Tarifaço derruba participação dos EUA nas exportações brasileiras ao menor nível em quase 30 anos.
Participação dos EUA nas exportações brasileiras cai a 9,4% após tarifaço de Trump, segundo levantamento da Amcham Brasil
247 – A participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu para 9,4% no primeiro semestre deste ano, o menor nível desde o início da série histórica, em 1997, após o tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump. Segundo levantamento da Amcham Brasil, as vendas do Brasil ao mercado norte-americano somaram US$ 17,4 bilhões entre janeiro e junho, queda de 13% em relação ao mesmo período de 2025.
O recuo ocorre em um momento de tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos e reforça o impacto das sobretaxas sobre produtos brasileiros. O fluxo total de comércio entre os dois países — soma de exportações e importações — caiu 12,8% no primeiro semestre, para US$ 36,4 bilhões.
Enquanto os embarques para os Estados Unidos perderam força, o desempenho global das exportações brasileiras seguiu em direção oposta. No mesmo período, o Brasil ampliou em 11,5% suas vendas totais ao exterior. Entre os principais destinos, a China registrou alta de 21,9% nas compras de produtos brasileiros, enquanto a União Europeia teve avanço de 12,8%.
O levantamento da Amcham aponta que os produtos atingidos pelas tarifas norte-americanas foram os principais responsáveis pela queda. As exportações de itens sobretaxados recuaram 16,6% no semestre. Já os produtos que não foram alvo direto das medidas comerciais tiveram retração menor, de 8,7%.
Para Abrão Neto, presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil, os números mostram que o comércio bilateral atravessa um momento delicado e dependente de negociação entre os dois governos. “O primeiro semestre confirma que o comércio bilateral atravessa um período de forte pressão e reforça a necessidade de um acordo que evite a aplicação de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301”, afirmou Abrão Neto, em nota.
Ele também alertou para os riscos de uma nova rodada de sobretaxas. “Caso sejam implementadas, as sobretaxas poderão comprometer ainda mais as trocas entre Brasil e Estados Unidos”, acrescentou.
A preocupação ocorre porque o Representante Comercial dos Estados Unidos, conhecido pela sigla USTR, avalia a possibilidade de aplicar tarifas adicionais contra o Brasil a partir do dia 15. A medida aumentaria a incerteza para exportadores brasileiros que dependem do mercado norte-americano.
O efeito negativo não ficou restrito às vendas brasileiras aos Estados Unidos. As importações feitas pelo Brasil de produtos norte-americanos também diminuíram no primeiro semestre, com queda de 12,5%. O recuo foi puxado principalmente por máquinas e motores, segmento que teve retração de 76%, equivalente a uma redução de US$ 2,7 bilhões. As compras de aeronaves e partes caíram 14,6%, ou cerca de US$ 100 milhões.
Apesar do cenário adverso, junho trouxe sinais pontuais de recuperação. Após dez meses consecutivos de queda nas exportações brasileiras para os Estados Unidos, o valor vendido ao país cresceu 3,7% no mês passado. Em volume, porém, ainda houve retração, o que indica que a retomada permanece frágil.
Entre os dez principais produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos no primeiro semestre, metade registrou crescimento nas vendas. As maiores altas ocorreram em aeronaves, com avanço de 32,9%; carne bovina, com 41%; óleos combustíveis, com 13,7%; equipamentos de engenharia, com 23,8%; e máquinas de energia elétrica, com 16%.
Mesmo com esses avanços pontuais, a Amcham ressalta que os produtos atingidos pelas tarifas continuaram em trajetória de queda nas vendas ao mercado norte-americano. O cenário para os próximos meses segue condicionado às decisões do governo dos Estados Unidos sobre novas tarifas e aos efeitos de tensões internacionais, como o conflito no Oriente Médio, que pressiona custos ligados a óleo e gás.
FOTO: Ricardo Stuckert/PR I Divulgação
FONTE: https://www.brasil247.com/economia/fatia-dos-eua-nas-exportacoes-do-brasil-cai-ao-menor-nivel-desde-1997/