Presidente marca 42% a 33% e 43% a 34% nos cenários de primeiro turno e vence Flávio por 49% a 43% no segundo, segundo pesquisa BTG/Nexus.
247 – A nova rodada da pesquisa BTG/Nexus sobre a eleição presidencial de 2026 reforça um cenário favorável ao presidente Lula (PT) e amplia a pressão política sobre Flávio Bolsonaro (PL). No levantamento divulgado nesta segunda-feira (15), com entrevistas realizadas entre 12 e 14 de junho, Lula aparece à frente do senador bolsonarista tanto nas simulações de primeiro turno quanto no confronto direto de segundo turno.
A pesquisa ouviu 2.017 eleitores em todo o país, tem margem de erro de 2 pontos percentuais e está registrada no TSE sob o número BR-06645/2026. Os números indicam que Lula mantém vantagem consistente sobre Flávio Bolsonaro, enquanto o herdeiro político do bolsonarismo enfrenta dificuldades para ultrapassar o núcleo mais fiel da extrema direita.
No voto espontâneo, Lula aparece com 36%, contra 27% de Flávio Bolsonaro. A vantagem de nove pontos é significativa porque, nesse tipo de pergunta, os nomes dos candidatos não são apresentados ao eleitor. Trata-se, portanto, de um indicador relevante de lembrança natural, enraizamento político e força eleitoral consolidada.

A série histórica também favorece o presidente. Lula saiu de 32% em março para 36% em junho no voto espontâneo. Flávio Bolsonaro, no mesmo período, oscilou de 26% para 27%, permanecendo praticamente estagnado. O dado sugere que Lula ampliou sua presença no imaginário eleitoral, enquanto Flávio não conseguiu transformar a exposição do sobrenome Bolsonaro em crescimento expressivo.
No primeiro turno estimulado, Lula também lidera com folga. No cenário 1, o presidente registra 42%, contra 33% de Flávio Bolsonaro. Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) aparecem com 4% cada; Romeu Zema (Novo), Joaquim Barbosa (DC) e Augusto Cury (Avante) têm 2%; Aécio Neves (PSDB) e Cabo Daciolo (Mobiliza) marcam 1%. Brancos, nulos e nenhum somam 5%, e 3% não sabem ou não responderam.
A trajetória recente do cenário 1 mostra Lula em recuperação e Flávio em queda. Em abril, Lula tinha 41%; caiu para 40% em maio; e agora chega a 42%. Já Flávio Bolsonaro saiu de 36% em abril para 35% em maio e 33% em junho. Em dois meses, portanto, o senador perdeu três pontos, enquanto Lula recuperou terreno e abriu nove pontos de vantagem.
No cenário 2, a distância se repete. Lula aparece com 43%, contra 34% de Flávio Bolsonaro. Renan Santos marca 5%, Ronaldo Caiado tem 4%, Romeu Zema e Joaquim Barbosa aparecem com 3% cada. Brancos, nulos e nenhum somam 6%, enquanto 2% não sabem ou não responderam.
A série histórica desse segundo cenário também é negativa para Flávio. Lula passou de 41% em março para 43% em junho, enquanto o senador caiu de 38% para 34%. O movimento indica que, quanto mais a disputa se aproxima, o presidente preserva e amplia sua base, ao passo que o bolsonarismo enfrenta sinais de desgaste.
O desempenho de Lula é especialmente forte entre beneficiários do Bolsa Família. Nesse segmento, o presidente chega a 62% no cenário 1 de primeiro turno, contra apenas 20% de Flávio Bolsonaro. A distância de 42 pontos revela a força das políticas sociais na sustentação eleitoral do presidente e mostra a dificuldade do bolsonarismo em penetrar nos setores populares mais diretamente beneficiados por programas de transferência de renda.
Entre os não beneficiários do Bolsa Família, Lula também se mantém competitivo. Nesse grupo, ele aparece com 40%, contra 35% de Flávio Bolsonaro no cenário 1. O dado enfraquece a tentativa de reduzir o eleitorado lulista apenas à dependência de políticas sociais e indica que o presidente preserva presença relevante também em segmentos mais amplos da sociedade.
No segundo turno, Lula também vence Flávio Bolsonaro. O presidente aparece com 49%, contra 43% do senador. Brancos, nulos e nenhum somam 8%, e 1% não sabe ou não respondeu. A vantagem de seis pontos confirma que Lula chega ao confronto direto em melhor posição, superando o adversário em uma disputa nacional polarizada.
A evolução histórica do segundo turno reforça a tendência favorável ao presidente. Em março, Lula e Flávio estavam empatados em 46%. Em abril, Lula manteve 46% e Flávio caiu para 45%. Em maio, Lula subiu para 47% e Flávio recuou para 43%. Agora, Lula chega a 49%, enquanto o senador permanece em 43%. O movimento mostra uma curva ascendente para o presidente e uma estagnação preocupante para Flávio Bolsonaro.
O recorte por renda também ajuda a explicar a vantagem de Lula. No segundo turno contra Flávio, o presidente marca 59% entre eleitores com renda familiar de até um salário mínimo e 57% entre os que recebem de um a dois salários mínimos. Flávio, nesses segmentos, registra 34% e 37%, respectivamente. A diferença mostra que Lula segue amplamente majoritário entre os brasileiros de menor renda, faixa decisiva em qualquer eleição presidencial.
No Nordeste, Lula impõe sua maior vantagem regional. No confronto direto contra Flávio Bolsonaro, o presidente alcança 66%, contra 28% do senador. A região, historicamente estratégica para o lulismo, aparece novamente como um dos pilares centrais da vantagem nacional do presidente.
Entre as mulheres, Lula também lidera com margem expressiva. No segundo turno contra Flávio, o presidente tem 55%, contra 37% do senador. Entre os homens, Flávio aparece numericamente à frente, com 49% a 42%. O dado confirma uma divisão de gênero desfavorável ao bolsonarismo, que enfrenta maior resistência no eleitorado feminino.
Outro dado relevante é a rejeição. Segundo a pesquisa, 52% dos entrevistados dizem que não votariam em Flávio Bolsonaro de jeito nenhum. No caso de Lula, a rejeição é de 47%. Além disso, 38% afirmam que Lula é o único candidato em quem votariam, contra 25% que dizem o mesmo sobre Flávio. Isso significa que o presidente tem uma base de voto exclusivo maior e uma rejeição menor do que a do adversário.
A comparação é politicamente dura para o senador bolsonarista. Flávio Bolsonaro depende de uma transferência quase integral do voto de Jair Bolsonaro, mas encontra resistência fora do núcleo mais fiel da extrema direita. A pesquisa mostra que ele tem força entre os bolsonaristas convictos, mas enfrenta dificuldade para crescer entre eleitores menos ideológicos, não polarizados ou críticos simultaneamente a Lula e ao bolsonarismo.
Nos cruzamentos de polarização, o levantamento mostra que Lula chega a 35% entre os eleitores não polarizados no cenário 1 de primeiro turno, contra 26% de Flávio Bolsonaro. Esse dado é relevante porque indica que, mesmo fora dos campos mais mobilizados da disputa, o presidente consegue desempenho superior ao do adversário.
A pesquisa também revela que 77% dos eleitores de Flávio Bolsonaro no cenário 1 dizem que a decisão de voto já está tomada e não deve mudar. Entre os eleitores de Lula, esse índice é ainda maior: 81%. A vantagem mostra que o presidente não apenas lidera, mas também conta com um eleitorado ligeiramente mais consolidado.
O conjunto dos números aponta para um quadro de vantagem estrutural de Lula. O presidente lidera no espontâneo, vence nos dois cenários estimulados de primeiro turno, aparece à frente no segundo turno, tem menor rejeição que Flávio e possui uma base exclusiva de voto mais ampla. Para Flávio Bolsonaro, o levantamento traz um sinal negativo: mesmo herdando o sobrenome político mais conhecido da extrema direita, ele ainda não consegue superar o teto bolsonarista nem reduzir a distância em relação ao presidente.
Foto: Ricardo Stuckert/PR I Andressa Anholete/Agência Senado
FONTE: https://www.brasil247.com/brasil/lula-abre-distancia-sobre-flavio-bolsonaro-no-primeiro-e-no-segundo-turno