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Rússia barra exportação de diesel e acende alerta no Brasil

Suspensão da venda de diesel russo ocorre após ataques ucranianos a refinarias e pode afetar o Brasil se for prorrogada.

247 – A Rússia decidiu suspender a exportação de diesel até o fim de julho, em uma medida emergencial adotada pelo governo de Vladimir Putin após uma sequência de ataques ucranianos contra a infraestrutura energética do país. A decisão acende um sinal de atenção para o Brasil, um dos principais compradores do combustível russo, embora o impacto imediato sobre preços e abastecimento seja considerado limitado enquanto o veto permanecer restrito ao prazo anunciado, informa a Folha de São Paulo.

A restrição foi comunicada nesta quarta-feira (8), durante uma reunião entre Putin e integrantes do gabinete russo para avaliar os danos provocados por drones e mísseis de cruzeiro lançados pela Ucrânia contra refinarias e instalações ligadas ao setor de petróleo. A ofensiva, intensificada nas últimas semanas, atingiu a capacidade de produção de derivados da Rússia, um dos maiores fornecedores globais de petróleo.

A suspensão das vendas externas de diesel busca redirecionar o combustível para o mercado interno russo, onde já há relatos de escassez, filas em postos e racionamento em algumas regiões. Mesmo diante das dificuldades, Putin afirmou que “o sistema é sólido”.

A situação, no entanto, evidencia a pressão sobre o setor energético russo. De acordo com consultorias locais que analisam dados oficiais, a produção de derivados caiu 25% em junho, enquanto as exportações de petróleo cru recuaram 15%. Nesta quarta-feira, três refinarias foram bombardeadas. Na véspera, a maior unidade de refino do país, localizada em Omsk, a cerca de 3 mil quilômetros das fronteiras ucranianas, teve de interromper suas operações.

O vice-primeiro-ministro russo Alexander Novak, responsável pela área de energia, afirmou que a restrição deve ajudar a ampliar a oferta doméstica. “O veto poderá aumentar o suprimento ao mercado doméstico”, disse Novak. Ele também informou que Moscou pretende comprar derivados enquanto a crise persistir, uma medida incomum para um país tradicionalmente exportador de combustíveis. A Belarus, aliada da Rússia, já ampliou significativamente os envios desde o fim de junho.

Desde o início da guerra na Ucrânia, a Rússia redirecionou parte de suas exportações de petróleo e derivados para mercados fora da Europa, após a adoção gradual de sanções e restrições por países europeus. Nesse movimento, o Brasil ampliou as compras de diesel russo, atraído pelos descontos oferecidos por Moscou.

Embora as importações estejam em queda neste ano, o diesel russo ainda teve peso expressivo no mercado brasileiro. Em maio, respondeu por 75% das compras externas do produto pelo Brasil. O combustível importado atende cerca de 30% da demanda nacional, enquanto o restante é suprido principalmente pela Petrobras.

Atualmente, o Brasil aparece entre os maiores compradores de diesel russo, atrás de China e Turquia. Dados do Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo, com sede na Noruega, apontam que, desde o início das sanções europeias até maio deste ano, 11% do diesel exportado pela Rússia teve o Brasil como destino.

No curto prazo, a interrupção até 31 de julho tende a ter efeito limitado sobre o mercado brasileiro, já que os embarques de diesel costumam seguir contratos de prazo mais longo. O risco aumenta, porém, caso Moscou prorrogue o veto ou se outros fatores geopolíticos agravarem a oferta global de combustíveis, como uma retomada das hostilidades entre Estados Unidos e Irã, cenário que poderia dificultar ainda mais a normalização do abastecimento pelo Oriente Médio.

FOTO: Agência Brasil

FONTE: https://www.brasil247.com/economia/russia-barra-exportacao-de-diesel-e-acende-alerta-no-brasil/