Sirenes tocaram em Bahrein e Kuwait após bombardeios dos EUA contra alvos no sul do Irã, em nova escalada sobre o Estreito de Ormuz.
247 – O Irã afirmou ter lançado ataques de retaliação contra 85 instalações militares dos Estados Unidos no Golfo, após bombardeios realizados por forças americanas contra cidades e estruturas estratégicas no sul iraniano. As informações foram divulgadas pela Al Jazeera, que acompanha a escalada em tempo real a partir de Teerã.
Segundo a emissora, ao menos três cidades iranianas foram atingidas durante a noite. A ilha de Qeshm teria sido um dos principais alvos, com pelo menos sete pontos bombardeados. A cidade de Sirik, que fica diante do Estreito de Ormuz, também foi atacada, com seis locais atingidos. Em Bandar Abbas, autoridades iranianas afirmaram que dez pontos foram alvo dos EUA, incluindo torres de telecomunicações.
Os bombardeios foram descritos como os maiores ataques americanos contra ativos militares iranianos desde o cessar-fogo firmado em abril. A Associated Press também informou que Washington atacou o Irã após acusar Teerã de atingir três embarcações no Estreito de Ormuz, em meio à revogação de mecanismos que permitiam a venda aberta de petróleo iraniano no mercado internacional.
Teerã acusa Washington de violar acordo
O presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, Mohammad Bagher Ghalibaf, classificou os ataques como “grandes violações” do memorando de entendimento entre Washington e Teerã.
Segundo Ghalibaf, as violações incluem a interferência dos Estados Unidos nos arranjos iranianos para o Estreito de Ormuz, a ameaça contínua de novos ataques, a reinstalação de sanções contra o setor petrolífero iraniano e as violações israelenses do memorando no Líbano.
Ele advertiu que “a era do bullying e da extorsão acabou” e acrescentou que esse tipo de pressão “não leva a lugar nenhum”.
Guarda Revolucionária anuncia retaliação
O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica afirmou que o Irã respondeu militarmente aos ataques dos EUA e atingiu 85 instalações americanas consideradas estratégicas na região.
Entre os alvos citados pelo Irã estão o quartel-general da Quinta Frota dos Estados Unidos, no porto de Salman, no Bahrein, e a base aérea Ali Al Salem, no Kuwait. Sirenes de ataque aéreo foram acionadas nos dois países, elevando o temor de uma guerra regional de maiores proporções.
A Guarda Revolucionária também afirmou ter derrubado um drone americano MQ-9 no sul do Irã. Até o momento, as alegações iranianas não foram confirmadas de forma independente.
Ormuz volta ao centro da crise global
A nova escalada recoloca o Estreito de Ormuz no centro da tensão geopolítica mundial. A passagem marítima é uma das rotas mais importantes para o transporte de petróleo e gás, e qualquer instabilidade prolongada pode afetar diretamente o mercado global de energia.
A crise também ameaça enterrar os frágeis entendimentos diplomáticos construídos desde abril. Para Teerã, os ataques americanos representam uma tentativa de impor pela força as condições de controle sobre Ormuz. Para Washington, a ação militar foi apresentada como resposta a ataques contra embarcações na região.
Com sirenes no Golfo, ataques cruzados e acusações de violação do cessar-fogo, a região entra em uma nova fase de incerteza. O risco agora é que a retaliação anunciada por Teerã e a resposta de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, transformem a crise no Estreito de Ormuz em um conflito regional aberto.
FOTO: Brasil 247 / Dall-E
FONTE: https://www.brasil247.com/mundo/guerra-retorna-e-ira-diz-ter-atingido-85-instalacoes-militares-americanas-no-golfo/