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Global Times argumenta que Wall Street perdeu o pódio para os mercados chineses

Jornal chinês afirma que avanço da abertura econômica de Pequim e perda de peso relativo do G7 revelam uma nova configuração da economia mundial.

247 – Global Times afirmou em editorial publicado nesta sexta-feira (21) que os Estados Unidos perderam as condições de se apresentar como árbitro da abertura econômica mundial e que a ascensão da China e dos países do Sul Global tornou ultrapassada a visão de uma economia internacional organizada em torno de um único centro. O texto foi publicado em resposta a um artigo de opinião do Wall Street Journal que defendia uma abertura da China segundo condições definidas por Washington.

Embora a expressão “Wall Street” seja tradicionalmente associada ao coração financeiro dos Estados Unidos, o argumento do jornal chinês vai além da disputa entre bolsas de valores. Para o Global Times, está em curso uma transformação estrutural na economia mundial, marcada pela redução do peso relativo das potências do G7, pela expansão dos BRICS e pelo fortalecimento das relações comerciais entre os países em desenvolvimento.

G7 perde espaço e BRICS avançam

Um dos dados destacados pelo editorial é a mudança na distribuição do Produto Interno Bruto mundial, considerando a paridade do poder de compra. Segundo o texto, em 2000 os países do G7 respondiam por mais de 43% do PIB global. Em 2024, essa participação havia caído para menos de 30%.

No mesmo período, a participação dos países dos BRICS teria avançado de 21% para mais de 35%. O comércio de mercadorias entre países em desenvolvimento, por sua vez, multiplicou-se por 4,6 desde o início do século, elevando sua participação no comércio mundial de aproximadamente 30% para 45%.

Para o jornal chinês, esses números demonstram que a antiga estrutura de “centro e periferia”, na qual as grandes economias ocidentais determinavam as regras e os demais países deveriam se adaptar, já não corresponde à realidade.

China amplia abertura econômica

O editorial também contesta a ideia de que Pequim estaria fechando sua economia. O Global Times lembra que a China reduziu significativamente sua lista de restrições aos investimentos estrangeiros e eliminou limitações à participação estrangeira no setor industrial.

Pequim também adotou tarifa zero para produtos provenientes dos países menos desenvolvidos e ampliou mecanismos de facilitação de vistos e trânsito internacional.

Segundo o jornal, essas medidas fazem parte de uma estratégia de abertura definida pela própria China conforme suas necessidades nacionais, e não de um processo conduzido sob pressão externa.

Em junho, durante o Fórum de Lujiazui, em Xangai, autoridades chinesas anunciaram novas medidas destinadas à abertura financeira, incluindo iniciativas relacionadas ao mercado offshore do renminbi, operações cambiais e facilitação do investimento estrangeiro.

China se torna centro do comércio mundial

Outro elemento utilizado pelo Global Times para sustentar sua argumentação é a posição chinesa nas redes globais de comércio.

A China permanece como o maior país do mundo em comércio de bens e é hoje o principal parceiro comercial de mais de 160 países e regiões. Segundo o editorial, o país contribui, em média, com cerca de 30% do crescimento econômico mundial.

Essa transformação ajuda a explicar por que Pequim procura apresentar sua abertura econômica não apenas como instrumento de desenvolvimento interno, mas como parte de uma nova arquitetura econômica internacional.

Um mundo cada vez mais multipolar

O ponto central do editorial é político e econômico: os Estados Unidos já não possuem o mesmo poder de definir unilateralmente as normas da economia global.

Para o Global Times, quando Washington condiciona o acesso a mercados à adoção de suas próprias regras sobre sanções, tecnologia e controles de exportação, não está defendendo propriamente a abertura econômica, mas tentando preservar uma posição hegemônica.

O jornal sustenta que a expansão das relações Sul-Sul e o crescimento dos BRICS estão produzindo uma rede comercial global “mais diversificada e mais plana”, na qual diferentes polos econômicos passam a coexistir.

Percepção internacional também muda

O editorial cita ainda pesquisas internacionais que apontam uma mudança na percepção sobre as duas maiores economias do planeta.

Segundo dados da Gallup mencionados pelo jornal, a aprovação internacional da liderança chinesa teria subido de 32% em 2024 para 36% em 2025, enquanto a aprovação da liderança dos Estados Unidos teria recuado de 39% para 31%.

Outra pesquisa citada, da Morning Consult, indicava em maio de 2025 um saldo global de favorabilidade de 8,8 pontos para a China e de -1,5 para os Estados Unidos.

World Openness Report 2025, também mencionado pelo editorial, apontou a América do Norte como uma das únicas duas regiões em que o nível de abertura diminuiu em 2024. Já o índice de abertura da China teria aumentado quase 30% ao longo de 35 anos.

Para o Global Times, portanto, a grande transformação do século XXI não se limita à ascensão econômica chinesa. Trata-se de uma redistribuição mais ampla do poder econômico mundial, na qual Wall Street, Washington e as antigas economias centrais deixam gradualmente de ocupar sozinhas o pódio enquanto China, BRICS e mercados emergentes conquistam um espaço cada vez maior na definição dos rumos da economia global.

FOTO: Global Times

FONTE: https://www.brasil247.com/global-times/global-times-argumenta-que-wall-street-perdeu-o-podio-para-os-mercados-chineses/