Um churrasco na lancha com Flávio Bolsonaro, lobistas e garotas de programa durante a pandemia.
Reportagem da revista Piauí revelou que o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, participou de um passeio de lancha no Lago Paranoá, em Brasília, em 17 de julho de 2020, no auge da pandemia de Covid-19.
Segundo a revista, estavam a bordo empresários interessados em negociar com o governo Jair Bolsonaro, três garotas de programa e Alexandre Santini, amigo e ex-sócio de Flávio em uma franquia da Kopenhagen.
O passeio foi organizado por Danilo Trento e Francisco Maximiano, diretor e dono da Precisa Medicamentos, empresa que representava o laboratório indiano Bharat Biotech na venda da vacina Covaxin ao Brasil.
O grupo chegou a Brasília em um jatinho fretado na noite de 16 de julho. Naquele momento, o país já somava mais de 76 mil mortos pela Covid.
De acordo com a apuração, baseada em relato de uma pessoa que estava na lancha, quebras de sigilo e registros de voos, Trento tirou um Rolex do próprio pulso e o entregou a Flávio ao fim do encontro.
A revista também relata que o senador desceu à cabine da embarcação acompanhado de uma das garotas.
Três meses depois, Flávio intermediou uma reunião virtual entre Maximiano e o então presidente do BNDES, Gustavo Montezano, para apresentar uma proposta na área de telecomunicações.
Na época, o senador afirmou não ter relação comercial ou financeira com o empresário.
A Precisa esteve no centro das suspeitas investigadas pela CPI da Pandemia. O contrato da Covaxin previa cerca de R$ 80 por dose, enquanto a Pfizer oferecia sua vacina por cerca de R$ 56 e a AstraZeneca, por cerca de R$ 18.
Na CPI, Flávio chegou a parabenizar a diretora da Precisa Emanuela Medrades por ter “batalhado para que fosse economizado dinheiro público”.
O contrato foi cancelado antes de qualquer pagamento, após denúncias de irregularidades. O relatório final da CPI recomendou o indiciamento de Flávio, Trento e Maximiano, entre outras 75 pessoas.
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