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Flávio Bolsonaro, Eduardo e Mário Frias passam a ser investigados pela PF por lavagem de dinheiro no caso Dark Horse

Polícia Federal apura repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao filme sobre Jair Bolsonaro, rota de US$ 12,3 milhões e possível uso dos recursos nos EUA.

247 – A Polícia Federal abriu uma investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o deputado federal Mário Frias (PL-SP) por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção na operação financeira ligada ao filme Dark Horse, cinebiografia sobre a trajetória de Jair Bolsonaro (PL). A informação foi divulgada nesta quinta-feira (23) pela revista Piauí

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a apuração nesta quinta-feira (23). Investigadores analisarão os recursos que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, destinou ao longa-metragem, além do caminho percorrido pelo dinheiro e dos beneficiários finais.

O senador negociou com Vorcaro um financiamento estimado em US$ 24 milhões, equivalente a cerca de R$ 134 milhões na cotação da época. Deste total, ao menos US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões) teriam chegado efetivamente ao projeto entre fevereiro e maio de 2025.

Coaf apontou movimentação de US$ 12,3 milhões

A Procuradoria-Geral da República (PGR) destacou, no parecer enviado ao STF, uma movimentação de US$ 12,3 milhões entre a Entre Investimentos e Participações e o Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos.

A reportagem da Piauí destaca que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) registrou a operação em um Relatório de Inteligência Financeira (RIF). O órgão produz esse tipo de documento quando identifica movimentações atípicas ou transações que exigem uma análise mais aprofundada.

Na conversão apresentada pela revista, o montante corresponde a aproximadamente R$ 63 milhões. O parecer de nove páginas do Coaf, contudo, não esclarece se uma única operação movimentou o valor integral ou se várias remessas formaram o total. O documento também não informa as datas das transferências.

A PGR cita uma previsão de US$ 24 milhões para o financiamento do longa-metragem, mas não afirma que os responsáveis pela operação tenham enviado todo o valor. Documentos e mensagens divulgados pelo site The Intercept Brasil apontaram anteriormente seis repasses que somaram US$ 10,6 milhões.

Inquérito inclui Vorcaro e operadores do fundo

A decisão de André Mendonça também colocou Daniel Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, apontado como operador do ex-banqueiro, entre os investigados. A PF já apura a participação dos dois em outras frentes relacionadas ao Banco Master.

O inquérito ainda abrange o empresário e publicitário Thiago Miranda, além de Altieris Santana e Paulo Calixto, responsáveis pela administração do Havengate Development Fund LP. Calixto também atua como advogado de Eduardo Bolsonaro nos EUA.

Registros empresariais citados pelo The Intercept Brasil mostram que o Havengate mantém sede no Texas e tem como agente legal o escritório de Paulo Calixto. Altieris Santana aparece na estrutura societária vinculada à administração do fundo.

A PF pretende reconstruir a rota financeira que conectou estruturas ligadas a Vorcaro, a empresa Entre Investimentos e o fundo estadunidense. Os investigadores também buscarão esclarecer quem autorizou cada remessa, quem controlava os pagamentos e como os destinatários empregaram os valores.

Polícia apura possível lavagem de dinheiro

A principal hipótese investigada, segundo a reportagem, considera a possibilidade de os envolvidos terem usado a produção cinematográfica para conferir aparência legal ao envio e à aplicação de recursos no exterior.

A investigação deverá examinar as declarações prestadas às instituições financeiras, os contratos utilizados para justificar as transferências, a finalidade indicada nas operações e a identidade dos beneficiários finais.

A existência do inquérito não representa uma conclusão sobre a prática dos crimes. A PF ainda precisa reunir provas que confirmem ou afastem as suspeitas relacionadas à lavagem de dinheiro, à evasão de divisas e à eventual corrupção.

Mensagem coloca Eduardo no centro da gestão financeira

A participação de Eduardo Bolsonaro na administração dos recursos constitui um dos eixos centrais da apuração. Segundo a Piauí, o parecer da PGR menciona uma captura de tela com uma conversa entre o ex-parlamentar e o publicitário Thiago Miranda.

Na mensagem, Eduardo aborda a transferência dos valores para os Estados Unidos e aponta dificuldades que poderiam atrasar as remessas: “O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para os EUA é tranquilo. Se a empresa brasileira a enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemático, vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de 6 meses, calculamos”, diz uma das mensagens, de acordo com a reportagem.

Thiago Miranda compartilhou a captura da conversa com Daniel Vorcaro, segundo as informações encaminhadas aos investigadores. A PF e a PGR avaliam que Eduardo pode ter orientado Miranda e Altieris Santana sobre a gestão dos recursos.

A investigação buscará esclarecer se Eduardo exercia poder formal sobre o Havengate ou se atuava apenas como interlocutor dos administradores. Um contrato revelado pelo The Intercept Brasil atribuiu a Eduardo e Mário Frias funções de produção executiva e participação em decisões financeiras ligadas ao filme.

PF verifica possível uso do dinheiro nos EUA

Os investigadores também analisam a hipótese de que parte dos recursos tenha custeado despesas de Eduardo Bolsonaro nos EUA, onde ele vive há mais de um ano. A PF pretende identificar quem decidia a destinação dos milhões de dólares enviados ao Havengate e quais pessoas ou empresas receberam os pagamentos. Eduardo nega ter recebido dinheiro negociado para financiar a produção.

O ex-parlamentar afirmou anteriormente que apenas cedeu seus direitos de imagem ao projeto. Documentos divulgados pelo Intercept apontaram uma atuação mais ampla na estrutura do longa, inclusive na administração financeira e na busca por investidores.

PGR procura possível contrapartida política

A documentação examinada pela PGR ainda não apresentou provas de que a família Bolsonaro tenha oferecido alguma vantagem ao grupo de Daniel Vorcaro em troca do financiamento.

Para aprofundar essa linha, a Procuradoria pediu um levantamento das propostas legislativas apresentadas por Flávio Bolsonaro e Mário Frias que possam ter beneficiado interesses ligados ao Banco Master.

A confirmação de uma contrapartida poderia fortalecer a hipótese de corrupção. Até o momento, porém, a investigação não identificou um ato parlamentar específico associado aos repasses para o filme Dark Horse.

Investigação nas mãos de Mendonça

O ministro André Mendonça ainda não liberou quebras de sigilo bancário e fiscal, novos pedidos ao Coaf, depoimentos ou outras medidas cautelares mais invasivas.

A PF deverá analisar primeiro o material que já reuniu nas investigações sobre o Banco Master. Caso encontre elementos mais consistentes, a corporação poderá solicitar ao STF acesso a contas bancárias, dados fiscais, comunicações e oitivas dos envolvidos.

Esse procedimento permite que os investigadores fundamentem cada nova diligência e reduz o risco de questionamentos futuros sobre a legalidade das provas.

Flávio Bolsonaro cobrou pagamentos a Vorcaro

O The Intercept Brasil revelou em maio que o senador Flávio Bolsonaro procurou Daniel Vorcaro e cobrou reiteradamente a liberação de parcelas para o longa Dark Horse. As mensagens indicam que as tratativas começaram no fim de 2024 e continuaram ao longo de 2025, período em que o Banco Master já enfrentava questionamentos e investigações.

O senador negou inicialmente que tivesse solicitado recursos ao banqueiro. Após a publicação dos áudios e mensagens, o senador confirmou a negociação, mas afirmou que buscou investimento privado para um projeto particular e negou ter recebido benefício pessoal ou oferecido qualquer contrapartida.

A Polícia Federal agora deverá confrontar essas versões com contratos, comprovantes bancários, comunicações e registros financeiros para determinar a origem, o percurso e a aplicação dos recursos destinados ao filme.

FOTO: Divulgação I Reprodução

FONTE: https://www.brasil247.com/brasil/flavio-bolsonaro-eduardo-e-mario-frias-passam-a-ser-investigados-pela-pf-por-lavagem-de-dinheiro-no-caso-dark-horse/