Crise diplomática, ameaças às eleições e o avanço da extrema-direita expõem a ingerência dos EUA no Brasil.
A queda de braço está se escalando. A intenção dos americanos de intervir nas eleições brasileiras está clara. O apoio a Flávio Bolsonaro em tarifar o Brasil com altas taxas e agora a chantagem forçada para que aceitem o embaixador indicado por Marco Rubio. O governo americano revogou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, após a demora de Brasília em conceder o agrément para o novo embaixador americano Daniel Perez. O mesmo Perez já falou que foi um sucesso a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela que sequestrou o ex-presidente Nicolás Maduro e afirmou que Trump tinha tomado “medidas decisivas para trazer paz e segurança ao nosso hemisfério”.
A escalada está entrando em várias frentes. O que chama a atenção, além da desproporcionalidade das ações, é o fato de que os americanos querem acompanhar de perto a eleição e colocar seu dedo. Querem passar por cima de trâmites legais internacionais, fazendo um gesto radical para que aceitem de qualquer forma a indicação. Tal qual fez ao tirar o cartão vermelho do jogador americano na Copa do Mundo. Talvez por isso a campanha de Flávio Bolsonaro não esteja preocupada com seu vice, nem com apoios de partidos de direita, e voltando a atacar as urnas.
Por outro lado, o governo brasileiro tem que dar respostas ainda sobre as eleições passadas, sobre os ataques pelo resultado das eleições, o 8 de janeiro e novos planos terroristas. A Polícia do DF descobriu planos de ataques terroristas em Brasília durante o período eleitoral: células nazistas com 8 jovens de 19 a 31 anos, revelando a violência política, a misoginia e o extremismo. Tudo isso não é novidade, mas a extrema-direita brasileira conseguiu lançar luz depois de anos falando que a urna é fraudada e que o TSE é uma ditadura. Temos que lembrar que o primeiro partido nazista fora da Alemanha, reconhecido por Munique, foi no Brasil, especificamente em Santa Catarina.
Está se agravando pelo mundo a ascensão da extrema-direita, que é um retrato da crise do capitalismo, que recorre ao nazismo para poder ter suas pautas como prioridade, e não as da população. Basta ver a frequência com que vemos as saudações nazistas pelo mundo, como recentemente com a ativista de extrema-direita Isabel Peralta em frente à Embaixada do Marrocos. Mesmo que, historicamente, a extrema-direita trabalhe com a dubiedade de sinais na ampliação de mensagens, o que vemos são pessoas assumindo que são fascistas à luz do dia.
No Brasil, temos mais de 500 células neonazistas ativas, concentradas nos estados de São Paulo e Santa Catarina. A bandeira do grupo que tentava provocar uma “comoção social” capaz de desencadear a decretação de estado de sítio é “Don’t tread on me“. Ela é uma apropriação de grupos extremistas americanos que passaram a adotar o símbolo em protestos. Eduardo Bolsonaro já tirou fotos com rifle com esse grupo.
O Brasil vem trabalhando com reciprocidade contra as tarifas, o que até levou a múltiplos processos contra Trump pelos próprios empresários americanos. Tem negociado mais com a China, retirando aos poucos o dólar como moeda mais importante. Mas são várias frentes de batalhas assimétricas. Porém, com Flávio Bolsonaro, Trump ficaria mais tranquilo para dilapidar o que precisa. Lula é um estorvo para o trator fascista americano.
É como o esfregar de mãos de um personagem malvado dos anos 30 do cinema americano, sabendo que seu plano é maligno. O esfregar de mãos é uma maneira de dizer “que escândalo!”. O que vemos é o governo Trump esfregando as mãos, entusiasmado. Para uma grande parcela da população, a crise diplomática não significa muita coisa, o que é muito preocupante. Para muitos, quanto mais lutas no gelo, melhor.
Foto: Embaixada dos EUA/Divulgação
FONTE: https://www.brasil247.com/blog/escalada-da-crise-com-americanos/