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Fujão vira tóxico e derruba políticos que o apoiaram até o último minuto

De Tarcísio de Freitas a Kátia Abreu, passando por Rogério Marinho e Nikolas Ferreira, bolsonaristas perdem o moral para justificar adulação a Flávio Bolsonaro.

A carta em que o fujão se declarou presidente e, em seguida, líder do Brasil fez um verdadeiro strike entre os políticos que o apoiaram, com toda ênfase e pelos piores motivos, derrubando, como pinos de boliche, o moral de cada um deles. A foto em que bolsonaristas empedernidos aparecem à volta do derrotado que abandonaria a todos já na noite seguinte ao que viram na TV agora é um retrato pronto e acabado da escória da política brasileira.

Tarcísio de Freitas estava lá. O governador de São Paulo, com dois senadores eleitos pelo estado, arriscou diante da forte possibilidade de ser isolado por Flávio Bolsonaro na montagem do governo para firmar pé na campanha e pregar pelo filho de seu mentor político, o pai Jair. Perdeu a aposta pelos dois lados. Nem haverá governo para servir de teste de retribuição nem há mais a menor condição de o governador manter apoio político ao 01. Estar ao lado do candidato derrotado que não aceitou o resultado virou algo tóxico, mas Tarcísio já tem essa marca em si. Agora a questão é se limpar, o que ele está tentando fazer, afastando-se e projetando um futuro em que já se declara candidato à Presidência em 2030. A pressa nunca foi uma boa estratégia política.

Rogério Marinho, sentado ao ladinho de Flávio, parece ainda não ter acordado do impacto da fuga. Ele foi um dos responsáveis pela retomada do ânimo das bases lulistas quando começou a falar como grande articulador do futuro governo de extrema-direita, logo após o 1º turno. Já se via com os poderes de chefe da Casa Civil com o luxo de ainda escolher a alternativa de ser presidente do Senado. Ferrou-se. Marinho não vai passar nem pela calçada do Palácio do Planalto, e o senador eleito Arthur Lira é favorito para tomar para si a chefia da chamada Câmara Alta. Mentor do mal, o potiguar ficou na mão sem mentorado.

O piá Nikolas Ferreira não deu uma dentro durante toda a campanha, e ali naquela sala cometeu sua última gafe. Ele carrega contra si o videozinho cochichando ao pé do ouvido do candidato derrotado, garantindo que ele chegaria aos 64 milhões de votos. Errou na mosca. Lula chegou, mas Flávio ficou mais de 4 milhões de eleitores aquém. Parte desse carreamento para o presidente reeleito atribuiu-se à montagem de fake news que Nikolas comandou na Bahia, mentindo sobre as condições de vida da população nordestina. Ele pode perder o mandato pela divulgação de um relatório falso da PF sobre o caso Master. Deve sair de circulação nos próximos tempos, desmoralizado e tendo de cuidar da própria sobrevivência política.

Pablo Marçal, uma das figuras mais perigosas da atual política brasileira, viu em Flávio um veículo para devolvê-lo ao centro da cena, depois de sua frustrada candidatura à Prefeitura de São Paulo. Oportunista, tornou-se o puxa-saco mais determinado, e deu com os burros n’água quando seus pitacos para Flávio no primeiro debate do segundo turno, na Band, resultaram em reforço da imagem de arrogante e despreparado do ex-candidato extremista.

Douglas Ruas, eleito governador do Rio de Janeiro, talvez seja quem menos perde com a fuga de Flávio para os Estados Unidos. O campo do bolsonarismo no estado ficará livre com a ausência do país do miliciano referencial. Ruas pode deitar e rolar, sem precisar dar justificativas e explicações a ninguém.

Quem não estava lá, mas passou recibo foi a ex-senadora Kátia Abreu, ligada ao agronegócio. Ela é mais uma que ficou desmoralizada com o abandono de seu líder ideológico. Mostrou indignação. “Deixa de ser mole”, esbravejou pela mídia com o fugitivo. “Homem não pode vestir calça só até meio-dia, Flávio Bolsonaro. Homem tem que vestir calça de manhã, de tarde e de noite”. Os bolsonaristas que adularam Flávio até o último minuto antes da fuga carregarão para sempre o peso da má escolha.

FOTO: Reprodução/Redes sociais

FONTE: https://www.brasil247.com/blog/fujao-vira-toxico-e-derruba-politicos-que-o-apoiaram-ate-o-ultimo-minuto/