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As Forças Armadas e a interferência de Trump e big techs na eleição

“Os próximos 49 dias até 4 de outubro serão decisivos para a sobrevivência da democracia na guerra cibernética de Trump e big techs para tentar impedir a reeleição do presidente Lula e golpear a democracia”.

É crescente no debate público e nos círculos políticos a percepção de que as eleições no Brasil são alvo da interferência do governo Trump através de big techs e de agências de inteligência e espionagem no marco de uma guerra cibernética para impedir a reeleição do Lula.

Trump entende que o pleito de outubro próximo no Brasil é o seu “próximo grande teste” para ampliar a influência dos EUA na América Latina e para o ressurgimento conservador na região.

Os EUA passaram das palavras à ação, e operam no Brasil o mesmo padrão de interferência nas eleições de outros países com big techs, inteligência artificial, e entorpecimento das plataformas digitais com deepfakes, condicionamento de algoritmos, desinformação, notícias falsas, mentiras.

O complexo desafio de defender o Brasil dessa ameaça torna a situação muito preocupante, pois a defesa cibernética nacional está na alçada das Forças Armadas, que comandam os órgãos mais vitais da área.

“O Exército Brasileiro mergulhou de cabeça no ‘submundo’ das mídias sociais, e se tornou o órgão público com maior influência no mundo digital no Brasil” afirmou na sua posse como porta-voz de Bolsonaro o general Rêgo Barros, que ocupou a chefia da Comunicação do Exército na gestão do general-conspirador Villas Bôas.

Até mesmo as instâncias civis com mandato institucional para atuação em cibersegurança e defesa cibernética, como o Gabinete de Segurança Institucional e o Comitê Nacional de Cibersegurança, são presididos por militares do Exército [ver aqui].

Caso as Forças Armadas sigam o que preconiza o ministro da Defesa Múcio Monteiro, de “abrir o portão” se os EUA invadirem nosso país, a “invasão cibernética” escalará a níveis incontroláveis, fraudando a vontade popular, bombardeada por notícias falsas, mentiras, desinformação e deepfakes, e golpeando a democracia.

É uma realidade preocupante, sobretudo porque não é seguro confiar que as cúpulas militares que historicamente conspiraram contra a democracia e encabeçaram a tentativa de golpe em 2022 tenham agora se convertido à legalidade e ao profissionalismo e abandonado a politização dos quartéis desde a perspectiva bolsonarista e antipetista.

Não se trata de teoria de conspiração, mas de uma conspiração real, que se materializa na associação da extrema-direita entreguista com o trumpismo.

O governo Donald Trump não só proclama com todas as letras as doutrinas fundacionais da geopolítica intervencionista e imperialista dos EUA no hemisfério americano e no mundo –Monroe [América para os americanos], de 1826; e Destino Manifesto, de 1845–, como as traduz interferindo nas soberanias nacionais – em alguns casos por meio de operações militares, como Venezuela e Irã.

Desde o início do seu segundo mandato, em janeiro de 2025, Trump assumiu que priorizaria influenciar os processos eleitorais dos países latinoamericanos através do Departamento de Estado, da CIA, big techs e, também, abrindo o caixa do Tesouro com promessas financeiras a aliados ideológicos de extrema-direita.

Cynthia Arnson, da Universidade Johns Hopkins, identifica que “o governo Trump e o próprio presidente colocaram seu dedo na balança para influenciar os resultados eleitorais e os processos políticos em nível sem precedentes desde o final da Guerra Fria”.

Uma onda conservadora, ultradireitista e reacionária avançou de modo considerável na região no último biênio.

Começou com a reeleição fraudulenta de Daniel Noboa no Equador em abril de 2025 e seguiu com a reviravolta de expectativas e a vitória legislativa inesperada de Milei em outubro, fator chave para garantir a governabilidade do servil “vice-reinado dos EUA” no continente sulamericano.

O avanço do extremismo seguiu com manipulação e fraudes em Honduras, que culminou com as vitórias, em dezembro, de Nasry “Tito” Asfura, o candidato de Trump; e com a eleição de José Antonio Kast no Chile – neste caso, contudo, devido ao fracasso do governo Boric.

O ano de 2026 iniciou com a eleição de Laura Fernandez, a “Bukele da Costa Rica”, em janeiro; e prosseguiu com as vitórias em junho da extremista Keiko Fujimori, no Peru, que dispensa apresentações; e de Abelardo de la Espriella na Colômbia, um híbrido de Milei e Bukele.

Em Cuba os EUA combinam a asfixia mortal através da restrição de fornecimento de combustíveis, com uma força-tarefa secreta da CIA para provocar instabilidade, caos e mudança de regime.

Os próximos 49 dias até 4 de outubro serão decisivos para a sobrevivência da democracia na guerra cibernética de Trump e big techs para tentar impedir a reeleição do presidente Lula e golpear a democracia.

O governo brasileiro, os partidos políticos, as instituições nacionais, a justiça –em especial a eleitoral– precisam construir uma reação que esteja à altura desse extraordinário desafio.

FOTO: Ricardo Stuckert/PR I Casa Branca

FONTE: https://www.brasil247.com/blog/as-forcas-armadas-e-a-interferencia-de-trump-e-big-techs-na-eleicao/