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Governo articula plano regionalizado de resposta e prevenção ao El Niño

Estratégia integrada coordenada pela Casa Civil mapeia riscos específicos para cada região do país e articula ações de prevenção e emergência.

247 – A Sala de Situação sobre o El Niño realizou sua terceira reunião de trabalho com o objetivo de atualizar cenários climáticos e organizar medidas de preparação regionalizadas diante dos diferentes impactos do fenômeno previstos para os próximos meses no país. A estratégia é desenvolvida de forma regionalizada e em parceria com Estados e municípios, definindo providências conforme os riscos identificados em cada área do território nacional: cenários de estiagem nas regiões Norte e Nordeste, chuvas intensas no Sul e temperaturas elevadas no Sudeste e Centro-Oeste.

Coordenado pela Casa Civil, o encontro reuniu órgãos federais que atuam nas áreas de meteorologia, recursos hídricos, defesa civil, saúde, segurança alimentar, energia e infraestrutura. Os dados fundamentais utilizados na avaliação dos riscos foram apresentados pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

Monitoramento contínuo e riscos por região

Segundo as análises do Inmet, as temperaturas das águas do Oceano Pacífico permanecem acima da média histórica. A evolução desse aquecimento continuará sob acompanhamento permanente para avaliar a intensidade do El Niño e seus possíveis efeitos sobre o Brasil. Para a Região Sul, as previsões de curto prazo indicam volumes elevados de chuva, que podem atingir acumulados de até 200 milímetros em um período de apenas sete dias em algumas áreas.

O monitoramento climático será atualizado continuamente pelas equipes governamentais. As informações e dados de curto prazo serão utilizados para identificar e responder prontamente a situações que demandem resposta imediata, enquanto as tendências projetadas para os meses seguintes servirão como referência para o planejamento estratégico de medidas preventivas.

Complementando o diagnóstico, a ANA apresentou informações georreferenciadas relativas a recursos hídricos, reservatórios e áreas com necessidade de acompanhamento específico. Esse levantamento deve apoiar diretamente a definição de ações direcionadas às condições observadas em cada localidade do país.

Oficinas da Defesa Civil e ações de segurança alimentar

Como parte das medidas preparatórias, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil já realizou oficinas de preparação em dez estados no âmbito do Plano Nacional de Enfrentamento à Estiagem Amazônica e Pantanal. As atividades reuniram gestores locais para organizar informações, definir responsabilidades e estruturar fluxos de atuação em situações de emergência, garantindo uma resposta adequada às particularidades de cada território.

Nas áreas do país sujeitas à estiagem severa e ao consequente risco de isolamento de comunidades, estão em preparação ações focadas no abastecimento de água e na segurança alimentar. O planejamento dedica atenção especial às populações mais vulneráveis, como ribeirinhos, indígenas e quilombolas. Entre as iniciativas previstas estão os instrumentos do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e a atuação da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Medidas nas áreas de logística, energia e saúde

Nas frentes de energia e logística, o governo avalia medidas para a antecipação de estoques de combustíveis em localidades estratégicas e corredores logísticos que possam ser prejudicados pela redução dos níveis dos rios.

Já na área da saúde pública, o acompanhamento considera o risco de aumento da circulação de arboviroses — tais como dengue, zika e chikungunya —, além dos efeitos diretos decorrentes de eventos climáticos extremos. Como parte das ações de preparação, destaca-se a descentralização de bases da Força Nacional do SUS em Manaus, Belém e Porto Velho. O plano inclui ainda o estabelecimento de procedimentos para o atendimento a municípios em situação de emergência, a preparação de kits de saúde e o acompanhamento preventivo específico nos distritos sanitários indígenas.

A partir da consolidação dos cenários apresentados na Sala de Situação, as equipes dos diversos órgãos envolvidos manterão articulação constante com os governos estaduais e municipais. O objetivo central é a contínua atualização dos planos regionais de prevenção e resposta, assegurando providências céleres e adequadas às realidades de cada território.

FOTO: Marcela Bonfim/Amazônia Real

FONTE: https://www.brasil247.com/meio-ambiente/governo-articula-plano-regionalizado-de-resposta-e-prevencao-ao-el-nino/?utm_source=facebook&utm_medium=jetpack_social