Afastamento do diretor da Polícia Federal acirra a crise entre os Poderes e politiza a disputa eleitoral entre o lulismo e o bolsonarismo.
A crise do STF se liga, irremediavelmente, à eleição presidencial, embrulhada na corrupção do Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, corruptor-mor da República.
Na segunda-feira, 7, Dia da Independência, em SP, na Av. Paulista, Flávio Bolsonaro pediu a cabeça do ministro Alexandre de Moraes, do STF, e disse que ele é aliado de Lula na disputa eleitoral.
Nesta terça-feira, 8, o ministro André Mendonça, aliado de Bolsonaro, pede o afastamento do cargo do diretor da PF, Andrei Rodrigues, indicado pelo presidente Lula, sob o argumento de que está sendo perseguido/monitorado por ele há mais de 30 dias.
Imediatamente, Jorge Messias, advogado-geral da União (AGU), acusa Mendonça de interferência no Poder Executivo, exorbitando de suas prerrogativas, visto que Rodrigues é indicado pelo chefe de Governo, não pelo Judiciário ou Legislativo.
Lula, na sequência, reúne o Governo para discutir a ação ilegal de Mendonça de usurpar poderes, interferindo em prerrogativas que são do presidente da República.
Ou seja, a qualquer momento, o presidente pode contestar quem está usurpando o seu poder, vale dizer, o ministro Mendonça, do STF.
Mendonça, sem ouvir o PGR, Paulo Gonet, para ancorar sua decisão, fazendo de conta que não tem que dar satisfação a ninguém, encaminha a demissão de Rodrigues para ser decidida pela 2ª Turma do STF, presidida pelo ministro Luís Fux, que segue a posição de Mendonça, junto com seu colega, o ministro Nunes Marques, também indicado ao cargo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, como Mendonça.
Gilmar evita golpe contra Lula
O voto de Fux, junto com o de Marques, secundado por Mendonça, também integrante da 2ª Turma, derrotaria os votos dos ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, que pediu afastamento do caso por se julgar comprometido para tal decisão, já que, anteriormente, presidira inquérito sobre o Caso Master, agora sob responsabilidade de Mendonça.
Sentindo cheiro de borracha queimada, isto é, de puro golpe de Mendonça contra Lula, para favorecer Flávio Bolsonaro, na decisão apurada na 2ª Turma, Gilmar Mendes pediu vista do processo.
Mendes terá 90 dias para decidir, mas os efeitos desencadeados pela determinação de Mendonça para afastar Rodrigues seguem valendo.
Somente depois da eleição, portanto, o caso volta à pauta para avaliação do STF em Plenário pela ação da totalidade dos ministros, que darão seu voto final para o afastamento ou não de Rodrigues da PF, indicado pelo presidente da República.
A conclusão preliminar registra, no entanto, que Mendonça, ao ultrapassar seu espaço jurisdicional para invadir o espaço do presidente Lula, acusado por Flávio de ser aliado de Moraes, politiza totalmente a questão.
Na prática, o quiprocó transborda para a opinião pública, que está induzida a julgar o STF nas urnas, como sugeriu o candidato do PL em comício na Av. Paulista.
O fato, em sua configuração técnica e política, força o presidente da República a uma posição de ataque ao ministro Mendonça por ter se excedido em suas prerrogativas, invadindo assunto do Poder Executivo, como destacou o chefe da AGU, advogado Jorge Messias.
Tudo indica, portanto, que Mendonça jogou gasolina e riscou fósforo para ver o circo pegar fogo, gerando crise institucional e fazendo-a espraiar-se para a disputa eleitoral.
Mendonça, indiretamente, seguindo declarações de Flávio Bolsonaro, junta Moraes a Lula na tentativa de vender à sociedade que ambos são aliados para detonar, eleitoralmente, o bolsonarismo.
Polarização radical
A polarização, desse modo, acirra-se entre lulismo e bolsonarismo em campanha pelo voto do eleitorado, em uma escalada que impulsiona a crise institucional, configurando uma realidade segundo a qual o STF está agindo como agente decisivo na disputa eleitoral entre Lula e Flávio.
De acordo com essa tentativa de maniqueísmo político monocrático, Mendonça, de um lado, seria agente de Flávio; de outro, Moraes, agente de Lula.
Enquanto isso, a mais recente pesquisa, divulgada nesta terça-feira, mostra empate técnico entre Lula e Bolsonaro, com este se adiantando àquele em um ponto percentual de vantagem.
O bafafá político-jurídico-eleitoral segue em fogo alto, agora levando, por meio da ação de Mendonça em afastar o chefe da PF do seu comando, o presidente Lula à necessidade de protestar contra a usurpação do seu poder por parte de um ministro do STF, aliado do bolsonarismo fascista.
FOTO: Victor Piemonte/STF | José Cruz/Agência Brasil
FONTE: https://www.brasil247.com/blog/mendonca-golpeia-lula-para-beneficiar-flavio-ao-derrubar-chefe-da-pf-indicado-pelo-executivo/