Recuo dos EUA no Oriente Médio expõe fragilidade estratégica e acelera o colapso do petrodólar diante da nova ordem geopolítica.
A guerra acabou?
Não é possível, ainda, falar nisso.
Apenas há a palavra do ditador fascista de que está conversando, positivamente, com autoridades do Irã, para dar um tempo na guerra, como destaca a mídia americana nesta segunda-feira.
Nem mesmo se sabe se isso é verdade, porque não há comunicado oficial do governo iraniano nesse sentido, embora o seu silêncio, claro, signifique sua vitória.
Ou seja, Trump pode estar blefando, o que, indiretamente, nesse caso, significa admitir que perdeu a guerra, o que representa um bem que está fazendo à humanidade a contragosto.
Mas cuidado!
Não dá para confiar no caboclo.
Ele pode, muito bem, estar dando uma de escorpião, querendo usar o Irã para atravessar o Estreito de Ormuz, nas costas do povo iraniano, e, em seguida, picá-lo.
Prova de derrota trumpista
O fato, porém, é que o deus mercado amanheceu, nesta segunda-feira, feliz da vida, com as ações se recuperando e preanunciando queda do preço do petróleo, se a guerra acabar.
O ditador de Washington sentiu o peso e o bafo da opinião pública americana no cangote, sinalizando que ele vai se lascar nas eleições de novembro, se continuar com a aventura, subordinando-se às vontades do sionismo.
Covarde, como todo violento é, Trump também pode, como prisioneiro de Benjamin Netanyahu, estar armando mais uma artimanha: tira os Estados Unidos da briga e deixa Israel sozinho, mas com o apoio contínuo do abastecimento de armas.
Netanyahu não deu o sinal de Trump de que encerra a guerra, mesmo sabendo que, se ficar sozinho no embate, se enfraquece psicologicamente, já que se torna evidente que o império o vê como carga pesada demais sobre os ombros para ser carregada por mais tempo.
Continuar a guerra é prejuízo para Trump, mas vantagem para Benjamin genocida, pois, para continuar no poder, precisa ir atirando sem parar.
Novas correlações de forças
As bombas iranianas, que caem com violência sobre Israel, como retaliação pelos ataques que se iniciaram com os genocidas Trump e Netanyahu, criam nova correlação de forças.
O alívio que a retirada de Trump provoca nos mercados é derrota anunciada que atinge também Israel, visto que, se continuar atirando contra o Irã, perde apoio dos que movimentam a economia global por meio da financeirização especulativa.
A máquina de guerra americana depende da continuidade da especulação com a dívida pública, como fator de geração de riqueza primitiva permanente, para sustentá-la.
No entanto, como a guerra comprova, o Pentágono/governo, que compra os armamentos das indústrias, não pode entrar diretamente no conflito, como fez Trump.
Tem que terceirizá-lo para Israel, o melhor cliente consumidor.
A guerra mostrou que o governo americano não pode pagar para as indústrias fabricarem armas e ele mesmo sair atirando, como fez Trump no Irã, atendendo interesse israelense.
Trump, amargamente, entendeu que tem que chamar alguém para apertar o gatilho, ou seja, Israel, que consome o que os Estados Unidos produzem.
Caso contrário, o chefe da Casa Branca se desgasta politicamente, como se vê no momento, quando ele não consegue mais arregimentar aliados para ajudá-lo a fechar o Estreito de Ormuz.
A reação do mercado ao anúncio de Trump por paralisar a guerra é a derrota moral explícita dele e de Netanyahu e, em contrapartida, a vitória moral de Teerã, cuja resistência aos bombardeios é o aval do seu triunfo, pelo menos por enquanto.
Fim do petrodólar: nova divisão internacional do trabalho
Ao jogar a toalha, Trump primeiro sinaliza ao mundo que a permanência dos Estados Unidos no Oriente Médio, nas condições em que se deram até agora, depende de outros fatores sobre os quais não mais controlam imperialmente.
Salvo se jogar bomba atômica sobre o Irã, não conseguirá ter acesso ao Estreito de Ormuz, algo que, se acontecer, destrói seu maior aliado: Israel.
Segundo a geopolítica regional, com o destroçamento dos aliados dos Estados Unidos na região – as oligarquias monárquicas corruptas do Golfo Pérsico –, passa a ser dominada por quem vence a guerra: o tripé Irã, Rússia e China.
Os russos e os chineses, que estão em aliança eterna desde o início da guerra na Ucrânia, em que a Rússia derrotou a Otan/EUA, são os novos senhores do Oriente Médio.
O fracasso dos Estados Unidos nessa aventura recente desarmou, monetariamente, seu poder ancorado no petrodólar.
O fechamento do Estreito de Ormuz decretou o fim desse poder monetário imperialista.
Já antes de iniciar a guerra, o maior aliado dos americanos no Golfo, a Arábia Saudita, já tinha encerrado o acordo do petrodólar, iniciado em 1974, quando Nixon mandou Kissinger chancelá-lo.
Com duração de 50 anos, o contrato/acordo encerrou em 2024.
De lá para cá, a Arábia Saudita já vem negociando petróleo com a China em moeda chinesa, o yuan, e não mais via petrodólar.
Agora, com o fechamento de Ormuz, materializa-se o que Washington sempre temeu: o fim do petrodólar, que representava aval indispensável ao dólar em sua hegemonia global.
Os foguetes que o mercado está soltando de satisfação significam o funeral do petrodólar, mas implicam, concomitantemente, fragilidade americana para continuar expandindo dívida pública como riqueza primitiva para continuar abastecendo a indústria de guerra.
A contradição está no ar: a indústria de guerra, que depende do petrodólar para continuar, especulativamente, sustentando a economia americana, afoga-se no Estreito de Ormuz.
FOTO: Estreito de Ormuz | Reprodução/Google Maps
FONTE: https://www.brasil247.com/blog/trump-joga-a-toalha-e-petrodolar-se-afunda-no-estreito-de-ormuz