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Lula afirma estar decidido a “apostar” na indústria de defesa nacional

Presidente defende uso do poder de compra do Estado para fortalecer setor e cita minerais críticos como questão de soberania.

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (17) estar decidido a “apostar” na indústria de defesa brasileira. Durante discurso em evento da Petrobras no Amapá, o petista defendeu o uso das compras públicas como ferramenta para impulsionar a produção nacional, o desenvolvimento tecnológico e o fortalecimento de fornecedores do país.

“O Estado tem que aproveitar o poder de compra dele para incentivar a produção nacional”, declarou Lula. A fala ocorreu logo após o presidente citar a retomada da indústria naval como exemplo de política pública em que estatais geram demanda para produtores locais, mesmo quando equipamentos importados aparentam ser inicialmente mais baratos.

Para Lula, encomendas em maior volume têm potencial para reduzir custos e consolidar capacidade industrial dentro do país.

Recuperação das Forças Armadas

O presidente também relacionou o avanço da área de defesa à recomposição da capacidade operacional das Forças Armadas. Ele recordou investimentos feitos em seus mandatos anteriores em embarcações da Marinha, aeronaves da Força Aérea Brasileira e batalhões de engenharia do Exército.

Lula relatou ainda que, ao assumir a Presidência pela primeira vez, encontrou um cenário de restrições orçamentárias que comprometia até a rotina básica dos militares.

“Os soldados eram liberados às 11 horas, porque não tinha dinheiro para pagar o almoço”, disse. O presidente afirmou que seu governo passou a garantir salário mínimo aos recrutas e criou o programa Soldado Cidadão, voltado à qualificação profissional de militares temporários.

Visita ao Centro Industrial Nuclear de Aramar

A declaração antecede uma agenda de Lula ligada diretamente à área de defesa. Na quarta-feira (19), o presidente estará no Centro Industrial Nuclear de Aramar, em Iperó, no interior de São Paulo, onde deve acompanhar o andamento do Programa Nuclear da Marinha.

Na visita, Lula deve verificar a etapa de montagem do reator que servirá de base para a propulsão do submarino brasileiro Álvaro Alberto. O empreendimento integra o Prosub e avança para a construção do primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear.

Em Aramar está sendo desenvolvido o Labgene, instalação ligada ao Programa Nuclear da Marinha. O domínio do ciclo do combustível nuclear e a operação do Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica estão entre os pilares do programa.

Para a Marinha, dominar o ciclo do combustível nuclear e a tecnologia do reator representa também um ganho de autonomia estratégica, ao reduzir a dependência externa em uma das áreas mais sensíveis da tecnologia militar.

Minerais críticos e soberania nacional

Lula também associou a defesa nacional à exploração e ao processamento de minerais críticos e terras raras. Ao citar projetos em tramitação no Congresso, o presidente disse que o Brasil pretende deixar de apenas exportar esses recursos e passar a ampliar seu processamento em território nacional.

“Desta vez, a gente não vai deixar que ninguém de fora venha querer explorar os nossos minérios, porque nós vamos querer fazer a transformação deles aqui”, afirmou. “Nós queremos separar aqui, transformar aqui e produzir as coisas importantes aqui nesse país”, completou o presidente.

Como exemplo histórico, o presidente citou as areias monazíticas brasileiras, minerais que podem conter terras raras e tório. Lula disse ter tomado conhecimento de que os Estados Unidos retiravam monazita do Brasil e associou o material à indústria militar estadunidense.

FOTO: Ricardo Stuckert

FONTE: https://www.brasil247.com/brasil/lula-afirma-estar-decidido-a-apostar-na-industria-de-defesa-nacional/?utm_source=facebook&utm_medium=jetpack_social