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Debate na TV Globo resgata histórico de manipulação a favor de Collor contra Lula em 1989

Revelações de Boni sobre intervenção no debate de 1989 voltam a circular nesta quinta, quando a Globo realiza mais um embate entre presidenciáveis.

247 – A TV Globo realiza nesta quinta-feira (1º) o último debate entre os candidatos à Presidência da República antes do primeiro turno das Eleições 2026, agendado para o próximo domingo (4). O encontro conta com a participação confirmada dos candidatos Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo). O presidente Lula (PT), candidato à reeleição, informou que não participará do evento.

A realização de um debate presidencial na TV Globo resgata inevitavelmente a memória da edição histórica de 1989. Naquele ano, a emissora manipulou a edição do debate para favorecer o então candidato Fernando Collor de Mello na disputa contra Lula. O episódio foi detalhado em uma entrevista concedida em novembro de 2011 ao programa Dossiê GloboNews, conduzida pelo jornalista Geneton Moraes Neto por ocasião do lançamento do projeto “O Livro do Boni”, escrito por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni.

Na entrevista, o ex-diretor da emissora admitiu abertamente que a Rede Globo tomou partido no pleito de 1989 e atuou diretamente para construir a imagem de Collor com o objetivo de equilibrar o confronto no segundo turno contra o candidato petista. Boni detalhou como a equipe técnica atuou nos bastidores para alterar o visual e a postura de Collor, buscando aproximá-lo do apelo popular demonstrado por Lula.

Segundo o relato do ex-executivo, o então superintendente da Rede Globo, Miguel Pires Gonçalves, foi procurado pela assessoria de Collor em busca de orientações e palpites para a apresentação do candidato no estúdio. “Eu achei que a briga do Collor com o Lula nos debates estava desigual, porque o Lula era o povo e o Collor era a autoridade. Então nós conseguimos tirar a gravata do Collor, botar um pouco de suor, com uma ‘glicerinazinha’ e colocamos as pastas todas que estavam ali, com supostas denúncias contra o Lula. Mas as pastas estavam inteiramente vazias ou com papéis em branco”, disse Boni na entrevista.

Além das interferências estéticas e cenográficas, Boni relembrou a polêmica edição do compacto exibido no Jornal Nacional logo após o debate decisivo. A repercussão negativa e a forte insatisfação gerada por essa exibição levaram a emissora a adotar uma diretriz permanente de nunca mais editar debates ao vivo.

As declarações de Boni em 2011 provocaram forte reação por parte de Fernando Collor de Mello. O ex-presidente, à época, rebateu veementemente as acusações do antigo diretor, chamando-o de “mentiroso” e declarando que o executivo teria “despirocado” e “viajado na maionese”. Collor assegurou que seu canal de contato com a emissora naquela época ocorria exclusivamente de forma direta com o Dr. Roberto Marinho, negando qualquer intervenção estética por parte de Boni. “Nunca tirei a gravata nos debates. Mentira. Suor, nem natural e nem aspergido pelo Boni. Glicerina, mais uma ‘viajada na maionese’. Pastas vazias: ao contrário, cheias de papéis, números da economia, que sequer utilizei”, disse o ex-presidente ao negar as manipulações relatadas.

https://x.com/lazarorosa25/status/2105404570142900498

FOTO: Reprodução

FONTE: https://www.brasil247.com/midia/debate-na-tv-globo-resgata-historico-de-manipulacao-a-favor-de-collor-contra-lula-em-1989/