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Caged de maio decepciona e reforça aposta em corte de juros do Copom

Mercado passou a precificar com mais convicção um novo corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom.

O relatório do Caged mostra que foram criadas 72,9 mil vagas com carteira assinada em maio, o pior resultado para o mês desde 2020. É um sinal importante de desaceleração e enfraquecimento do mercado de trabalho formal.

Vale lembrar que o Caged registra apenas os empregos formais — cerca de 50 milhões de pessoas, de um total de 103 milhões de trabalhadores no país. O número ficou bem abaixo do esperado pelo mercado, que projetava 120 mil vagas.

Por conta disso, os juros longos caíram bastante ontem. O mercado passou a precificar com mais convicção um novo corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom, em agosto, levando a Selic de 14,25% para 14%. Esse dado do mercado de trabalho entra, assim, na conta da desaceleração econômica.

Os dados recentes têm sido contraditórios: por um lado, vimos uma série de indicadores de atividade um pouco melhores; por outro, o mercado de trabalho surpreendeu para baixo. Hoje mesmo saiu o dado do PMI da indústria, que segue em zona de expansão — outro indicador que reforça a coluna da atividade em ampliação. O cenário geral ainda é de expansão moderada da economia brasileira, mas o enfraquecimento do emprego pode pesar a favor de mais um corte de juros na reunião de agosto.

Depois da divulgação do Relatório de Política Monetária e da entrevista coletiva com esclarecimentos de Gabriel Galípolo e Paulo Picchetti, ficou mais claro o que está na cabeça do Banco Central. A grande questão agora é que o horizonte relevante da política monetária passa a mirar 2028 a partir da reunião de agosto — o que reforça a chance de um novo corte.

No câmbio, o mercado está um pouco mais estressado, com temores em torno de Kevin Warsh e da probabilidade de alta de juros nos Estados Unidos em agosto ou setembro. Isso explica o movimento recente de valorização do dólar. O DXY (índice do dólar frente a uma cesta de moedas de países ricos) está em sequência de alta desde a segunda quinzena de junho, operando acima de 100 pontos — hoje, em torno de 101,35.

Esse fortalecimento do dólar está ligado à perspectiva de alta de juros pelo Fed, motivada pelo choque de preços do petróleo. Apesar do cessar-fogo no Oriente Médio e de ainda haver alguns ataques pontuais na região, o petróleo vem cedendo e está cotado a US$ 71 — praticamente a mínima desde o início do conflito, em 28 de fevereiro deste ano.

Mesmo com essa perspectiva de queda do petróleo, o mercado segue preocupado, porque o estrago na inflação americana já foi feito: a inflação nos Estados Unidos corre acima de 3%. Kevin Warsh é visto como um dirigente mais hawk, mais duro no combate à inflação, e, desde que assumiu o Fed, o dólar vem se valorizando por conta dessa preocupação com juros mais altos por lá.

FOTO: Agência Brasil

FONTE: https://www.brasil247.com/blog/caged-de-maio-decepciona-e-reforca-aposta-em-corte-de-juros-do-copom/