Temos duas surpresas favoráveis seguidas, e às vésperas da reunião do Copom na semana que vem.
O IPCA-15 foi divulgado hoje pela manhã e veio muito abaixo do esperado. O mercado trabalhava com algo em torno de 0,20%, e o índice registrou apenas 0,06% — o menor resultado para um mês de julho desde 2023. Depois de uma leitura de 0,41% em junho, foi um mergulho.
No acumulado, o quadro melhorou: 3,51% no ano e 4,52% em doze meses. Um alívio. Sabemos que, em geral, os meses de julho e agosto costumam ser favoráveis à inflação, mas este julho foi particularmente bom.
Ainda restou alguma pressão de energia elétrica no grupo de habitação, que subiu 0,97% justamente por conta da conta de luz, com alta de cerca de 3%. Mas o mergulho de verdade veio de alimentação e bebidas, com queda de 0,66%, e de vestuário, também em deflação, com recuo de 0,33%.
O ponto que mais chama atenção é a difusão: o indicador caiu de 60% para 48%. Ou seja, menos itens em alta, uma inflação que se espalha menos pela cesta. E das nove classes de despesa, sete desaceleraram na passagem de junho para julho. É mais uma boa notícia de inflação — e vale lembrar que a leitura do mês passado também já havia surpreendido para baixo. Temos, portanto, duas surpresas favoráveis seguidas, e às vésperas da reunião do Copom na semana que vem.
Isso reforça o caso para mais um corte de 0,25 ponto. Ainda nesta semana teremos a decisão do Fed, amanhã, com o mercado dividido entre manutenção e a hipótese de alta, e uma agenda carregada de dados no Brasil — Caged, PNAD Contínua, medidas de desemprego. Há bastante coisa para acompanhar.
Mas os dados brasileiros mais recentes de atividade têm vindo mais fracos: a PMC, no comércio, a PMS, nos serviços, a indústria, e um IBC-Br que, embora ainda positivo, veio mais fraco. Ou seja, acomodação da atividade econômica somada a uma segunda leitura de inflação bastante positiva, trazendo inclusive o índice em doze meses para perto de 4,5%. É uma boa notícia, e aumenta a chance de corte de juros na semana que vem — pelo menos se julgarmos por esse par de sinais: economia desacelerando e inflação um pouco melhor.
Por outro lado, as expectativas de inflação têm piorado, especialmente para 2027 e 2028, que já começam a ganhar cara de 4%.
FOTO: Agência Brasil
FONTE: https://www.brasil247.com/blog/ipca-15-mergulha-em-julho-e-reforca-o-caso-para-novo-corte-de-juros/