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Desemprego volta a cair e o mercado de trabalho brasileiro vive seu melhor momento em décadas

Indicadores da PNAD Contínua mostram queda na desocupação e recorde na população ocupada, reforçando a resiliência da economia nacional.

O mercado de trabalho brasileiro segue surpreendendo. A PNAD Contínua divulgada pelo IBGE mostrou a taxa de desocupação recuando novamente, para 5,4% no trimestre encerrado em junho — uma queda de 0,7 ponto percentual em relação ao trimestre anterior. É mais um patamar historicamente baixo, um dos menores de que se tem registro.

Em números absolutos, o país tem hoje cerca de 5,9 milhões de pessoas desocupadas, 718 mil a menos do que no trimestre imediatamente anterior. Do outro lado, a população ocupada atingiu um novo recorde: 103,1 milhões de pessoas trabalhando, alta de mais de 1 milhão no trimestre. Ou seja, menos gente procurando emprego e mais gente empregada ao mesmo tempo.

Subutilização e desalento em queda

Os indicadores mais amplos do mercado de trabalho contam a mesma história. A subutilização também recuou: são 14,7 milhões de pessoas subutilizadas hoje, um contingente 1,6 milhão menor do que no trimestre anterior. Estamos falando de trabalhadores que gostariam de trabalhar mais horas ou mais dias do que conseguem — e esse grupo vem diminuindo, sinal de que a economia está absorvendo melhor essa mão de obra.

O desalento apresentou queda igualmente expressiva. São as pessoas que procuravam emprego e desistiram por acreditarem que não encontrariam vaga. Esse número está praticamente na mínima histórica, em torno de 2,3 milhões. Para se ter ideia da melhora, já vimos esse contingente na casa dos 5 a 6 milhões em anos recentes.

O retrato por tipo de vínculo

Vale olhar a composição da ocupação, que ajuda a entender a estrutura do mercado de trabalho brasileiro:

  • Carteira assinada: 39,4 milhões de trabalhadores no setor privado, número estável no trimestre.
  • Sem carteira: 13,6 milhões, com leve alta.
  • Setor público: cerca de 13 milhões, somando os governos federal, estadual e municipal. É bom lembrar que aqui entram educação e saúde — professores, médicos, enfermeiros —, e que os grandes empregadores públicos são estados e municípios.
  • Por conta própria: 26,1 milhões, um contingente gigantesco. Nessa categoria cabe todo tipo de empreendedor individual, do dono de pequeno negócio ao motorista de aplicativo. É uma massa enorme de trabalhadores.

Na média, o rendimento ficou estável, em torno de R$ 3.738. A massa de rendimento — a soma de tudo o que os brasileiros ganham com o trabalho — está na casa dos R$ 380 bilhões por mês, e a renda real segue crescendo no acumulado de 12 meses.

Um país ainda relativamente pobre

Esses números, por mais positivos que sejam, também expõem o tamanho do desafio brasileiro. Pense que, na média, 103 milhões de pessoas trabalham ganhando cerca de R$ 3.700 por mês. Em países ricos, esse rendimento médio equivale a algo como R$ 30 mil ou R$ 35 mil mensais. Ainda estamos muito longe de sermos um país desenvolvido, e o mercado de trabalho deixa isso evidente.

A leitura geral

Mesmo assim, o recado é claro: o mercado segue muito apertado. O desemprego voltou a cair, a subutilização recuou e a renda real continua crescendo em 12 meses. Tudo isso reforça a resiliência da atividade econômica e do próprio mercado de trabalho — uma excelente notícia.

Faz muito tempo que não víamos o mercado de trabalho brasileiro tão forte. Nos últimos 23 anos, talvez estejamos vivendo o melhor momento; interpolando as séries históricas, é possível que seja a melhor situação desde os anos 1980.

Há, porém, o outro lado da moeda. Um mercado de trabalho tão aquecido pressiona a inflação e os salários. É justamente esse pano de fundo que dá substância ao debate atual sobre o nível da Selic e dos juros. E o dado que sai hoje só reforça esse quadro: desemprego muito baixo e mercado de trabalho bastante forte e apertado no Brasil.

FOTO: Marcello Casal Jr/ABr

FONTE: https://www.brasil247.com/blog/desemprego-volta-a-cair-e-o-mercado-de-trabalho-brasileiro-vive-seu-melhor-momento-em-decadas/