Como é que o continente com as terras mais ricas, férteis e abundantes do planeta é o mesmo onde o povo é sistematicamente condenado a passar fome?
Olha para a realidade de países como Angola ou Moçambique. São milhões de hectares de terra virgem, água em abundância e um sol que brilha todo o ano, mas a verdade oculta é que estes países importam quase tudo o que a sua população mete no prato. Isto não é um acaso, não é falta de sorte e muito menos incompetência natural. Isto é o resultado de um plano económico frio e desenhado ao pormenor pelas elites globais para destruir a soberania alimentar de todo um continente.
Sob o silêncio cúmplice dos governos, está a acontecer um saque silencioso a que chamam de transferência de terras. Mega-corporações estrangeiras compram fatias gigantescas de solo fértil africano para plantar produtos de exportação, enquanto os pequenos agricultores locais são expulsos das suas próprias terras ancestrais. Sem terra para plantar a sua própria semente pura e sem acesso à água, o povo é empurrado para os mercados da cidade, onde é obrigado a comprar pacotes de comida processada e importada a preços absurdos.
Esta é a forma mais eficaz e cruel de colonização moderna. Eles já não precisam de exércitos ou tanques de guerra para escravizar um povo quando podem simplesmente controlar a boca de quem tem fome. Um país que não consegue produzir o que come nunca será verdadeiramente livre. Se o pão que alimenta os teus filhos depende de um navio que vem de fora, tu não és soberano, és um refém do sistema financeiro internacional.
A fome em África nunca foi uma questão de falta de terra, mas sim uma arma geopolítica de controlo em massa. Quando a inflação dispara e o preço do arroz e da farinha duplica do dia para a noite, o laço aperta-se no pescoço daqueles que se poderiam revoltar. Um pai de família que não sabe se terá um prato de comida para dar aos filhos hoje à noite não tem tempo, força ou clareza mental para questionar os abusos do sistema. Ele está ocupado demais a tentar sobreviver mais um dia.
Está na hora de acabar com a farsa histórica do continente pobre e coitadinho que precisa de esmolas externas. África tem tudo o que precisa para alimentar o seu próprio povo e o mundo, mas foi desarmada de propósito. A fome deles é fabricada porque um povo bem alimentado e forte é um povo impossível de controlar.
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