Líderes de China e Rússia destacam parceria econômica e energética durante encontro em Pequim, em meio à guerra na Ucrânia e tensões no Oriente Médio.
247 – O presidente da China, Xi Jinping, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, reafirmaram nesta terça-feira (20) a parceria estratégica entre os dois países, classificando a relação bilateral como “inabalável” diante das turbulências internacionais. O encontro ocorreu em Pequim, em meio ao agravamento das tensões geopolíticas globais e ao avanço da guerra na Ucrânia.
As informações foram publicadas originalmente pela AFP. Durante a reunião no Grande Salão do Povo, sede do governo chinês na capital do país, Xi recebeu Putin com um aperto de mão caloroso diante das escadarias do edifício oficial, em um gesto de proximidade política entre as duas potências.
Para Moscou, o cenário de instabilidade no Oriente Médio abriu novas possibilidades econômicas e estratégicas para o setor energético russo. A Rússia foi, em 2023, o terceiro maior produtor mundial de petróleo e o segundo maior produtor de gás natural, segundo dados da Agência Internacional de Energia (AIE).
Rússia aposta em energia para ampliar influência
Ao comentar o contexto internacional, Putin destacou o papel da Rússia como fornecedora de energia em meio à crise global. “Em um contexto de crise no Oriente Médio, a Rússia mantém sua condição de fornecedora confiável de recursos”, declarou o presidente russo.
O Kremlin também busca avançar em um projeto considerado prioritário para o país: o gasoduto “Força da Sibéria 2”. A infraestrutura é estratégica para Moscou porque permitiria ampliar o envio de gás natural ao mercado chinês, em um momento em que os países europeus reduziram drasticamente a compra de hidrocarbonetos russos após a invasão da Ucrânia.
Apesar da relevância econômica e geopolítica do empreendimento, a concretização do projeto segue indefinida. Segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, houve “avanços” nas negociações entre Moscou e Pequim, mas ainda não foi firmado um acordo definitivo sobre o gasoduto.
China mantém posição sobre guerra na Ucrânia
A declaração conjunta divulgada após o encontro também abordou a guerra na Ucrânia. O documento registra a avaliação “positiva” da Rússia sobre a postura adotada pela China em relação ao conflito.
Segundo o texto, Moscou considera “objetiva e imparcial” a posição chinesa sobre a guerra, embora Pequim continue tentando manter um discurso de neutralidade diante do confronto iniciado pela invasão russa do território ucraniano.
A China se consolidou nos últimos anos como um dos principais parceiros comerciais da Rússia, especialmente após o endurecimento das sanções econômicas impostas pelos países ocidentais contra Moscou. O mercado chinês tornou-se fundamental para a exportação de energia russa e para a sustentação da economia do país.
Parceria entre Moscou e Pequim ganha dimensão global
A aproximação entre Xi Jinping e Vladimir Putin ocorre em um momento de reconfiguração das alianças internacionais, marcado pelo aumento das tensões entre China e Estados Unidos e pela continuidade da guerra na Ucrânia.
Nos últimos anos, Rússia e China ampliaram a cooperação em áreas como energia, comércio, defesa e diplomacia, fortalecendo uma relação estratégica que ambos os governos apresentam como alternativa à influência das potências ocidentais no cenário internacional.
Durante o encontro em Pequim, o clima amistoso entre os dois líderes buscou demonstrar unidade política em meio às disputas geopolíticas globais e aos impactos econômicos provocados pelos conflitos internacionais.
FOTO: Kremlin
FONTE: https://www.brasil247.com/mundo/xi-e-putin-reforcam-alianca-estrategica-inabalavel-em-meio-a-crises-globais