de supostos diálogos com autoridades e até o ministro do STF, Alexandre de Moraes, talvez editadas e tiradas de contexto”.

Investigação e crise no tribunal

O caso envolvendo o Banco Master desencadeou uma das maiores crises institucionais recentes do Supremo. O episódio passou a levantar questionamentos sobre a atuação de ministros da Corte, especialmente de Alexandre de Moraes e de Dias Toffoli, que inicialmente era o relator do processo.

Toffoli deixou a relatoria do inquérito no mês anterior após semanas de desgaste. Entre as decisões criticadas por investigadores estava a escolha dos peritos responsáveis pela análise do material extraído do celular de Vorcaro. A situação se agravou depois que o ministro confirmou ser sócio da empresa Maridt, que havia vendido participação em um resort no Paraná para um fundo ligado ao empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro investigado.

Com a saída de Toffoli, o processo foi redistribuído ao ministro André Mendonça. Na quarta-feira, ele determinou a prisão de Vorcaro e de outros investigados na terceira fase da operação Compliance Zero.

A investigação da Polícia Federal apura um suposto esquema bilionário de fraudes no sistema financeiro. Entre os crimes investigados estão gestão fraudulenta de instituição financeira, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. De acordo com investigadores, estruturas do mercado financeiro teriam sido usadas para captar recursos e movimentar ativos considerados de alto risco ou baixa liquidez, além de operações destinadas a ocultar prejuízos e desviar recursos.

A decisão de Mendonça também menciona suspeitas de interlocução com servidores públicos e tentativas de interferir nas investigações. A prisão de Vorcaro será analisada pela Segunda Turma do STF a partir do dia 13, quando os ministros decidirão se mantêm ou não a medida.

Reação no congresso

A divulgação das mensagens provocou repercussão também no Congresso Nacional. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, afirmou que as informações divulgadas exigem investigação.

Segundo ele, “são fatos gravíssimos que exigem apuração rápida e transparente. Ao que tudo indica, nós temos relações, no mínimo, não republicanas entre ministros da Suprema Corte e um cidadão que hoje está preso e denunciado por fazer parte do crime organizado, com fraudes e golpes bilionários”.

Na Câmara dos Deputados, o deputado Duarte Júnior (PSB-MA), vice-presidente da CPI do INSS, disse que pretende levar o tema à comissão e estuda a possibilidade de convidar Alexandre de Moraes para prestar esclarecimentos.

De acordo com o parlamentar, “os dados são bem reveladores. Não se trata de um encontro institucional entre um ministro do Supremo e um magistrado dentro do tribunal, mas de um encontro particular, com relações pessoais e mensagens perguntando sobre supostos bloqueios de processo. São questões graves que precisam ser aprofundadas”.

O deputado acrescentou que o colegiado avalia os instrumentos disponíveis para avançar nas apurações. “A gente está estudando a melhor forma de fazer isso, seja com requerimento de novas informações, quebra de algum outro sigilo ou um convite para esclarecimentos”, afirmou.

Foto: Rosinei Coutinho/STF

FONTE: https://www.brasil247.com/brasil/suposta-conversa-entre-moraes-e-vorcaro-no-dia-da-prisao-do-banqueiro-e-grave-avaliam-ministros-do-stf