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EUA podem apertar ‘botão de desligar’ IA no mundo, e soberania digital é urgente, diz Francesca Bria

A dependência global das infraestruturas de inteligência artificial baseadas nos Estados Unidos acendeu um alerta definitivo sobre a segurança e a soberania das nações. Francesca Bria, economista e assessora de alto nível da União Europeia para inovação e tecnologia, advertiu que Washington possui, na prática, um “botão de desligar” a inteligência artificial no planeta, transformando a tecnologia de ponta em uma poderosa arma geopolítica. O gatilho para o diagnóstico cirúrgico da especialista foi o recente veto do governo norte-americano envolvendo a Anthropic — uma das principais startups de IA do mundo, criadora do modelo Claude. Para Bria, a intervenção direta de Washington deixa claro que os EUA não hesitarão em restringir o acesso a algoritmos, modelos de linguagem e capacidades de processamento para proteger seus interesses estratégicos e geopolíticos.

O perigo da “Armatização” da Inteligência Artificial

A análise de Francesca Bria toca no ponto mais sensível da economia digital moderna: o monopólio da infraestrutura. Hoje, a esmagadora maioria das ferramentas de IA utilizadas por governos, empresas e cidadãos ao redor do mundo — desde a automação de serviços públicos até o gerenciamento de linhas de produção industrial — roda sob o ecossistema de pouquíssimas big techs americanas (como Microsoft, Google, Meta, OpenAI e Anthropic) e depende de seus servidores de computação em nuvem. Se Washington decidir que o alinhamento político de determinado país ou bloco não atende aos seus critérios de segurança nacional, o fluxo de dados e o acesso aos modelos de IA podem ser cortados unilateralmente através de sanções ou ordens executivas. Na prática, os países que não possuem tecnologia própria correm o risco de ver suas indústrias, sistemas financeiros e serviços essenciais paralisados da noite para o dia se os EUA decidirem “puxar a tomada” corporativa. A IA deixou de ser um mero software comercial para se tornar um ativo de segurança de Estado, comparável às armas nucleares ou ao controle do sistema financeiro internacional (Swift).

A Urgência da Soberania Digital

Diante desse cenário de vulnerabilidade extrema, Bria defende que a construção de uma Soberania Digital não é mais uma escolha econômica de longo prazo, mas uma emergência de segurança nacional imediata para a Europa e para o resto do mundo, incluindo países em desenvolvimento. Para que as nações não fiquem à mercê das decisões de Washington, os especialistas apontam que a soberania digital exige três pilares fundamentais:
  • Modelos de Código Aberto (Open Source): O desenvolvimento de modelos de IA abertos, cujos algoritmos possam ser baixados, modificados e executados localmente, sem dependência de APIs controladas por empresas americanas.
  • Infraestrutura de Nuvem Pública: A criação de centros de processamento de dados (data centers) nacionais ou regionais, garantindo que o processamento da IA ocorra dentro das fronteiras do próprio território e sob as leis locais.
  • Soberania de Hardware: O investimento na cadeia de suprimentos de semicondutores e chips avançados (como as GPUs), que hoje formam o verdadeiro oxigênio para o treinamento de inteligências artificiais.

O Impacto para o Resto do Mundo

O alerta de Francesca Bria serve como uma dura lição para países que hoje apenas importam e consomem soluções digitais prontas do Vale do Silício. Ao delegar o cerne de sua modernização tecnológica a empresas estrangeiras, essas nações terceirizam sua própria soberania e a capacidade de tomar decisões autônomas no futuro. Em um mundo onde o “claro-escuro” das disputas geopolíticas entre EUA e China redesenha as fronteiras do poder, o aviso é nítido: os países que não desenvolverem suas próprias capacidades em inteligência artificial e infraestrutura de dados estarão condenados à total subordinação digital, sujeitos a apagões tecnológicos forçados ao menor sinal de desalinhamento político com as potências que controlam os servidores do mundo. LEGENDA: Economista italiana Francesca Bria, especializada em soberania digital, participa de conferência – Divulgação French Tech Grande Provence FONTE: Agência de Notícias ABJ – Associação Brasileira dos Jornalistas ( Reprodução autorizada mediante citação da fonte: Agência de Notícias ABJ – Associação Brasileira dos Jornalistas )