Donald Trump ainda afirmou que deve conversar com o presidente Lula, reeleito no último domingo.
247 – Apesar do amplo reconhecimento internacional acerca do pleito presidente brasileiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (29) que pretende conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para parabenizá-lo pela vitória nas eleições presidenciais brasileiras. Apesar da sinalização de contato com o chefe do Executivo, o republicano voltou a atacar o processo eleitoral no Brasil, classificando a votação como uma “vergonha”.
A declaração foi feita a jornalistas antes de Trump embarcar para um comício eleitoral nos Estados Unidos. O presidente americano comentou o resultado das urnas um dia depois de Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado na disputa presidencial e aliado de Trump, fugir para território americano.
“Acompanhei as eleições. Não tomei partido, mas vi o que estava acontecendo no Brasil, foi uma vergonha”, declarou Trump.
Questionado sobre a possibilidade de procurar Lula para cumprimentá-lo pela vitória, o presidente americano respondeu afirmativamente. A disposição para estabelecer contato, no entanto, veio acompanhada de novas críticas à eleição brasileira, repetindo a avaliação de que o processo teria sido uma “vergonha”.
As declarações representam uma continuidade da postura adotada por Trump desde a divulgação do resultado eleitoral. Embora tenha evitado anunciar qualquer iniciativa de interferência na situação política brasileira, o republicano tem manifestado desconfiança em relação à votação e defendido publicamente a família Bolsonaro.
Trump havia descartado envolvimento na situação de Flávio Bolsonaro
Na quarta-feira (28), Trump afirmou que não pretendia se envolver na controvérsia provocada pela fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos e pela divulgação de uma carta na qual o senador contestou o resultado das eleições presidenciais.
No documento publicado nas redes sociais, Flávio chegou a se apresentar como “presidente eleito do Brasil”, apesar de ter sido derrotado por Lula nas urnas. A declaração foi interpretada como uma tentativa de deslegitimar o resultado eleitoral.
Poucos minutos depois da publicação, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro apagou a versão original e divulgou uma nova carta. No texto alterado, retirou a autoproclamação como presidente eleito e passou a se apresentar como “líder do Brasil”.
Ao ser questionado sobre o episódio, Trump confirmou que os Estados Unidos haviam autorizado a entrada de Flávio no país, mas procurou se distanciar das consequências políticas da iniciativa.
“Não vou comentar sobre isso. Nós demos a ele uma autorização para entrar no país. Mas não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha”, afirmou o presidente americano na quarta-feira.
Na mesma ocasião, Trump declarou considerar injusto o tratamento recebido pela família Bolsonaro no Brasil. O republicano, entretanto, negou ter conversado com Flávio Bolsonaro depois da eleição.
A manifestação desta quinta-feira ocorre, portanto, em meio à repercussão internacional da contestação do resultado eleitoral pelo candidato derrotado. Embora tenha indicado que pretende reconhecer a vitória de Lula por meio de um contato direto, Trump mantém o discurso de questionamento sobre a condução das eleições.
Fuga de Flávio provoca críticas de democratas nos Estados Unidos
A chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos também desencadeou críticas de parlamentares do Partido Democrata à administração Trump. Congressistas americanos questionaram a autorização concedida ao senador brasileiro, especialmente diante das restrições migratórias adotadas pelo governo republicano.
As manifestações ocorreram na quarta-feira, quando parlamentares utilizaram as redes sociais para destacar investigações envolvendo Flávio Bolsonaro e apontar uma suposta contradição entre o acolhimento do aliado político e o endurecimento das regras de imigração.
O deputado Morgan McGarvey, representante do Kentucky no Congresso americano, criticou a decisão da administração republicana.
“A administração Trump diz que não quer criminosos entrando em nosso país. A menos que sejam tão corruptos quanto ele”, escreveu o parlamentar na rede social X.
O senador democrata Andy Kim, de Nova Jersey, também questionou o tratamento concedido a Flávio Bolsonaro. Para ele, a decisão evidencia um favorecimento político incompatível com a postura adotada pelo governo em relação a imigrantes e refugiados.
Kim classificou a entrada do brasileiro como “mais um exemplo da corrupção de Trump favorecendo aqueles que se curvam a ele”.
O senador também estabeleceu uma comparação com as medidas restritivas aplicadas a cidadãos de países como Haiti e Afeganistão.
“Trump está basicamente concedendo a Bolsonaro o Status de Proteção Temporária, enquanto o arranca de incontáveis haitianos, afegãos e outros que construíram vidas na América”, escreveu.
O Status de Proteção Temporária é um mecanismo previsto na legislação migratória americana que permite a determinados estrangeiros permanecer temporariamente nos Estados Unidos em razão de condições extraordinárias em seus países de origem. A comparação feita por Kim teve caráter político, sem indicar que Flávio Bolsonaro tenha recebido formalmente esse benefício.
https://x.com/rtnoticias_br/status/2115818062993596613
Foto: @whitehouse
FONTE: https://www.brasil247.com/mundo/trump-diz-que-falara-com-lula-mas-volta-a-chamar-eleicoes-brasileiras-de-vergonha/