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Força da balança comercial vem transformando o Brasil em um país estruturalmente superavitário

Projeção do MDIC aponta saldo comercial de US$ 90 bilhões em 2026, reforçando a capacidade do país de acumular divisas, estabilizar o câmbio e financiar o crescimento.

247 – A economia brasileira consolida uma transformação estrutural em suas contas externas. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) elevou para US$ 90 bilhões a projeção de superávit da balança comercial em 2026, um resultado que, se confirmado, será o segundo maior da história do país. O desempenho reforça uma característica cada vez mais presente na economia brasileira: a geração recorrente de grandes superávits comerciais, que fortalecem a posição financeira do Brasil diante do mundo.

Os dados foram divulgados pelo MDIC e noticiados inicialmente pela Reuters. A nova estimativa representa um avanço expressivo em relação à projeção de abril, quando o governo esperava um saldo de US$ 72,1 bilhões. O resultado projetado também supera em 32,3% o superávit registrado em 2025, de US$ 68,1 bilhões.

Mais do que um número expressivo, a manutenção de elevados superávits comerciais tem importância estratégica para a economia brasileira. Ao exportar mais do que importa, o país amplia a entrada líquida de dólares, fortalece suas reservas internacionais, reduz a vulnerabilidade a choques externos e contribui para a estabilidade do câmbio. Essa dinâmica também melhora a percepção de risco do Brasil pelos investidores e amplia a capacidade de financiamento do crescimento econômico.

A melhora das projeções decorre da aceleração tanto das exportações quanto das importações, em um contexto de maior dinamismo da atividade econômica. “Observamos uma aceleração dos fluxos, tanto de exportação, quanto de importação, que ajudaram a elevar esse valor previsto”, afirmou o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, Herlon Brandão.

Exportações batem recordes

Segundo a nova estimativa, o Brasil deverá exportar US$ 394,4 bilhões em 2026, valor US$ 30,2 bilhões superior ao previsto anteriormente. As importações também cresceram nas projeções, alcançando US$ 304,4 bilhões, alta de US$ 12,3 bilhões em relação à estimativa de abril.

O desempenho confirma que o fortalecimento da balança comercial não decorre de retração da economia doméstica, mas de uma expansão ainda mais vigorosa das vendas externas, preservando um saldo comercial elevado mesmo diante do aumento das importações.

Em junho, o Brasil registrou superávit comercial de US$ 9,758 bilhões, praticamente em linha com as expectativas do mercado. As exportações alcançaram US$ 36,277 bilhões, crescimento de 24,9% sobre junho de 2025 e o maior valor já registrado para qualquer mês da série histórica. As importações somaram US$ 26,520 bilhões, avanço de 14,4%.

Petróleo impulsiona desempenho

O principal destaque das exportações foi a indústria extrativa, cujos embarques cresceram 58,4%, impulsionados principalmente pelas vendas de petróleo bruto ao exterior.

Segundo Herlon Brandão, a valorização internacional da commodity teve papel decisivo. “O preço do petróleo, na comparação interanual, junho deste ano contra junho do ano passado, cresceu 67,6%. Então, o preço influenciou muito a receita. O volume cresceu também, 6,8%, e fez com que o valor de exportação de petróleo crescesse.”

O crescimento das exportações ocorreu mesmo após a adoção, pelo governo federal, de uma alíquota de 12% sobre as exportações de petróleo, implementada em março para estimular a oferta do produto no mercado interno em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio. A ampliação das vendas externas também tende a elevar a arrecadação pública, ainda que exista uma defasagem de aproximadamente dois meses para o recolhimento do tributo.

Além do petróleo, a agropecuária registrou expansão de 18%, impulsionada pelo aumento das exportações de soja. Já a indústria de transformação cresceu 14,7%, com destaque para carnes, combustíveis e farelo de soja.

Economia mais sólida

Do lado das importações, o crescimento também reflete maior atividade econômica. As compras de bens de consumo avançaram 34%, enquanto combustíveis cresceram 11,6%, bens intermediários 10,9% e bens de capital 5,7%.

No acumulado do primeiro semestre, o Brasil registrou superávit comercial de US$ 42,357 bilhões, significativamente superior aos US$ 30,187 bilhões observados no mesmo período de 2025.

A sequência de grandes saldos comerciais reforça uma mudança estrutural na economia brasileira. Com reservas internacionais robustas, contas externas equilibradas e capacidade crescente de gerar divisas por meio das exportações, o país amplia sua margem de segurança diante das oscilações da economia global e cria condições mais favoráveis para sustentar investimentos, crescimento econômico e estabilidade macroeconômica nos próximos anos.

FOTO: Wikimedia Commons

FONTE: https://www.brasil247.com/economia/forca-da-balanca-comercial-vem-transformando-o-brasil-em-um-pais-estruturalmente-superavitario/