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EUA impõem tarifaço de 25% ao Brasil e iniciam nova guerra comercial

USTR cita Pix, comércio digital, etanol e meio ambiente na polêmica medida que ataca a soberania brasileira.

247 – O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos ampliou as etapas da investigação comercial sobre práticas do Brasil relacionadas ao Pix, ao mercado digital, às tarifas preferenciais, ao etanol, à propriedade intelectual, ao combate à corrupção e ao desmatamento ilegal. Segundo a página oficial do USTR, o órgão publicou as transcrições das audiências realizadas em julho de 2026 e manteve disponível o histórico completo do processo aberto com base na Seção 301 da Lei de Comércio estadunidense.

A documentação do USTR mostra que os EUA iniciaram o procedimento em 15 de julho de 2025. O órgão apontou algumas políticas brasileiras que, segundo Washington, são prejudiciais ao comércio estadunidense.

A investida comercial contra o Brasil reúne seis eixos:

  1. comércio digital e serviços de pagamento eletrônico;
  2. tarifas consideradas injustas ou preferenciais;
  3. aplicação de regras anticorrupção;
  4. proteção da propriedade intelectual;
  5. acesso ao mercado de etanol;
  6. combate ao desmatamento ilegal

O governo dos EUA avalia se medidas brasileiras criam barreiras, discriminam empresas estadunidenses ou restringem suas atividades comerciais.

Pix e comércio digital integram a apuração

No eixo de comércio digital e pagamentos eletrônicos, o USTR examina decisões judiciais brasileiras que atingiram empresas norte-americanas de redes sociais. O órgão também avalia políticas relacionadas ao Pix e sustenta que o sistema desenvolvido pelo Banco Central pode favorecer serviços nacionais diante de concorrentes estrangeiros.

As alegações apresentadas pelo governo estadunidense integram a investigação e refletem a posição de Washington. O procedimento busca medir o possível impacto das regras brasileiras sobre plataformas, serviços digitais, meios de pagamento e empresas dos EUA.

Tarifas para México e Índia entram no debate

O USTR também questiona acordos comerciais que concedem tarifas preferenciais a determinados produtos do México e da Índia. Na avaliação do órgão, as condições oferecidas aos dois países colocam mercadorias norte-americanas em desvantagem no mercado brasileiro.

A investigação analisa produtos de diferentes setores e compara as tarifas aplicadas às importações dos EUA com as alíquotas cobradas de parceiros que mantêm acordos específicos com o Brasil. Washington sustenta que essas diferenças podem reduzir as exportações e a produção estadunidense.

Etanol, corrupção e propriedade intelectual

No setor de etanol, o USTR afirma que o Brasil abandonou um modelo anterior de reciprocidade tarifária e limitou o acesso de produtores estadunidenses ao mercado nacional. O tema figura entre os principais pontos da apuração desde a abertura formal do processo.

A investigação também examina a aplicação das regras anticorrupção no Brasil. O escritório norte-americano argumenta que falhas na fiscalização e na transparência podem prejudicar companhias dos EUA que operam no país.

Na área de propriedade intelectual, o USTR menciona preocupações com a circulação de produtos falsificados, dispositivos de transmissão ilegal e equipamentos que permitem contornar sistemas de proteção tecnológica. O órgão avalia a capacidade das autoridades brasileiras de combater essas práticas.

Desmatamento fecha lista de temas

O desmatamento ilegal completa o conjunto de assuntos examinados. O USTR reconhece que o Brasil mantém uma estrutura legal para combater a destruição ambiental, mas afirma que o país não aplica essas normas com a eficiência necessária.

A página oficial reúne agora o aviso de abertura da investigação, o calendário para manifestações, as transcrições das audiências de setembro de 2025 e julho de 2026 e a proposta de ação publicada em junho. O material registra a evolução de um processo que passou da coleta inicial de opiniões para a análise de possíveis medidas comerciais contra o Brasil.

Família Bolsonaro e a polêmica articulação nos EUA

As medidas dos EUA contra a soberania brasileira foram anunciadas após articulações feitas pelo senador Flávio Bolsonaro e pelo deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por causa da condenação de Jair Bolsonaro (PL) no processo sobre a trama golpista. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal impôs ao ex-presidente uma pena de 27 anos de prisão.

Além da guerra comercial, os EUA classificaram o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. As duas medidas estimulam sanções contra o Brasil no comércio global.

O senador Flávio Bolsonaro tinha enviado ao USTR um documento em defesa de mais abertura do governo brasileiro para empresas estrangeiras na operação de cartões de crédito e demonstrou posição favorável para acordos fora do Mercosul. Ainda no texto, o parlamentar pediu que o Pix fique de fora dos sistemas de pagamentos do BRICS.

No sistema financeiro, o Pix registrou expansão de 20% em 2025 e totalizou 30,1 bilhões de transações ao longo do ano. Os dados constam na Pesquisa de Tecnologia Bancária da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), publicada em 26 de junho. O estudo mostrou ainda que 83% das operações bancárias realizadas no país já ocorrem por canais digitais, entre eles aplicativos de celular e internet banking.

A aproximação crescente do Brasil com a China e com outras nações do Sul Global também aparece entre os fatores ligados à postura intervencionista da política externa norte-americana.

A China abriga a sede do BRICS, bloco que concentra mais de 40% da população mundial. Considerando o Produto Interno Bruto calculado pela paridade do poder de compra, os países integrantes representam 37% da economia global, de acordo com informações do Fórum Econômico Mundial.

Dados divulgados pelo próprio BRICS, com base na Organização Mundial do Comércio, indicam que o grupo responde por 26% das trocas internacionais. No setor energético, números do Ministério de Minas e Energia mostram que o bloco reúne 44% das reservas globais de petróleo e 53% das reservas de gás natural. As nações do grupo também concentram 43% da produção mundial de petróleo e 35% da produção de gás.

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FOTO: Office of the United States Trade Representative

FONTE: https://www.brasil247.com/economia/eua-impoem-tarifa-de-25-ao-brasil-apos-investigacao-comercial/