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Escalada no Oriente Médio: EUA bombardeiam pontes e aeroporto no Irã e crise do petróleo se agrava

Tensões atingem o Estreito de Ormuz após fracasso de cessar-fogo, elevando o barril a US$ 85 e gerando retaliações iranianas contra bases norte-americanas.

247 – Os Estados Unidos intensificaram de forma drástica sua campanha militar contra o Irã, realizando bombardeios estratégicos que atingiram pontes, uma estação ferroviária e um aeroporto em território iraniano. Em resposta imediata, Teerã desferiu ataques contra instalações militares norte-americanas espalhadas pelo Oriente Médio. A grave escalada ocorre em um momento de profunda instabilidade na região, acentuada após o colapso do acordo provisório de cessar-fogo estabelecido na semana passada, o que reacendeu o temor global sobre a iminência de uma guerra total, relata a agência Reuters.

A mais recente onda de hostilidades paralisou novamente o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, a rota de transporte de energia mais importante do mundo. O bloqueio mútuo — com o Irã anunciando o fechamento da via e Washington restabelecendo o cerco aos portos iranianos — provocou um forte impacto no mercado financeiro global, empurrando os preços do petróleo para a casa dos US$ 85 por barril nesta semana.

Expansão dos alvos e infraestrutura logística

De acordo com o Comando Central das Forças Armadas dos EUA, os novos bombardeios incluíram “infraestrutura logística militar” na lista de alvos destruídos. Esta é a primeira menção explícita a esse tipo de instalação em mais de uma semana de operações, sinalizando uma mudança tática por parte de Washington. Até o momento, os ataques estavam concentrados predominantemente nas áreas litorâneas do sul do Irã.

A mídia estatal iraniana confirmou o impacto das incursões e relatou que pelo menos cinco pontes foram destruídas no sul do país. No porto de Bandar Khamir, sete pessoas morreram em decorrência dos ataques que atingiram as pontes e a estação ferroviária local. Mais ao leste e distante da costa, um aeroporto foi bombardeado em Iranshahr, cidade situada na província fronteiriça com o Paquistão. Relatos locais também apontam para outras ações letais, como a que resultou na morte de uma mulher e deixou seu filho ferido no porto de Bandar Abbas.

Retaliação iraniana e choques no Estreito

Do outro lado do front, o Irã contra-atacou alvos norte-americanos na região, confirmando ofensivas contra bases dos EUA localizadas no Kuweit e no Barein, além de uma estação de radar em Omã. Fortes explosões também foram ouvidas em Doha, capital do Catar, onde o Ministério do Interior reportou que uma criança ficou ferida por estilhaços.

Em um desdobramento inédito neste conflito, Teerã declarou ter disparado contra a Síria, mirando o que descreveu como uma base das forças especiais dos EUA em Tanf — embora Damasco sustente que as tropas americanas já haviam se retirado do local no início deste ano. Uma fonte militar síria pontuou que os projéteis caíram nos arredores da base, sem deixar vítimas ou danos materiais.

Paralelamente aos bombardeios, as forças navais norte-americanas interceptaram e abordaram o petroleiro Wen Yao no Estreito de Ormuz para fazer valer o bloqueio econômico. Imagens divulgadas pelo Pentágono mostram fuzileiros navais descendo de rapel a partir de um helicóptero em direção ao convés da embarcação. Na quinta-feira, o serviço de segurança marítima do Reino Unido (UKMTO) já havia notificado que outro petroleiro foi atingido por um projétil na costa de Omã.

Riscos de um conflito total

O presidente dos EUA, Donald Trump, elevou o tom das ameaças ao projetar ataques aéreos em larga escala contra a infraestrutura do Irã, recusando-se inclusive a descartar uma eventual incursão terrestre na costa ou nas ilhas iranianas. Fontes do governo norte-americano justificam que a ofensiva no sul tem como objetivo abrir um leque de opções estratégicas para a Casa Branca.

Contudo, analistas alertam que tais medidas podem empurrar o governo iraniano a uma retaliação ainda mais agressiva. Teerã já advertiu formalmente que, caso Trump cumpra a promessa de atingir suas instalações estruturais, o país responderá atacando a infraestrutura civil de nações vizinhas aliadas de Washington em todo o Oriente Médio. Há também o risco iminente de que aliados do Irã no Iêmen intensifiquem as ofensivas contra embarcações comerciais no Mar Vermelho, estrangulando ainda mais o abastecimento energético mundial.

FOTOS: Pixabay

FONTE: https://www.brasil247.com/mundo/escalada-no-oriente-medio-eua-bombardeiam-pontes-e-aeroporto-no-ira-e-crise-do-petroleo-se-agrava/