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IPCA-15 tem deflação de 0,40% em agosto e muda o quadro da inflação no ano

Bônus de Itaipu derruba a conta de luz em 6,25%, índice desacelera para 4,24% em 12 meses e reforça a aposta em novo corte da Selic.

O IPCA-15 de agosto, divulgado nesta manhã, veio com deflação de 0,40% no mês, um resultado bem abaixo do esperado e que inverte o sinal da comparação com o mesmo período do ano passado. O número muda o quadro do ano: o índice passa a acumular 3,09% em 2026 e desacelera para 4,24% em 12 meses, ante os 4,52% registrados na leitura anterior. Depois de meses de pressão, a inflação brasileira começou a patinar e parou de subir na sequência junho, julho e agosto.

O grande destaque do mês foi o chamado bônus de Itaipu. Por lei, a usina não opera com lucro, de modo que o excedente de faturamento é devolvido aos consumidores. Esse excedente operacional aparece diretamente como desconto na conta de luz, e o efeito foi expressivo: a energia elétrica residencial caiu 6,25% no período captado pelo IPCA-15, com impacto pesado sobre o índice cheio. Trata-se, evidentemente, de um alívio pontual, e não de um movimento permanente de preços — mas ajudou, e ajudou muito.

Fora o efeito da energia, o quadro qualitativo também não dá margem a reclamação. Cuidados pessoais subiram 0,42% e alimentação fora do domicílio avançou 0,40%, com alguma desaceleração na margem. Entre os demais grupos, houve deflação em vestuário e queda de 0,02% em artigos de residência. A leitura geral é de melhora consistente, com praticamente três meses bons de inflação acumulados — faltando ainda, é claro, a segunda quinzena, que aparecerá no IPCA cheio.

São notícias muito boas para a inflação brasileira e, no campo monetário, aumentam a chance de mais um corte de juros, de 14% para 13,75%, na próxima reunião do Copom. O câmbio deu uma aliviada relevante, cedendo para a casa dos R$ 5,15, em boa medida por conta do cenário externo. Havia expectativa de escalada das tensões em torno do conflito no Estreito de Ormuz, mas as sanções econômicas anunciadas por Donald Trump na segunda-feira não foram tão agressivas quanto se temia. Depois do anúncio, o petróleo cedeu, com o Brent recuando para US$ 85, o que traz um cenário de distensão e ajudou a produzir um fechamento importante dos juros longos no Brasil.

Na contramão, os Estados Unidos divulgaram um dado um pouco pior de inflação. O deflator do PCE, que é o índice acompanhado pelo Fed, não é uma cesta de consumo estrita como o CPI, mas uma medida mais ampla de preços, que abrange todos os setores da economia. O índice cheio está correndo a cerca de 3,6% em 12 meses e o núcleo, que exclui energia e alimentos, a 3,3%, em linha com o esperado. Ainda é uma inflação bastante salgada para uma meta de 2%, e o cenário segue sendo de juros em alta por lá até o fim do ano, com o Fed levando a taxa para 4%.

Mesmo assim, a gordura brasileira é grande demais para preocupar. Com a Selic em 13,75% e a taxa americana em 4%, o diferencial de juros beira os 10 pontos percentuais. Ainda que a Selic caia para 12% no ano que vem, como projeta o Focus, o diferencial permaneceria em torno de 8 pontos — mais do que suficiente para segurar uma desvalorização cambial relevante.

O saldo do dia, portanto, é positivo: mais uma boa notícia de inflação sob controle, com a ajudinha especial de Itaipu. Amanhã saem os dados do Caged, com a atualização do mercado de trabalho brasileiro.

FOTO: Agência Brasil

FONTE: https://www.brasil247.com/blog/ipca-15-tem-deflacao-de-040-em-agosto-e-muda-o-quadro-da-inflacao-no-ano/