“Está, portanto, em cena, na batalha eleitoral, a luta de classes entre capital e trabalho”.
O encontro do presidente Lula com os representantes do capital financeiro, nesta segunda-feira, no Palácio da Alvorada, tratou basicamente de uma agenda antitrabalhador, prejudicial aos propósitos lulistas de alcançar o quarto mandato.
Os capitalistas presentes querem afirmar aquilo que foi prioridade na pauta da Globo em entrevistas com os candidatos, semana passada: relação dívida/PIB, objetivando conter gastos públicos sociais, para não aumentar a dívida pública, que está em 82% do PIB, bombeada pelos juros altos de curtíssimo prazo.
Trata-se de assunto controverso que coloca os trabalhadores com barbas de molho, pois todas as providências para resolver essa relação, conforme desejam os empresários, implicam contenção dos salários, do consumo, da produção, da arrecadação, dos investimentos, enfim, do desenvolvimento sustentável da economia.
Significa, sobretudo, atender às demandas dos capitalistas, não dos trabalhadores, na linha do engajamento dos candidatos da direita e ultradireita fascista bolsonarista.
Tal agenda, eleita prioritária, por exemplo, pela Globo, porta-voz do capital, é negativa do ponto de vista do trabalho.
Momento de tensão máxima
O assunto se intensifica, justamente, na semana decisiva, em que o Congresso se reúne, extraordinariamente, para decidir providências fundamentais para os interesses da população: aumento de salários e do emprego, expresso no debate pela aprovação da redução da jornada de trabalho de 6×1 para 5×2.
Outro assunto prioritário: o debate sobre as terras raras — eis o assunto que mexe com as relações do Brasil com o mundo, especialmente com os Estados Unidos, pois, afinal, somos o segundo maior detentor mundial dos minerais críticos, fundamentais para a industrialização de vanguarda, para a defesa nacional e para a inteligência artificial, que atrai a atenção geral.
Com as terras raras, está em jogo a soberania nacional.
Igualmente, interessa aos trabalhadores a remoção da chamada “Taxa das Blusinhas”, que favorece as pequenas e médias empresas, que dependem do consumo dos trabalhadores de renda média e baixa renda.
Esses setores econômicos estão prejudicados pela abertura comercial neoliberal, favorável aos produtos importados, beneficiados pelos juros altos, nocivos aos assalariados, que consomem a crédito, e à industrialização nacional.
Por fim, debate-se, para aprovação, a PEC da Segurança, proposta pelo presidente Lula, contra a qual a direita fascista se rebela.
Por quê?
Simples: a posição civilizatória de Lula coloca no comando do Estado o combate ao crime organizado, atualmente dominante no cenário político federativo, controlado por oligarquias econômicas e financeiras reacionárias, que financiam os candidatos da direita e ultradireita, favorecidas pelas emendas parlamentares, aprovadas por orientação neoliberal, no Legislativo.
As posições do governo estão claras, sintonizadas com pauta desenvolvimentista: mais emprego, mais renda, mais arrecadação, mais investimentos, para aumentar a oferta de produção diante do aumento da taxa de emprego e dos salários médios, para, sobretudo, equilibrar a demanda, a fim de controlar os preços, evitando tensões inflacionárias.
A pauta em votação no Congresso, em caráter extraordinário, mediante negociação do presidente com os líderes do Legislativo, é, portanto, oposta à prioridade contida na pauta da Globo, apresentada aos candidatos em disputa como se fosse prioridade dos trabalhadores, contrários aos cortes de gastos públicos para segurar a inflação nos termos do arcabouço neoliberal.
Pauta neoliberal anti-Lula
O essencial, que agradou os banqueiros no encontro com o presidente, foi, certamente, o anúncio de que a economia, em 2027, registrará superávit primário próximo de R$ 20 bilhões.
Isso significa que, entre receita e despesa orçamentárias, os cofres públicos terão a menos perto de 0,3% do PIB para aplicar no desenvolvimento, a fim de pagar juros da dívida pública, já nas alturas de 82% do PIB, a exigir desembolso superior a R$ 1 trilhão em custos financeiros, meramente especulativos.
Ou seja, os setores econômicos do governo apresentaram aos credores uma agenda mais voltada ao antidesenvolvimentismo neoliberal do que ao desenvolvimento sustentável, ao qual se filia o lulismo progressista.
Encontro decisivo com os trabalhadores
Agora, depois de se encontrar com os representantes do capital, o presidente Lula, certamente, se reunirá com o outro lado: os trabalhadores.
Trata-se de equilibrar os interesses entre capital e trabalho, em pleno jogo eleitoral, onde são disputados os interesses de classe.
Essa tarefa já está em curso, de forma extraordinária, nesta semana, com a batalha pela aprovação, principalmente, da redução da jornada de trabalho.
Pragmaticamente, reduzir a jornada significa mais salário, mais desenvolvimento, mais saúde, mais educação e mais qualidade de vida para os trabalhadores.
Não é à toa que o maior adversário de Lula, o candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro, suspendeu suas viagens pelo país, em campanha, para ficar em Brasília, no Congresso, a fim de votar contra o fim da escala 6×1.
Está, portanto, em cena, na batalha eleitoral, a luta de classes entre capital e trabalho.
Lula, trabalho; Bolsonaro, capital.
Vencer essa batalha é mais do que meio caminho andado para o presidente alcançar o quarto mandato.
Os trabalhadores esperam por esse resultado, favorável a eles, a fim de colocar seu voto na urna contra o fascismo bolsonarista, antitrabalhador, e sua agenda política do atraso.
FOTO: Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil
FONTE: https://www.brasil247.com/blog/batalha-eleitoral-decisiva-da-luta-de-classes-no-congresso/