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Interferência dos Estados Unidos na eleição agravou a polarização política no Brasil, diz mídia russa

Eleição brasileira é disputa entre a soberania nacional e o império dos EUA, de acordo com um artigo publicado no RT.

247 – De acordo com um artigo publicado pela emissora russa RT, escrito pelo historiador alemão Tarik Cyril Amar, as recentes controvérsias envolvendo a empresa Meta, controladora do Facebook, WhatsApp e Instagram, transformaram a acirrada disputa presidencial brasileira em uma verdadeira crise de soberania. Para o autor, a eleição entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro coloca em jogo não apenas a democracia local, mas também o futuro dos BRICS e a influência de Washington na América Latina.

O texto de Cyril Amar, que atua na Universidade Koç em Istambul, argumenta que a Meta admitiu indiretamente que suas plataformas tentaram influenciar as eleições em favor de Flávio Bolsonaro, prejudicando Lula. Essa confissão velada só teria ocorrido devido à pressão do jornalismo investigativo brasileiro.

Como resultado, o historiador avalia que essa interferência americana agravou ainda mais a polarização política no Brasil a poucos dias do segundo turno, com ambas as campanhas tentando excluir o adversário da disputa. “Ao lidar com um país seriamente dividido, basta deixar por conta de Washington para tornar tudo ainda mais cruel”, escreve o autor.

A análise russa insere a atuação da Meta em um contexto histórico de intervenções dos Estados Unidos na América Latina, traçando paralelos com o golpe militar de 1964 e as campanhas de espionagem e lawfare da década de 2010. Amar ressalta que as diferenças entre Lula e Flávio Bolsonaro transcendem a divisão entre esquerda e direita, representando visões diametralmente opostas sobre o papel do Brasil no mundo.

Enquanto Lula, um dos fundadores dos BRICS, defende uma ordem mundial multipolar, a reforma da ONU e o fim do domínio do dólar, aproximando-se da China e criticando ações de Israel, Flávio Bolsonaro representaria o retorno a um alinhamento irrestrito com os Estados Unidos.

“Onde Lula pensa globalmente, Flávio pensa em termos do hemisfério ocidental – e esse hemisfério, ele aceita com entusiasmo, pertence aos EUA”, argumenta o historiador.

O artigo enfatiza que o aprofundamento das relações entre o Brasil e a China, principal parceiro comercial de Brasília desde 2009, é visto com extrema preocupação por Washington. Cyril Amar conclui que uma vitória de Lula é fundamental para a resistência contra o que ele chama de “Doutrina Donroe” (uma referência à Doutrina Monroe associada à Donald Trump), enquanto uma vitória de Bolsonaro significaria a absorção do Brasil pelo sistema de influência norte-americano.

“As apostas não poderiam ser mais altas: soberania e, muito provavelmente, a própria democracia para o Brasil; triunfo imperial estratégico ou fracasso para os EUA”, finaliza.

FOTO: Dall-E/Brasil 247

FONTE: https://www.brasil247.com/mundo/interferencia-dos-estados-unidos-na-eleicao-agravou-a-polarizacao-politica-no-brasil-diz-midia-russa/