Tarcísio de Freitas (Republicanos), 51, foi reeleito hoje governador de São Paulo, derrotando Fernando Haddad (PT) mais uma vez. O petista, que foi convencido por Lula a entrar na disputa, não conseguiu obter os votos necessários para levar a decisão ao segundo turno.
Com 90,02% das urnas apuradas no estado Tarcísio tinha 62,85% dos votos, e Haddad, 36,22%.
Diferentemente do pleito de 2022, quando estreou nas urnas e vinculou fortemente sua campanha à imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Tarcísio adotou desta vez uma postura mais autônoma. Neste ano, o governador apoiou-se sobretudo em uma forte rede de aliados da política local, tendo como principal fiador o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB).
O governador largou em vantagem na disputa ao costurar uma mega-aliança partidária no estado. Apoiado por uma coligação de 12 partidos, Tarcísio garantiu palanque na maioria dos municípios paulistas, priorizando agendas institucionais e eventos de lançamento de candidaturas aliadas em detrimento de caminhadas de rua e do tradicional corpo a corpo nos bairros.
Com a popularidade em alta —registrando 64% de aprovação, segundo o Datafolha—, Tarcísio consolidou-se como o principal cabo eleitoral do estado. O chefe do Executivo paulista dividiu suas atenções entre as campanhas ao Senado de André do Prado (PL) e de seu ex-secretário Guilherme Derrite (PP), além de ser convocado para impulsionar a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Na disputa pelo Senado, o governador engajou-se diretamente na campanha de Prado, seu principal aliado na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo). No entanto, sua atuação no cenário nacional gerou ruídos: aliados de Flávio Bolsonaro consideraram o esforço do governador aquém do esperado. Enquanto Ricardo Nunes recebeu elogios do entorno do candidato do PL por sua dedicação, Tarcísio foi alvo de cobranças reservadas, mesmo após tentar demonstrar maior envolvimento na reta final do primeiro turno.
O recuo estratégico de Tarcísio refletia uma preocupação de seus conselheiros políticos sobre o impacto que o desgaste de Flávio poderia causar à sua própria imagem. Ao longo da corrida eleitoral, o senador enfrentou graves denúncias e passou a ser investigado por suspeita de corrupção, sob a acusação de receber repasses do banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Bolsonaro.
Entre o Bandeirantes e o Planalto
A estratégia para 2026 foi desenhada em meio a intensos debates sobre os rumos políticos de Tarcísio. Com Jair Bolsonaro inelegível e preso, lideranças do centrão e setores moderados da direita articulavam o nome do governador como o candidato natural para enfrentar Lula. Embora o clamor de seus apoiadores fosse evidente, Tarcísio evitou demonstrar interesse público pela disputa nacional.
Nos bastidores, interlocutores apontavam que ele só aceitaria o desafio caso recebesse uma indicação consensual de seu padrinho político. Além disso, pesava o fator de risco: a permanência no Palácio dos Bandeirantes era vista como um caminho seguro e confortável para consolidar sua liderança, enquanto uma candidatura ao Planalto trazia incertezas sobre sua viabilidade numa disputa nacional.
Por outro lado, a ala mais ideológica do bolsonarismo sempre demonstrou ressalvas em relação a Tarcísio, enxergando-o como um nome do centrão. Apesar de ter sido ministro da Infraestrutura de Bolsonaro, sua atitude pragmática e o bom diálogo mantido com integrantes do STF (Supremo Tribunal Federal) eram vistos com desconfiança pela base mais radical. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, despontou como um de seus críticos mais vocais.
Durante a campanha, Tarcísio modulou seu discurso e admitiu, pela primeira vez, a possibilidade de disputar a Presidência no futuro. Pouco depois, foi elogiado publicamente por Flávio Bolsonaro, que o classificou como um dos “grandes quadros da direita” para o pleito de 2030. O senador tem defendido uma proposta para extinguir a reeleição presidencial no país, o que, em tese, pavimentaria o caminho para que Tarcísio dispute a sucessão nacional no período seguinte.
Quem é Tarcísio
Nascido no Rio de Janeiro, Tarcísio de Freitas serviu como oficial do Exército Brasileiro por 17 anos e integrou a missão de paz da ONU no Haiti (Minustah) entre 2005 e 2006.
Antes de assumir o Ministério da Infraestrutura no governo de Jair Bolsonaro, em 2019, ele atuou como diretor-geral do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) na gestão de Dilma Rousseff (PT) e como secretário de Coordenação de Projetos do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) no governo de Michel Temer (MDB).
Bacharel em ciências militares e mestre em engenharia de transportes pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), o governador é casado com Cristiane Freitas e tem dois filhos.
Foto: Pablo Jacob/GovSP
FONTE: https://noticias.uol.com.br/eleicoes/2026/10/04/tarcisio-de-freitas-derrota-haddad-e-e-reeleito-governador-de-sao-paulo.htm