Eleição contrapõe alinhamento a Washington e projeto nacional.
Javier Milei, presidente argentino, vem ao Brasil no próximo dia 25, data da Convenção Nacional do PL, a ser realizada em São Paulo, para apoiar o lançamento da candidatura do senador Flávio Bolsonaro à presidência da República.
No mesmo dia, segue para Brasília, onde encontra com o ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar, cumprindo pena de 27,3 anos de detenção por ter tentado dar golpe de Estado contra democracia brasileira.
A estratégia do presidente argentino, que é a mesma do bolsonarismo tupiniqueim, isto é, vender de graça a soberania nacional para os Estados Unidos, em total rendição ao imperialismo, sintoniza-se com a do seu maior aliado, o presidente americano Donald Trump, em cruzada imperial de ultra direita fascista, na América Latina.
É a forma imperial de dar cumprimento a sua Doutrina “Donroe”, cujo objetivo é o de virar muralha norte-americana contra as pretensões de expansão econômica da China no continente sul-americano.
Trump, desse modo, procura quebrar a espinha dorsal do BRICS, no qual o peso do Brasil, como país continente, é decisivo, anulando a geopolítica chinesa pró-latinoamericana, enquanto segue seu projeto neocolonial de ocupar o espaço territorial, ampliando exploração das terras raras e do petróleo continental.
Nesse sentido, segue firme a parceria dos capitais petrolíferos e das big techs na região.
A primeira ocorre entre petroleiras americanas, que já influem, decisivamente, na dominação sobre a Venezuela, na intenção de transformá-la em protetorado americano, bem como expansão da influência de Washington, no destino da Petrobrás.
A estatal petroleira nacional, atualmente, sob pressão dominante de acionistas privados multinacionais, volta-se à intensificação das concessões de exploração da bacia petrolífera nacional, pelo capital internacional.
Ao mesmo tempo, amplia-se, conjuntamente, sob coordenação de Washington, a ação das big techs, americanas, no campo da Inteligência Artificial, para exploração das terras raras.
ESTRATÉGIA NEOCOLONIAL NA AMÉRICA DO SUL
Trata-se de objetivar o jogo estratégico da gigante da IA, Palantir, a partir de Buenos Aires, sob comando do seu gestor maior, amigo de Trump, Peter Thiel, onde adquiriu um palacete de 12 milhões de dólares, para atuar ao lado do presidente Miley.
Todo o esforço, nessa linha, ganha maior dimensão, caso Washington, sob domínio do imperador da Casa Branca, conseguir interferir nas eleições, no Brasil, em outubro, revertendo seu resultado em favor do Bolsonarismo fascista, como acaba de acontecer, no Peru, com eleição de Keiko Fujimori, e na Colômbia, com vitória do superfascista Spriela, este com ajuda dos órgãos de inteligência de Israel, segundo denuncia do derrotado presidente Gustavo Petros.
Os governos de ultradireita, que já dominam o subcontinente, na Argentina, no Chile, na Bolívia, no Peru, na Colômbia, no Equador, estendendo-se, na América Central, a El Salvador etc, são as bases de dominação política dos Estados Unidos.
Aí instalados, darão sequência à cruzado neocolonial continental, tentando colocar de joelhos a esquerda liberal, cujo projeto econômico tem se alinhado ao neoliberalismo, favorável aos interesses americanos, desde o Consenso de Washington, nos anos de 1990.
O modelo neoliberal washingtoniano para a América Latina está a todo o vapor por meio de políticas monetárias ultra-restritivas, anti-desenvolvimentistas, que já estão sendo praticadas, prometendo ser ainda mais ampliadas, por meio dos bancos centrais, alinhados à estratégia do FED americano.
No Brasil, por exemplo, está já previsto para entrar em funcionamento, a partir de de 1º de outubro, Resolução BCB nº 575 do Banco Central, que promove uma abertura cambial irrestrita, objetivando facilitar dolarização e internacionalização da economia, segundo o economista Paulo Kliass, especialista doutorado em gestão pública.
A norma autoriza empresas e exportadores a manterem recursos em moeda estrangeira e converterem reais sem necessidade de controle pela autoridade monetária.
LIVRE-CAMBISMO X SOBERANIA NACIONAL EM DISPUTA ELEITORAL
Na prática, o livre-cambismo entra em cena, para facilitar a ação do capital internacional na economia brasileira, dolarizando-a, para facilitar a ação das multinacionais, nessa nova fase da exploração colonial pretendida por Trump, na exploração do petróleo e das terras raras.
Os governos de ultradireita têm papel fundamental a desempenhar nesse novo ciclo de neocolonização americana, favorecido, por sua vez, por meio de estratégia econômica, amplamente,dominada pela restrição fiscal, cujo fim último é o de intensificar, como tem acontecido, a financeirização econômica neoliberal.
A salvação nacional, nesse contexto de entreguismo programado pelos aliados políticos do trumpismo, comandados, no Brasil, pelo bolsonarismo fascista, seria a vitória lulista, em outubro, com a bandeira da soberania nacional, amplamente atacada por Flávio Bolsonaro.
Etapa decisiva dessa luta está sendo a resistência nacionalista do presidente Lula ao protecionismo trumpista, que joga com o tarifaço de até 37,5% sobre as exportações brasileiras, algo em processo de decisão para ser concluído até final deste mês.
Assim, a luta eleitoral se dará, essencialmente, entre entreguismo pró-Washington, abraçado pelos bolsonaristas, e o lulismo, alinhado ao nacionalismo.
Indiscutivelmente, a democracia brasileira está sob intenso ataque imperialista trumpista.
FOTO: The White House
FONTE: https://www.brasil247.com/blog/trump-manda-milei-ao-brasil-para-apoiar-fascismo-bolsonarista/#google_vignette