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Candidatura de Flávio Bolsonaro deve ser impedida por crime de traição nacional, diz Marcelo Zero

Analista geopolítico afirma que promessa de colocar uma equipe de transição à disposição dos Estados Unidos representa renúncia à soberania brasileira.

247 – O analista geopolítico Marcelo Zero, que é também colunista do Brasil 247, defendeu que a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seja impedida, após a divulgação de uma carta do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, na qual é mencionada a “generosa oferta” do parlamentar brasileiro de colocar uma equipe de transição “à nossa disposição”, caso seja eleito presidente da República. Para Zero, a iniciativa representa um ato de renúncia à soberania nacional e configura um grave crime contra os interesses do país.

No documento, o secretário de Estado dos EUA agradece a oferta do senador e registra que ela seria colocada em prática “caso o senhor seja eleito”. Marcelo Zero argumenta que o conceito de governo de transição é completamente incompatível com a proposta atribuída ao senador brasileiro.

“Flávio Tarifário ofereceu time de transição aos EUA, caso vença a eleição. Governo de transição é oferecido pelo governo nacional que sai para o governo nacional que entra. Nunca vi governo nacional oferecer time de transição para governo estrangeiro. Isso significa simplesmente total renúncia de soberania. Significa que Flávio Tarifário ofereceu tornar o Brasil um protetorado dos EUA. Um evidente crime. Candidatura tem de ser impedida”, escreveu o analista.

Segundo Marcelo Zero, uma equipe de transição existe para assegurar a continuidade administrativa do Estado brasileiro, permitindo que o governo eleito receba informações do governo que está deixando o poder. A legislação brasileira, instituída por lei e decreto de 2002, prevê esse mecanismo exclusivamente para a passagem de governo entre autoridades nacionais, não havendo qualquer possibilidade legal de disponibilizar essa estrutura a um governo estrangeiro.

A crítica de Zero soma-se às manifestações do governo brasileiro sobre a atuação internacional da família Bolsonaro. O Ministério das Relações Exteriores já classificou como “traição à pátria” as articulações de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro junto ao governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio à crise diplomática provocada pelas tarifas anunciadas por Washington contra produtos brasileiros.

Em nota oficial, o Itamaraty declarou: “Os traidores da Pátria não conseguirão reescrever a história. O Brasil sabe que o tarifaço tem sua origem em uma tentativa de interferência externa na justiça brasileira. […] O que os traidores da Pátria devem ao Brasil é um pedido de desculpas pelas tarifas e pelos prejuízos causados a milhares de brasileiros.”

A controvérsia ganhou ainda mais relevância porque a carta de Marco Rubio registra expressamente que Flávio Bolsonaro teria se comprometido a “colocar uma equipe de transição à nossa disposição”, caso fosse eleito presidente da República. A revelação desencadeou críticas de parlamentares e especialistas, que veem na iniciativa uma afronta à soberania brasileira e um precedente sem paralelo na história política do país.

O episódio ocorre em um momento de forte tensão entre Brasília e Washington, marcado pelas tarifas impostas pelo governo Trump contra produtos brasileiros e pelas divergências em torno das decisões da Justiça brasileira relacionadas à tentativa de golpe de Estado e aos ataques às instituições democráticas.

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