Associação Brasileira dos Jornalistas

Seja um associado da ABJ. Há 16 anos lutando pelos jornalistas

Brasil Sem Fome: plano tirou 26,5 milhões de pessoas da insegurança alimentar

Governo atribui resultado à integração de políticas sociais e econômicas que ajudaram o Brasil a sair do Mapa da Fome.

247 – O Plano Brasil Sem Fome foi decisivo para retirar cerca de 26,5 milhões de brasileiros da situação de insegurança alimentar grave entre 2023 e 2024, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

De acordo com o governo federal, a saída do Brasil do Mapa da Fome, confirmada em 2025 pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU), ocorreu em meio à retomada do crescimento econômico, à queda do desemprego, à valorização do salário mínimo e ao fortalecimento das políticas de proteção social.

A estratégia do Plano Brasil Sem Fome reúne ações de 24 ministérios integrados à Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan), em articulação com a sociedade civil. O objetivo é ampliar a renda das famílias mais vulneráveis e acelerar a redução da insegurança alimentar e nutricional em todo o país.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a insegurança alimentar grave atingia 3,2% dos domicílios brasileiros em 2024, o equivalente a 6,5 milhões de pessoas. O levantamento utiliza a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA).

A secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS, Valéria Burity, afirmou que a retomada das políticas públicas e da articulação institucional foi fundamental para os resultados alcançados.

“O Brasil Sem Fome nasce de um contexto crítico. Nos anos anteriores, o país havia registrado forte deterioração das condições de acesso à alimentação, com aumento da pobreza, desestruturação de políticas públicas e agravamento das desigualdades. Esse cenário levou ao retorno do Brasil ao Mapa da Fome e à ampliação da insegurança alimentar em todo o território nacional”, declarou.

Ela também destacou o papel da integração entre programas sociais e políticas econômicas.

“Mais do que um conjunto de ações isoladas, o plano organiza políticas públicas já existentes e novas iniciativas em uma lógica integrada, reconhecendo que a fome é resultado de múltiplos fatores: renda, acesso a alimentos, desigualdades e fragilidade das redes de proteção social”, afirmou.

O governo atribui parte dos resultados ao aperfeiçoamento do Bolsa Família a partir de 2023. O programa passou a garantir a manutenção parcial dos benefícios mesmo após aumento da renda familiar. Entre janeiro e outubro de 2025, cerca de 2 milhões de pessoas deixaram de receber o benefício após conquistarem autonomia financeira por meio do emprego e do aumento da renda.

Entre 2023 e 2025, o Bolsa Família alcançou, em média, 20,7 milhões de famílias, o equivalente a cerca de 54 milhões de pessoas. No período, os repasses somaram R$ 434,7 bilhões.

Programas complementares também contribuíram para a redução da fome, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), o Auxílio Gás — posteriormente transformado em Gás do Povo — e a política de valorização do salário mínimo. O controle da inflação dos alimentos também foi apontado como fator importante para preservar o poder de compra das famílias mais pobres.

No eixo voltado à produção e ao acesso à alimentação adequada, o governo ampliou o apoio à agricultura familiar por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Na safra 2023-2024, o programa realizou 1,7 milhão de operações, totalizando R$ 61,5 bilhões em crédito rural.

Outra iniciativa destacada foi o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Entre 2023 e 2025, o programa adquiriu mais de 339 mil toneladas de alimentos distribuídos para quase 17 mil organizações em todo o país. Segundo o governo, mais de 125 mil agricultores familiares participaram da iniciativa no período, com pagamento direto de R$ 1,72 bilhão às famílias produtoras.

O Plano Brasil Sem Fome também ampliou ações de acesso à água em regiões vulneráveis. O Programa Cisternas contratou, entre 2023 e 2025, a instalação de 185,2 mil tecnologias de acesso hídrico, incluindo cisternas para consumo familiar e sistemas de apoio à produção agrícola no Semiárido e na Amazônia.

No eixo de mobilização social, o fortalecimento do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) ampliou a adesão de municípios à política nacional de combate à fome. O número de cidades integradas ao sistema saltou de 536 no início de 2023 para 2.243 em abril de 2026.

O governo federal informou ainda que a segunda fase do Plano Brasil Sem Fome será concentrada na identificação e no atendimento direto das famílias que ainda vivem em situação de fome, priorizando regiões com maior concentração de vulnerabilidade social. A estratégia prevê integração entre o Sistema Único de Saúde (SUS), o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e o Sisan para ampliar o acompanhamento dessas famílias.

Foto: Sergio Amaral/Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social

FONTE: https://www.brasil247.com/economia/brasil-sem-fome-plano-tirou-26-5-milhoes-de-pessoas-da-inseguranca-alimentar