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Agência indica 95% de chance de El Niño muito forte até dezembro

A nova projeção, divulgada nesta quinta-feira (13), representa uma revisão significativa em relação ao boletim anterior da NOAA.

247 – A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) elevou para 95% a probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026, em meio ao avanço acelerado do aquecimento das águas do Pacífico Equatorial. Para o período entre dezembro e fevereiro, já durante o verão no Hemisfério Sul, a agência calcula em 90% a possibilidade de o fenômeno permanecer muito intenso. As informações são do g1.

A nova projeção, divulgada nesta quinta-feira (13), representa uma revisão significativa em relação ao boletim anterior da NOAA, publicado em 9 de julho. Naquela ocasião, a estimativa de ocorrência de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro era de 81%.

Além da elevada probabilidade de forte intensidade nos próximos meses, os modelos climáticos indicam que o episódio atual pode entrar para a lista dos maiores já observados desde meados do século passado. Segundo a NOAA, há 69% de chance de o evento ficar entre os mais intensos registrados desde 1950.

A revisão das projeções ocorre enquanto o aquecimento do Pacífico Equatorial ganha velocidade. Um dos principais indicadores acompanhados pelos meteorologistas, a região conhecida como Niño 3.4, apresentou uma alta expressiva na anomalia da temperatura da superfície do oceano.

Em julho, o índice semanal dessa região estava em aproximadamente 1,2°C acima da média. Na atualização das condições oceânicas publicada em 10 de agosto, a diferença já havia alcançado 1,8°C. Isso representa um aumento de 0,6°C na anomalia em cerca de um mês.

O nível de 1,8°C já é considerado compatível com um El Niño de forte intensidade em classificações utilizadas por serviços meteorológicos como a Climatempo. A NOAA, porém, vinha adotando uma avaliação mais cautelosa e descrevendo o fenômeno como um episódio em processo de fortalecimento.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico na região equatorial. O fenômeno faz parte do chamado ENOS, sigla para El Niño-Oscilação Sul, sistema climático que também inclui a La Niña, marcada pelo resfriamento dessas mesmas águas.

De maneira geral, considera-se configurada uma condição de El Niño quando a temperatura da superfície do Pacífico Equatorial permanece pelo menos 0,5°C acima da média por um período determinado, acompanhada por alterações persistentes na circulação atmosférica.

A intensidade final do episódio de 2026 dependerá não apenas do aquecimento do oceano, mas também da resposta da atmosfera. Para que o fenômeno se consolide em níveis muito elevados, oceano e atmosfera precisam atuar de forma conjunta e persistente durante os próximos meses.

As projeções atuais indicam que o auge do fenômeno pode ocorrer entre novembro e janeiro. Esse período coincide com a primavera e o início do verão no Brasil, estações em que os efeitos do El Niño podem ganhar maior relevância para o regime de chuvas e para as temperaturas.

No Sul do país, episódios de El Niño costumam favorecer volumes maiores de precipitação. Em situações de maior intensidade, o padrão pode elevar a probabilidade de temporais, enchentes e outros eventos extremos associados ao excesso de chuva.

No Norte e em áreas do Nordeste, a tendência histórica é oposta. O fenômeno pode reduzir os volumes de chuva e ampliar o risco de períodos prolongados de seca, especialmente quando combinado a temperaturas elevadas.

Sudeste e Centro-Oeste apresentam comportamento mais irregular. Nessas regiões, o El Niño pode favorecer períodos de calor mais frequentes, chuvas distribuídas de forma desigual e alterações na passagem e na intensidade das frentes frias.

O fenômeno também exerce influência sobre a temperatura média global. Em anos de El Niño intenso, o calor acumulado no Pacífico pode contribuir para elevar ainda mais as temperaturas do planeta, somando-se aos efeitos de longo prazo do aquecimento global.

A preocupação dos climatologistas é ampliada pelo fato de que os atuais episódios de El Niño acontecem em um planeta que já apresenta temperaturas médias superiores às registradas em décadas anteriores. Nesse contexto, até eventos considerados fracos ou moderados podem contribuir para intensificar extremos climáticos.

Entre os episódios recentes, o El Niño de 2014 a 2016 foi classificado como muito forte e esteve associado a recordes globais de temperatura. Entre 2023 e 2024, o planeta voltou a registrar um El Niño forte, também acompanhado por marcas históricas de calor.

Outros eventos ocorreram entre 2006 e 2007, classificados entre fracos e moderados; entre 2009 e 2010, com intensidade moderada; e entre 2018 e 2019, quando o fenômeno foi mais curto e apresentou efeitos mais limitados.

Além das mudanças nas chuvas e na temperatura, episódios intensos de El Niño podem afetar diferentes setores da economia e da sociedade. Alterações no regime de precipitações têm potencial para influenciar a agricultura, a disponibilidade de água, o risco de incêndios e a geração de energia, dependendo da região atingida.

No Brasil, uma das principais preocupações para os próximos meses é a possibilidade de uma combinação entre períodos prolongados de calor e distribuição irregular das chuvas. No Sul, por outro lado, o aumento das precipitações pode exigir atenção para a ocorrência de eventos meteorológicos extremos.

A NOAA continuará acompanhando a evolução das temperaturas do Pacífico e o comportamento da atmosfera para atualizar as projeções de intensidade e duração do fenômeno. Com a anomalia da região Niño 3.4 já em 1,8°C e a probabilidade de um El Niño muito forte chegando a 95%, os próximos meses serão decisivos para determinar a dimensão do episódio climático de 2026.

Foto: Divulgação/SEMA-MT

FONTE: https://www.brasil247.com/meio-ambiente/agencia-indica-95-de-chance-de-el-nino-muito-forte-ate-dezembro/