Banco deve mobilizar capital privado para infraestrutura, enquanto bloco avalia ampliar pagamentos em moedas nacionais.
247 – O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), presidido por Dilma Rousseff, deve ganhar papel mais amplo na mobilização de capital privado para projetos de infraestrutura e desenvolvimento nos países do BRICS. A proposta estará entre os principais temas da cúpula marcada para sábado (12) e domingo (13), em Nova Déli, segundo fontes ouvidas pelo Financial Express.
A reportagem afirma que os líderes também devem discutir a ampliação do uso das moedas nacionais em pagamentos transfronteiriços. As duas iniciativas fazem parte de uma agenda voltada ao fortalecimento da cooperação financeira, à redução da exposição a choques externos e ao aumento da capacidade de investimento das economias integrantes do bloco.
Os ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais dos países do BRICS se reunirão em Mumbai nesta quarta-feira (9) e quinta-feira (10). O encontro servirá para ajustar as propostas que serão submetidas aos chefes de Estado e de governo durante a cúpula.
A maior utilização das moedas dos próprios integrantes poderia facilitar operações comerciais e investimentos dentro do grupo. A medida também reduziria a dependência das principais divisas internacionais nas transações entre os países, embora não represente a criação de uma moeda única do BRICS.
Os governos avaliam que sistemas de pagamentos baseados em moedas nacionais poderiam diminuir a exposição das economias emergentes às oscilações dos mercados cambiais. O tema ganhou relevância diante da fuga de capitais e da desvalorização monetária enfrentadas por países como Brasil, Índia e África do Sul em períodos recentes de instabilidade internacional.
A ampliação das atribuições do NDB deverá ser discutida dentro dessa estratégia. O objetivo é fortalecer o banco como instrumento para financiar obras de infraestrutura e outros projetos considerados prioritários, além de atrair investidores privados para iniciativas que hoje enfrentam dificuldades de financiamento.
O NDB poderia participar desse processo por meio da redução dos riscos dos investimentos, da preparação de projetos financeiramente viáveis e da criação de mecanismos capazes de aumentar a confiança de investidores. Os países também devem avaliar medidas para assegurar o crescimento e a competitividade da instituição.
A ministra das Finanças da Índia, Nirmala Sitharaman, já havia defendido uma participação maior dos bancos multilaterais de desenvolvimento na mobilização de recursos privados. Em agosto, ela afirmou que essas instituições podem reduzir riscos, melhorar a viabilidade financeira dos projetos e ampliar a confiança do mercado.
Além da atuação do NDB e dos pagamentos em moedas nacionais, os líderes devem abordar gestão de riscos financeiros, liberalização econômica e mudanças no cenário regional e mundial. As discussões procuram estabelecer instrumentos conjuntos para responder a crises cambiais, retração de investimentos e outras turbulências externas.
Estratégia do NDB sob Dilma
O NDB e o Ministério das Finanças da Índia realizaram, em 12 de agosto, um seminário dedicado à mobilização de capital privado nos países integrantes. O evento reuniu representantes de governos, instituições financeiras, empresas e especialistas para discutir garantias, mecanismos de compartilhamento de riscos e soluções em moedas locais.
Dilma definiu a captação de recursos privados como uma prioridade da instituição. “Para o NDB, mobilizar capital privado é um imperativo estratégico”, afirmou a presidente do banco durante o encontro, de acordo com o comunicado oficial do NDB.
Criado em 2015 por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o banco financia projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em economias emergentes. A instituição informa que atualmente possui dez países-membros e pretende ampliar gradualmente sua atuação e sua base de participantes.
A estratégia apresentada por Dilma para os próximos anos prevê uma instituição maior, mais digital e com instrumentos financeiros diversificados. O financiamento em moedas locais, as garantias, o cofinanciamento, o crédito ao comércio e os mecanismos de compartilhamento de riscos aparecem entre as ferramentas consideradas essenciais para ampliar os recursos disponíveis e reduzir custos. Segundo o NDB, a instituição também pretende priorizar infraestrutura, transição energética, inovação tecnológica, saúde, educação, habitação e desenvolvimento urbano.
DILMA NA SEDE DO NDB EM XANGAI – FOTO NDB
FONTE: https://www.brasil247.com/mundo/comandado-por-dilma-ndb-tera-papel-ampliado-apos-a-cupula-dos-brics-em-nova-deli/