Vendas de carros crescem acima das expectativas no 1º semestre de 2026 com avanço de 18,4% e revisão das projeções do setor automotivo no Brasil impulsionadas por maior concorrência e crédito mais acessível.
247 – A venda de carros avançou acima das expectativas no 1º semestre de 2026, com alta de 18,4% e revisão de projeções do setor automotivo no Brasil, impulsionado por concorrência chinesa, estímulos fiscais e novas linhas de crédito que aqueceram o mercado automotivo brasileiro no período, relata a Folha de São Paulo.
De acordo com os números consolidados, foram comercializadas 1,42 milhão de unidades entre janeiro e junho, considerando automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões, o que representa crescimento de 18,4% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado surpreendeu entidades como a Anfavea e a Fenabrave, que já trabalham na revisão de suas projeções para o ano.
Um dos principais fatores para a expansão das vendas em um cenário de juros elevados no financiamento foi o avanço das marcas chinesas no mercado brasileiro. A maior competitividade em diferentes faixas de preço levou montadoras a ampliarem descontos, valorizarem veículos usados na troca e oferecerem planos de pagamento mais acessíveis, com subsídios em algumas operações.
A participação dessas empresas atingiu patamar recorde. Segundo levantamento da consultoria Bright, 19,7% das vendas de veículos em junho foram de marcas chinesas, o maior nível já registrado até agora, com tendência de crescimento contínuo. Nesse contexto, o BYD Dolphin Mini manteve liderança no varejo, com 5.143 unidades emplacadas apenas em junho.
No acumulado do ano, a BYD aparece na quarta colocação entre as montadoras, com 107,4 mil veículos comercializados. O volume já se aproxima do desempenho total registrado pela marca ao longo de 2025, quando somou 112,8 mil emplacamentos, reforçando a rápida expansão da fabricante no país.
Outro elemento que contribuiu para o bom desempenho do setor foi o programa Carro Sustentável, que segue estimulando a venda de modelos compactos zero-quilômetro com isenção de IPI, desde que atendam critérios de emissões e conteúdo nacional. A política ajudou a sustentar a demanda mesmo em um ambiente de crédito mais restritivo.
O comportamento do mercado também mostrou mudança na estrutura das vendas. Mais da metade dos emplacamentos no primeiro semestre ficou concentrada no varejo, ou seja, em compras feitas por pessoas físicas, enquanto as vendas diretas seguem relevantes, especialmente puxadas pelo setor de locação de veículos.
Em regiões específicas, Minas Gerais voltou a liderar os registros de veículos no país em junho, influenciada pela forte presença de empresas do setor de locação, como a Localiza, que tem no estado sua sede e grande operação nacional.
Para o segundo semestre, há expectativa de manutenção do ritmo positivo com a entrada do programa Move Brasil, lançado em 19 de junho. A iniciativa permite financiamento de veículos com taxas reduzidas para motoristas de aplicativos e taxistas, o que pode ampliar a demanda por automóveis novos.
Por outro lado, o setor também monitora fatores de risco, como o aumento do Imposto de Importação para carros híbridos e elétricos. Desde 1º de julho, a alíquota foi recomposta para 35%, igualando-se ao patamar aplicado a veículos de países sem acordos comerciais com o Brasil, o que pode impactar o ritmo de crescimento das importações nesse segmento.
FOTO: Ricardo Stuckert/PR
FONTE: https://www.brasil247.com/industria/vendas-de-carros-crescem-acima-das-expectativas-no-1o-semestre-de-2026/