Pesquisa da CNC aponta sexto mês seguido de alta e avanço da inadimplência entre consumidores.
247 – O percentual de famílias brasileiras com algum tipo de dívida alcançou o maior nível da série histórica em julho. Segundo o Metrópoles, um levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta que o índice de endividamento chegou a 82%, registrando o sexto avanço consecutivo em 2026.
Os dados fazem parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) e mostram que o orçamento doméstico continua pressionado, levando um número crescente de famílias a recorrer ao crédito para custear despesas básicas e manter o consumo.
Cartão de crédito segue como principal fonte de endividamento
De acordo com a CNC, o cartão de crédito permanece como a modalidade de financiamento mais utilizada pelos brasileiros. A facilidade de acesso e o uso frequente para despesas cotidianas têm ampliado o comprometimento da renda das famílias.
O levantamento também mostra que a inadimplência continua elevada, evidenciando a dificuldade de parte dos consumidores em honrar seus compromissos financeiros. O cenário é mais crítico entre as famílias de menor renda, que dispõem de menos espaço no orçamento e enfrentam maior risco de atraso nos pagamentos.
Outro indicador que preocupa é o comprometimento da renda com dívidas, que atingiu 19% das famílias, o maior patamar registrado desde março deste ano.
Juros elevados dificultam quitação das dívidas
Segundo a entidade, a combinação de juros ainda elevados, renda pressionada e inflação em itens essenciais contribui para o aumento do endividamento. O custo mais alto do crédito torna a quitação das dívidas mais difícil, especialmente para quem já depende de financiamentos para equilibrar as contas do mês.
Mesmo diante de sinais de recuperação gradual da atividade econômica, a sequência de recordes negativos reforça o quadro de fragilidade financeira das famílias brasileiras.
CNC pede medidas para aliviar orçamento
Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, os sucessivos recordes de endividamento produzem efeitos que vão além do comércio e afetam a economia como um todo.
“Vemos sinais positivos de resiliência, seja pelo pagamento das dívidas com o programa Desenrola, seja com a massa de rendimentos e ocupação aumentando; porém, os números mostram que é preciso avançar em medidas que aliviem o bolso do trabalhador e, consequentemente, estimulem uma melhora do setor produtivo”, avaliou Tadros.
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FONTE: https://www.brasil247.com/economia/endividamento-das-familias-atinge-patamar-recorde-de-82/