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Andrei disse que seu afastamento visa ‘retardar’ investigações sobre Dark Horse e interferir nas eleições

Andrei também alegou que a decisão de Mendonça atingia o interesse público na “preservação da normalidade institucional e no regular funcionamento da PF”.

247 – O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (9) a reintegração imediata de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal. A decisão suspende, na prática, o afastamento determinado na terça-feira (8) pelo ministro André Mendonça no inquérito que apura se recursos de emendas parlamentares foram usados para financiar o filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Andrei recorreu a Dino argumentando que seu afastamento poderia retardar a investigação sobre o longa-metragem e ainda repercutir no processo eleitoral deste ano. O ministro acolheu o pedido e também determinou o retorno do delegado Leandro Almada ao comando da Diretoria de Inteligência da PF, cargo do qual ele também havia sido afastado por Mendonça.

No recurso, Andrei sustentou que sua retirada da direção-geral da corporação interferiria diretamente na organização da equipe responsável pelas apurações. O argumento ganhou peso porque a Polícia Federal recebeu recentemente arquivos do inquérito conduzido pela Polícia Civil de São Paulo, que em junho recolheu documentos e aparelhos de pessoas ligadas à produção do filme.

Ao aceitar o pedido, Dino afirmou que a permanência do afastamento poderia prejudicar a atuação da PF em procedimentos urgentes. “O seu afastamento do cargo de Diretor-Geral interfere na organização da equipe responsável pelas investigações, retarda o acesso ao material disponibilizado e compromete a atuação célere da instituição”, escreveu o ministro.

Andrei também alegou que a decisão de Mendonça atingia o interesse público na “preservação da normalidade institucional e no regular funcionamento da PF”, especialmente em meio ao calendário eleitoral. Dino registrou que a medida poderia produzir “danos irreparáveis” e “possui potencial para repercutir sobre as instituições democráticas e sobre investigações em curso”.

A decisão de Dino tem efeito imediato por ser posterior à de Mendonça. No despacho, o ministro afirmou que a medida era necessária para evitar prejuízos a processos sob sua relatoria. “Com o objetivo de impedir a produção de danos irrepáráveis a processos submetidos à minha relatoria, defiro a tutela provisória para determinar ao Exmo presidente da República, autoridade competente para nomeação do diretor-geral da Polícia Federal, que assegure a imediata reintegração de Andrei Augusto Passos Rodrigues”, escreveu.

O caso envolve a investigação sobre a possível utilização de dinheiro de emendas parlamentares no financiamento de “Dark Horse”, filme que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro. A apuração passou a ganhar nova dimensão após a chegada, à PF, do material reunido pela Polícia Civil paulista, incluindo documentos e equipamentos apreendidos com pessoas associadas à produção.

Com a decisão, Andrei Rodrigues volta ao comando da Polícia Federal e Leandro Almada reassume a Diretoria de Inteligência. O despacho de Dino representa uma reação direta ao afastamento imposto por Mendonça e mantém sob a estrutura atual da PF a condução de apurações consideradas sensíveis pelo ministro, inclusive pela possibilidade de impacto institucional e eleitoral.

FOTO: Andressa Anholete/Agencia Senado

FONTE: https://www.brasil247.com/brasil/andrei-disse-que-seu-afastamento-visa-retardar-investigacoes-sobre-dark-horse-e-interferir-nas-eleicoes/