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Fachin avalia assumir casos Master e INSS e afastar Mendonça da relatoria para conter crise no STF

Presidente da Suprema Corte discute medida para conter disputa interna na Corte e reduzir tensão entre André Mendonça e Alexandre de Moraes.

247 – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, avalia retirar temporariamente do ministro André Mendonça a condução das investigações relacionadas ao Banco Master e ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e assumir os casos, numa tentativa de conter a crise aberta entre integrantes da Corte.

A possibilidade é discutida por Fachin e seus auxiliares desde o último domingo (6), segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo. O presidente do Supremo reuniu seus assessores mais próximos para analisar alternativas diante do confronto entre Mendonça e Alexandre de Moraes e definir como o tribunal deverá reagir à escalada das acusações.

A discussão sobre uma eventual mudança na relatoria começou antes da decisão tomada nesta terça-feira (8) por Mendonça para afastar Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal. A ordem chegou a alcançar maioria em julgamento na Segunda Turma do STF, mas a análise foi interrompida após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

Nos bastidores da Corte, ministros alinhados a Moraes defendem que Fachin retire Mendonça temporariamente dos casos enquanto persistirem questionamentos sobre os procedimentos adotados pelo relator. A medida, porém, é avaliada pelo presidente do Supremo dentro de uma estratégia mais ampla de reduzir a tensão entre os dois polos do conflito.

Interlocutores de Fachin afirmam que o objetivo é impedir que os instrumentos institucionais do tribunal sejam utilizados para alimentar novos ataques entre integrantes da própria Corte.

Fachin busca conter escalada no Supremo

A crise ganhou dimensão pública na última semana, com decisões de Moraes e Mendonça envolvendo investigações que atingem diretamente um ao outro.

Fachin já havia retirado do inquérito das fake news um pedido de Moraes para que Mendonça fosse investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

A medida foi adotada para que a regularidade da iniciativa de Moraes pudesse ser examinada fora de um procedimento sob sua própria relatoria. Fachin também sinalizou que pretende levar ao plenário do STF as acusações trocadas pelos ministros.

Na sexta-feira (4), após conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fachin afirmou que o Supremo não deixará de reagir à crise.

“A resposta institucional será firme, proporcional e rigorosa. Os acontecimentos recentes demonstram o acerto e a urgência de três metas de nossa gestão: a adoção de um código de ética, o fim do inquérito das fake news e a modernização do sistema de Justiça”, declarou.

O presidente da Corte também afirmou que “não haverá precipitação, mas tampouco omissão” diante do conflito.

Disputa envolve relatório da Polícia Federal

O confronto entre Mendonça e Moraes se intensificou depois que vieram a público documentos da Polícia Federal relacionados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master.

Moraes determinou a abertura de uma apuração sobre Mendonça com base em relatório interno da PF descrito no próprio documento como sem valor probatório. Segundo a reportagem, parte das informações foi classificada pelos investigadores com grau de confiança “baixo” ou “moderado”.

A decisão de Moraes ocorreu dois dias depois de Mendonça retirar o sigilo de outro relatório da Polícia Federal que apresentava o ministro como interlocutor de Vorcaro.

Ao liberar o material, Mendonça indicou que a possibilidade de abertura de investigação contra Moraes poderia ser submetida ao plenário do STF.

Na noite de quinta-feira (3), Fachin determinou que Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, apresentassem informações, no prazo de cinco dias, sobre a produção e o uso do relatório policial.

O presidente do Supremo quer esclarecer, entre outros pontos, as circunstâncias em que Mendonça ordenou a identificação das pessoas que mantiveram contato com Vorcaro e quais providências foram adotadas para respeitar as regras especiais aplicáveis a investigações envolvendo autoridades.

Mensagens de Vorcaro ampliaram crise

A atual disputa começou a ganhar força quando Mendonça tornou públicas mensagens atribuídas a Vorcaro e direcionadas a Moraes.

Nos diálogos, o ex-controlador do Banco Master questionava o ministro sobre a possibilidade de deixar o país dois dias antes de ser preso e também tratava do agendamento de encontros.

Vorcaro foi preso pela Polícia Federal em 17 de novembro de 2025, quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta.

Documentos citados pela reportagem mostram que, em 14 de novembro, ele enviou mensagens perguntando a Moraes se estava “marcado amanhã lá em casa” ou se “prefere deixar para semana que vem”.

Pouco depois, Vorcaro escreveu: “Vou chegar 14:30 ok! La em casa marcado”.

A divulgação desse material aprofundou a disputa entre Moraes e Mendonça e colocou o presidente do STF no centro da tentativa de impedir que a crise institucional se agrave.

Futuro do inquérito das fake news também está em discussão

Paralelamente à controvérsia envolvendo os casos Master e INSS, Fachin defende o encerramento do inquérito das fake news, aberto em 2019 durante a presidência de Dias Toffoli.

Na época, Moraes foi indicado diretamente, sem sorteio, para conduzir a investigação sobre ameaças e ataques ao Supremo.

A duração do procedimento tem provocado questionamentos dentro e fora da Corte há anos, inclusive durante a presidência de Luís Roberto Barroso.

FOTO: Alejandro Zambrana/STF

FONTE: https://www.brasil247.com/brasil/fachin-avalia-assumir-casos-master-e-inss-e-afastar-mendonca-da-relatoria-para-conter-crise-no-stf/